Exp8Fev14

Expresso, 8 de Fevereiro de 2014

Pelo contrário. Apenas revela que ainda há mais gente imbecil do que parece e que está bem distribuída pelo arco da governação, reforçando-se a noção de continuidade no cavar do abismo nacional.

A reacção do desgoverno actual à polémica sobre os quadros de Miró foi mandar circular informação sobre a responsabilidade dos desgovernos anteriores em relação à mesma matéria.

Não há que enganar: isto não é resultado de investigação jornalística activa… é apenas a divulgação de informação disponibilizada para tentar neutralizar as acusações do “outro lado”.

O que falha nisto tudo?

Que o que está em causa vai muito para além das polémicazinhas de cabeceira entre rosa e laranjas. Basta analisar o currículo político do actual SEC para se perceber que se sempre floresceu em tempos de laranjal, nunca perdeu oportunidades em tempos de roseiral.

A questão não é uma polémica entre PSD/CDS e PS. Filisteus são todos eles e dos hipócritas, pois mudam de posição conforme o seu posicionamento e fingem sensibilidade cultural apenas quando convém. Ouvir uma canavilhas sobre esta matéria dá um certo enjoo, por exemplo, que não me lembro de um contributo relevante dela como governante seja para o que for.

Isto é uma questão entre quem tem algum bom senso e a clique que nos governa em modelo de rotativismo, unida na sua forma coreográfica de encenar um olhar diferente sobre a Cultura ou o País.

Os quadros de Miró podem sem um “luxo”, mas já sabemos que tudo o que não sirva aos piresdelimadacervejola são coisas espúrias e desnecessárias no entender desta malta grunha.

Mas são mais um símbolo de uma forma de conceber o interesse público como mera contabilidade, sem visão de investimento e valorização patrimonial.

Por exemplo, o que escreve hoje Avillez Figueiredo no expresso é uma falsidade… se não se venderem os quadros não teremos de os pagar. Eles já estão pagos e, pelo contrário, podem ser valorizados.

Exp8Fev14dO que Avillez Figueiredo não, nem nunca ousaria por evidfente falta de frontalidade, é apontar claramente o dedo à origem do buraco do BPN e aos que o motivaram e continuam sem, como devedores à SLN, pagar os empréstimos que sacaram em seu tempo e são muito mais onerosos do que os quadros de Miró.

Chamar míopes a esta gente é ofender-me, que sou mesmo míope.

Quanto à jogada mediática, porreiro, pá, que o Expresso alinhou, mas a verdade é que nada disso interessa quando o que está em causa é muito mais importante do que os falsos arrufos entre montenegros&zorrinhos, jovens sóifertes&galambas, a discordar nos intervalos entre almoços e jantares em conúbio.