Nem é a questão de querer vender a retalho o acervo de Mirós do BPN, quando não se preocupa em recuperar os milhões que a Galilei (ex-SLN) deve ao Estado, que atinge níveis estratosféricos, nem sequer em penhorar os bens dos seus maiores devedores.

Eu também acho que é possível que entre os 85 quadros ou desenhos (não sei, não os vi), haverá material de 2ª ou 3ª ordem.

O que acho estranho é que nem se preocupe em mandar saber se pelo menos 20 ou 30 não teriam qualidade para ficar nos museus nacionais e, de caminho, diga que o Estado não tem 30 ou 40 milhões para manter a colecção completa.

Porque isto é um disparate a dois níveis:

  1. Há muitos milhões desperdiçados pelo Estado que dariam, sem problema, para pagar a manutenção da parte mais apetecível do espólio.
  2. Um zero em avaliação de arte decide, desde já, dizer o preço que quer arrecadar (foi o que ouvi na TSF, quando referiu que o Estado não tinha 30 ou 40 milhões e que era preciso definir prioridades), o que é de uma idiotice enorme e só possível em que confia a cultura a um barrete.

As burrices dos outros não podem justificar as burradas destes, até porque, se formos abaixo da superfície, os laços familiares na sem vergonhice espalham-se de forma oleosa pelo laranjal.