Há os que se queixam porque eu continuo a ter simpatia por parte das políticas do actual MEC, mesmo se isso já quase se resume a um fio de concordância com a necessidade de avaliação externa das aprendizagens que se fazem ao longo de 9 anos.

E há os que acham que digo mal de tudo e mais alguma coisa, esquecendo-se que aqui – mesmo quando se janta em companhias diversas – não se colocam as opiniões (e convicções) em saldo ou ao desbarato.

É o que se passa com os exames em Inglês.

Relembrando: não é de agora que acho que os exames de 9º ano se devem estender também ao Inglês (por causa da introdução no 1º ciclo que deveria ser sistemática e coerente e não um patchwork como acontece na prática), às Ciências (Naturais, da Natureza, com ou sem Físico-Química, mesmo que sem efeitos na avaliação final das disciplinas) e à História e Geografia (Ciências Sociais).

Para isso, acho que deveria ser introduzida um sistema de exames de forma gradual, não num dado ano ou momento por dá jeito, mas porque corresponda ao fim de um trajecto no ensino Básico de uma coorte de alunos que já teve Inglês no 1º ciclo.

Esse exame deve ter como orientação o programa da disciplina e as metas curriculares definidas com base nele e não um referencial externo que não conduziu o trabalho de professores e alunos ao longo de, pelo menos, 5 anos.

Deve ser um exame feito em articulação com os do Ensino Secundário.

Não deve ser um exame feito para efeitos de fogo de artifício e – repito-o – servir de base a um negócio de produção de materiais, formação, certificados e/ou explicações. Deve ser um exame como é o de Português ou de Matemática, mesmo com todas as críticas que merecem a muita gente, se possível imune a capelinhas académicas.

Este exame made in Cambridge – seja de nível XCÓCÓ2R1 ou de nível XIXI67LÇ21 – não faz parte de um sistema coerente de exames para o nosso Ensino Básico, nada garante que esteja de acordo com os programas em vigor e que os alunos e professores seguiram desde sempre, nem sequer sabemos se estão de acordo com as metas curriculares cujo cumprimento deveria ser avaliado daqui a 3 ou 5 anos.

O resto é conversa fiada.

Seja dos que criticam a examocracia, recusando toda e qualquer avaliação externa por questões de princípio ideológico, seja dos que querem qualquer exame, em especial se for oportunidade para estabelecer parcerias empreendedoras.

Se esta minha opinião irrita certos leitores e comentadores?

Tenho pena ou… pensando melhor… não tenho.