Sábado, 11 de Janeiro, 2014


Alabama 3, Woke Up This Morning

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Jornalismo e propaganda

… ver um minuto ou menos que seja do congresso do CDS-PêPê. Mal passo por um dos canais noticiosos e dou com aquilo recalibro logo o comando.

… é o que merece aquela proposta de ataque à liberdade de imprensa, procurando criminalizar os jornalistas por fugas ao segredo de justiça de que não são os agentes.

Até porque seria caricato ver, em alguns casos, as fontes a investigar as fugas.

… e a sua proposta de voltar a uma escolaridade de apenas 9 anos.

Ora bem…

… em 2009 terei sido dos poucos a não embandeirar publicamente em arco com uma medida que achei demagógica e eleitoralista e que todos os partidos apoiaram sem aparentes hesitações ou propostas alternativas.

Porque propostas alternativas eram e são possíveis… desde logo a obrigatoriedade de um ou dois anos de pré-escolar, uma medida que a generalidade dos estudos aponta como muito mais eficaz para o combate às desigualdades no desempenho escolar e para a redução do insucesso escolar no Ensino Básico.

Aliás, só é controverso para quem anda distraído, que o investimento na qualidade da Educação é muito mais eficaz nos primeiros anos da escolarização, reduzindo-se o seu impacto à medida que nos aproximamos do final do Básico.

Mas a Juventude Popular não vai por esse caminho e limita-se a querer reduzir a permanência dos alunos (em particular dos indesejáveis) nas escolas, cedendo a algumas pulsões populistas em vez de procurar outro caminho para resolver os problemas, preferindo a ladaínha da liberdade de escolha para alguns do que a Educação para todos, que considera um encargo demasiado pesado para o Estado.

A respeito desta posição da JP, ouso publicar um pequeno texto do actual presidente do CNE e autor de uma proposta de Lei de Bases que já defendia em 2004 o aumento da escolaridade num governo do PSD/CDS, que se encontra no seu mural do FBook sem reserva de privacidade:

ESCOLARIDADE OBRIGATÓRIA – Os subscritores de uma moção ao congresso do CDS-PP, entre os quais cinco governantes, defendem a redução da escolaridade obrigatória, regressando à formulação anterior (9º ano). Defendem também que a “liberdade de aprender” é um direito fundamental de cada pessoa. Permitam-me discordar! O que defendem não é a liberdade de aprender é a LIBERDADE DE NÃO APRENDER, ou seja, uma espécie de DIREITO À IGNORÂNCIA. O que me surpreende é a presença, entre os subscritores, de um Secretário de Estado do Ministério da Educação. Custa-me a acreditar, especialmente porque me recordo do voto militante do CDS-PP à LEI DE BASES DA EDUCAÇÃO (2004) que instituía os 12 anos de escolaridade obrigatória. Digam-me que não é verdade, que não é bem assim, que um qualquer erro na mensagem!

No mesmo mural, existe um conjunto de comentários de alguém cujo nome não divulgo (embora o post seja público, quem lá comenta pode não querer ser identificad@ fora daquele espaço), que vou combinar em seguida, no sentido de revelar o tal pensamento que algumas pessoas até podem apoiar quando formulado de forma mais suave, mas talvez arrepie quem for além disso, porque está paredes-meias (ou paredes dentro) com uma forma de pensamento com que me é completamente possível identificar.

Não se trata do direito à ignorância. Vão lá pôr os jovens da Apelação e os ciganos (por exemplo) a estudar até ao 12º ano. O que dizem disso ?
Deve dar a escolaridade, tentar por vários meios, investir nos cursos profissionais. Agora obrigar ?
As ciganitas até casam mais cedo para não irem à escola.

(…)

Devemos investir em quem nada pode trazer de positivo para a sociedade. São as pessoas com poucas capacidades intelectuais, ou aquelas que vivem em guetos ou bairros sociais, que começam mais cedo a procriar. Chegam aos 25 anos já com 3 ou 4 filhos, não têm emprego, vivem de subsídios, não tem formação profissional. E os Estado a gastar com elas. É positivo ? Não !

No mês de outubro de 2013 chegou informação às escolas acerca do concurso ao Plano Casa destinado preferencialmente a professores em situação de “horário zero” como constava no email enviado às escolas:   “(…) docente de carreira (QA/QE/QZP), preferencialmente sem componente letiva atribuída, independentemente do Grupo de Recrutamento a que pertença; As manifestações de interesse devem ser efetuadas com recurso a uma aplicação eletrónica a disponibilizar para o efeito no portal da DGAE, em ambiente SIGRHE, nos dias 23 e 24 de outubro de 2013, com indicação até 5 (cinco) Lares de Infância e Juventude (LIS) por ordem de preferência. A validação por parte das escolas decorre nos dias 24 e 25 de outubro de 2013.”

Como no email se afirmava “os candidatos selecionados, serão retirados da Reserva de Recrutamento (…)” muitos docentes acreditaram que esta seria uma oportunidade de sair da situação de “horário zero” em que nos encontrávamos, pelo que, resolvemos concorrer.

A aplicação no SIGRHE apenas ficou disponível na parte da tarde do dia 23 de outubro ou seja, na realidade os professores apenas tiveram um dia e uma tarde para concorrerem online. No próprio dia 23 de outubro foi disponibilizado o “Manual de Instruções para os Candidatos Docentes de carreira – QA/QE e QZP” ao Plano Casa.

Durante o mês de novembro nada mais se soube acerca do Plano Casa.

