EstePais

Sinceramente, gostava de ir ao lançamento deste livro, mas dou aulas até às 18.30,o que o torna impossível.

E gostaria de ir pois, para além de conhecer os autores mesmo se de forma algo superficial, discordo do que deduzo da tese central, a partir do que os autores têm declarado para efeitos promocionais. E porque gosto imenso de observar “liberais” em sã confraternização. É a minha faceta David Attenborough

A ideia central parece-me ser a de que os grisalhos de hoje são egoístas e ao quererem manter os seus direitos adquiridos estão a hipotecar as gerações futuras, os seus netos ou mesmo filhos.

Eu sei que é um livro de combate, propositadamente destinado a provocar polémica e por isso mesmo acho que a leitura é linear de forma propositada, pois parece ignorar que estes filhos e netos já foram criados e educados pelos pais e avôs, com recurso aos seus meios e que talvez a solidariedade devida seja mais lógica a partir dos que estão em idade mais activa e com capacidade para mudar as coisas e desenvolver o país, sendo – digo eu – ser seu dever tranquilizar os seus ascendentes acerca do seu direito a uma velhice protegida.

É uma falácia dizer que o peso das obrigações sociais sufoca a sociedade civil por causa dos impostos. Quem é sufocado é o trabalhador por conta de outrem. Basta comparar as taxas do fisco para os grandes negócios e os pequenos contribuintes.

O que os jovens deveriam exigir era uma elite política que respeitasse os mais velhos, aqueles que conquistaram liberdades que não existiriam sem a sua acção.

O que os jovens deveriam exigir era uma governação que não estimulasse activamente a emigração e combatesse o pântano dos interesses instalados (os das negociatas, não os dos aposentados com 1000 euros mensais) em vez de se ter rendido à hipótese de um emprego futuro, depois do exercício domesticado do poder.

O que os jovens deveriam saber era protestar e avançar as conquistas, não alinhar em estratégias de retrocesso social. Deveriam era combater as redes de tráfico de influência, nepotismo e apropriação dos meios do Estado por interesses particulares anti-solidários.

Porque a solidariedade intergeracional não se faz na base do sacrifício dos mais fracos e dependentes, mas sim na da construção de um futuro mais desenvolvido, com recurso a vercdadeiro empreendedorismo e inovação, os quais não dependem da relação preferencial com um secretário de estado ou chefe de gabinete.