… que o desgoverno actual procure justificar medidas com dados aldrabados. Sim, eu sei o que escrevi… aldrabados. Não é uma questão de incompetência, é mesmo de desonestidade política e não só.

Já quando se tratou da Educação, naquela coisa do Palácio Foz, usaram uma apresentação que já lhes tinha sido dito e demonstrado estar errada e insistiram. E, embora prometessem corrigi-la, nunca o fizeram publicamente, limitando-se a esquecer o assunto durante uns tempos para voltar algum tempo mais tarde a atacar com dados semelhantes.

Este desgoverno manipula conscientemente os dados para enganar a opinião pública e alimentar alguns opinadores mediáticos ainda fiéis. O problema, neste caso, é que na área da Ciência entre em choque frontal com gente muito conhecida e não apenas com zecos que foi muito mais fácil apresentar como corporativos.

Governo legitima mudança na política científica com dados descontextualizados

O que Carlos Fiolhais afirma para a Ciência era já válido para a Educação, mas não foi nada simples conseguir uma tão ampla demonstração…

Se olharmos para todos os profissionais que completaram o ensino superior nas áreas de ciência e tecnologia, e que estão a trabalhar nestas actividades, Portugal está na cauda da Europa: apenas 13,7% da população activa estava, em 2012, integrada em actividades de ciência e tecnologia, enquanto a média europeia era de 18,9%.

“O número médio de novos doutores na União Europeia em 2011 por 100.000 habitantes foi de 22,9”, diz-nos por sua vez Carlos Fiolhais. “Portanto, se queremos continuar o caminho de aproximação à média europeia, a convergência tem de continuar, o que só se consegue continuando a investir ao mesmo ritmo e não quebrando o investimento que se estava a fazer.”