Ao contrário do que afirma Guilherme Valente, a ideia do cheque-ensino encaixa muito bem na sequência de disparates que o actual MEC tem feito em relação ao sistema de ensino público, não sendo nada abstrusa no contexto de terraplanagem das escolas públicas que tem vindo a ser levado a efeito, esvaziando-as de recursos finan ceiros e meios humanos experientes e motivados.

A ideia não é dele, claro, já existia antes… mas em nenhum moemnto o ouvi ou li, desde que assumiu o cargo, fazer qualquer declaração quanto à sua inconveniência ou inadequalção à nossa realidade.

A prioridade, com todos os recursos, só pode ser, por isso, a construção duma rede de ensino público de grande qualidade. Reciclando, seleccionando (por necessidade e justiça), formando e atraindo os melhores, mais vocacionados, professores. Também por não ser legítimo prometer a todos o emprego que não haverá.

E por isso me chocou tanto a ideia, abstrusa, deslocada, do “cheque ensino”. Não pode ter sido de Nuno Crato. Num país em que é tão difícil promover a mais simples e imperiosa alteração, pareceu provocação ou é outra cegueira, agora de sinal contrário. O ministro deve explicar bem essa história.