No dia 6 de dezembro de 2013 o Sr. Diretor do NIJ do ISS, IP – CDist Guarda, Jorge Pedro Jesus, enviou o seguinte email a convocar os professores para uma entrevista de seleção a realizar no dia 11 de dezembro de 2013 às 9 horas:

“Exmos. Senhores,

No âmbito do Plano CASA – Apoio pedagógico em respostas de acolhimento institucional foi iniciado o processo de colocação de docentes nos Lares de Infância e Juventude (LIJ) para apoio pedagógico às crianças e jovens acolhidos que está em curso.

Nesse sentido, foram definidos os procedimentos a aplicar, em estreita articulação com a Direção Geral de Administração Escolar (DGAE), no que se refere às ações a desenvolver pelos Centros Distritais de Segurança Social (CDist) para a seleção, formação e avaliação dos docentes que manifestaram interesse para o exercício destas funções.

Estes procedimentos dividem-se essencialmente em duas partes, uma baseada no processo de seleção e colocação dos docentes e outra baseada nas componentes formativas dos docentes selecionados.

Assim, o

  1. Processo de seleção e colocação dos docentes passa pela realização de entrevistas aos docentes, a realizar conjuntamente com elementos do LIJ e do respetivo Centro Distrital com competência territorial;

(…)

Assim, tratando-se de um assunto do V/ interesse, vimos por este meio convocar V. Exª para comparecer nas instalações deste Centro Distrital, sitas na Avenida Coronel Orlindo de Carvalho, 6300-680 Guarda, no próximo dia 11 de dezembro de 2013, às 9 (horas), para entrevista de seleção.

Com os melhores cumprimentos,

Jorge Pedro Jesus

ISS, IP – CDist Guarda Diretor UDSP ”

No dia 10 dezembro de 2013, na véspera da referida entrevista, os mesmos docentes tinham recebido um email a informar que, afinal as vagas das duas instituições da cidade da Guarda (LIJ – Aldeia SOS e a Casa da Sagrada Família) já tinham sido preenchidas “através de um processo” que lhes era “alheio”, não havendo qualquer explicação para este facto como se pode verificar no email enviado aos candidatos:

“Bom dia,

Em aditamento à informação sobre o assunto em epígrafe, comunica-se que, após receção de informação remetida pela Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE) que contém as Mobilidades Estatutárias já concedidas por aquele Organismo para LIJ, os CDist não deverão realizar entrevistas para colocação de docentes nessas instituições no âmbito do Plano CASA, uma vez que as vagas já foram preenchidas através de um processo que nos foi alheio. Assim os LIJ Aldeia SOS da Guarda e a Casa da Sagrada Familia da Guarda não poderão usufruir do Plano CASA, ficando sem efeito a entrevista de seleção para os candidatos a estes LIJ’s, no dia 12-12-2013.

Cumprimentos,

António Raposo (Unidade de Desenvolvimento Social e Programas- Núcleo de Infância e Juventude – Instituto da Segurança Social, I.P. – Centro Distrital da Guarda)”

As referidas entrevistas no dia 11 de dezembro começaram após um atraso de 40 minutos. Perante todas as peripécias, a minha entrevista teve início com as várias perguntas que eu coloquei ao senhor diretor mas, para as quais não obtive qualquer resposta, além da inaceitável “já sabe como funciona o nosso país…” que é como quem diz: deves conformar-te e sujeitar-te a esta espécie de condição(condicionante) de ser portuguesa

Relembro:

  • o tempo perdido e a energia despendida num concurso que parecia ser uma oportunidade e que ironicamente veio a traduzir-se numa palhaçada;
  • o tempo decorrido entre o concurso (a 23 e 24 de outubro de 2013) a convocatória (6 de dezembro de 2013) e a entrevista realizada a 11 de dezembro de 2013;
  • a data do envio da informação acerca das vagas/não-vagas (10 de dezembro) justamente na véspera da referida entrevista;
  • as 5 vagas em Lares e Instituições de Juventude, que afinal, deixaram de o ser, pois as 2 únicas da cidade da Guarda, já estavam e sempre estiveram ocupadas, o que muito provavelmente aconteceu noutras cidades;
  • os professores candidatos ao Plano Casa que se encontravam naquela sala de espera, atualmente em “horário-zero”, têm aproximadamente 20 anos ao serviço do Ministério da Educação;
  • a distância percorrida nessa, em todas as outras manhãs, para se deslocarem para o seu local de trabalho, onde cumprem um horário-zero nas mais diversas, úteis e indispensáveis atividades com alunos: apoios, coadjuvações, substituições, Atividades de Enriquecimento Curricular no 1º ciclo, entre outras.

Esta pareceu tratar-se afinal de mais uma brincadeira de muito mau gosto, a acrescentar a tantas outras, que lesam os professores e muitos milhares de portugueses.

Aqui ficam duas perguntas e um desafio:

1- Como se explica que, nos Lares e Instituições de Juventude cujas vagas foram publicadas aquando do concurso ao Plano Casa, os respetivos diretores não tivessem conhecimento da existência deste concurso?

2- Afinal qual foi o objetivo de tudo isto?

Desafio outros professores a partilhar o que conhecem/desconhecem a respeito deste assunto.

Termino com o desejo de um Bom Ano para todos,

Professora candidata ao Plano Casa.

Guarda, 10 de janeiro de 2014

… e são de interesse público.

(e nem imaginam quantas coisas bem mais básicas me vieram à cabeça sobre terapia, sofás, narcações de consulta e coisas assim)

Exp11Jan14c

Expresso-Revista, 11 de Janeiro de 2014

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