Segunda-feira, 23 de Dezembro, 2013


The Raveonettes, The Christmas Song

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Da credibilização… da dignificação….

“Portugal tem de aproveitar a nova diáspora”

O Presidente da República apelou hoje aos emigrantes portugueses “em funções de destaque” para ajudarem o país sua “credibilidade” e “imagem”, com objetivo de contribuírem para um maior investimento estrangeiro e consequente crescimento económico.

E como as secções de BD e internacional cada vez estão piores, vou acabar por ficar-me em casa na Amazon e Betterworld…

O que é que deixaram de vender?
Fomos muito mais selectivos. Nas áreas tradicionais, estes mercados reduziram-se em cerca de 20%. Isso inclui toda a parte editorial, a música, os filmes, e mesmo os livros – embora tenham resistido mais –, e mesmo a área de entretenimento, dos jogos. Decidimos optimizar algumas áreas, onde tínhamos uma grande alocação de espaço, para poder aproveitar o enorme tráfego que temos – 27 milhões visitantes por ano –, e onde não sentimos queda. Queremos aproveitar este activo, um dos mais preciosos da FNAC , para propor outro tipo de produto. Em vez de o cliente ir comprar fora, passar a comprar dentro das nossas lojas. E introduzimos novas categorias, como instrumentos musicais, sem querer ir para o segmento profissional, proporcionando o seu livre acesso.

Mas, quando apostam em produtos ligados à cozinha, não estão a fugir à filosofia-base do grupo FNAC?
Não. Porque não é qualquer tipo de utensílio de cozinha. Onde é que nos queremos diferenciar? No equipamento, e tal como nos equipamentos que vendemos para desporto, ou fotografia, no caso da cozinha, do lar, queremos diferenciar-nos através do que sabemos, ou seja, através da tecnologia e do design. Dentro desse universo que mencionou, o nosso posicionamento não é o mercado de massas, não é ter o que todos têm, mas antes peças diferentes, algo que o cliente da FNAC gosta de encontrar. Acho que encontrámos um nicho de mercado.

… pois este valor não inclui o subsídio de refeição.

Estado gasta mais de mil milhões de euros em suplementos salariais por ano

E é interessante ver como, em termos relativos, o peso destes suplementos é muito maior nas “empresas” (e como seria interessante ver como aumentam com certos cargos que são de nomeação e não de carreira) do que na função pública, propriamente dita.

Reflexões natalícias…

O Natal é uma boa ocasião para, aproveitando a relativa calma da quadra festiva, e à luz dos valores de solidariedade e generosidade que a festa cristã evoca, olhar a forma como a sociedade em que vivemos, e em particular a elite política, económica e financeira que hoje domina o país, em estreita ligação e quase completa subserviência aos ditames dos “mercados” e das organizações internacionais, pratica esses valores.

No caso português, foi o fim da ditadura em Abril de 1974 que criou as condições para a progressiva melhoria das condições económicas e sociais de grande maioria da população: aumentaram-se os salários e melhoraram as condições de trabalho, universalizou-se a protecção social e foi criado o Serviço Nacional de Saúde. Alargou-se a escolaridade obrigatória e democratizou-se o acesso ao ensino, incluindo o universitário.

Contudo, a estabilização democrática do regime em torno de uma partidocracia muito permeável ao clientelismo e à corrupção cedo favoreceu a gradual recomposição dos grupos económicos anteriormente existentes, somando-se aos que se foram entretanto constituindo, todos eles alimentados pela política de privatizações a preço de saldo e, a partir de certa altura, pelas ruinosas parcerias público-privadas. A abertura da economia ao capital estrangeiro e a liberalização do mercado de capitais trouxeram investimento externo, mas também facilitaram a migração dos lucros para outros países e outras economias em relação aos quais a nossa dependência aumentou. Ao mesmo tempo que os subsídios europeus a fundo perdido ajudavam a desmantelar parte do sector produtivo, o crédito fácil e barato incentivou a importação e o consumo em vez da produção e do investimento, alimentando muita despesa inútil e improdutiva, quando não geradora de corrupção e favorecimentos pessoais.

Estas opções políticas, nada generosas nem solidárias, resultaram, e é aqui que pretendo chegar, num agravamento das desigualdades sociais, onde os mais ricos enriquecem ainda mais e a sua riqueza tem cada vez mais uma origem financeira e especulativa, enquanto o desemprego, a precariedade e a exploração do trabalho empobrecem os mais desfavorecidos e colocam na dependência directa dos subsídios estatais e dos depauperados cofres públicos tantos portugueses que deveriam poder viver do seu trabalho, se outras fossem as políticas.

Corolário de tudo isto tem sido a progressiva afirmação de uma ideologia neoliberal que exalta a liberdade individual como valor absoluto, ainda que essa liberdade seja usada para oprimir e explorar o próximo, e concebe a vida económica e social como uma competição entre indivíduos, na qual cada um zela unicamente pelos seus interesses e da qual se supõe que nasçam, de geração espontânea ou com a ajuda da “mão invisível” dos sagrados e omnipresentes mercados, a prosperidade colectiva e a paz e harmonia universais.

Não vale a pena insistir muito no carácter utópico do liberalismo, que a História aí está para demonstrar, mas interessa acentuar a forma como os ditos liberais lidam com o recrudescer das desigualdades e da pobreza extrema: nada de aumentar a despesa pública com os pobres e desvalidos, de gastar “o dinheiro do contribuinte” com os que “não querem trabalhar”. Considerado pelos liberais um mau gestor, mesmo quando até gere bem, o Estado também não é capaz, segundo eles, de ajudar apenas os necessitados, acabando a subsidiar os “preguiçosos”. Por isso, a melhor solução, para esta gente, são os “bancos alimentares” e outras instituições similares, dirigidas por bons burgueses altruístas que organizam a dádiva “a quem precisa”, ao mesmo tempo que dão também dinheiro a ganhar a toda a rede de distribuição que comercializa as doações dos cidadãos e ao próprio Estado que não prescinde de cobrar os seus impostos. É a caridade tornada uma virtude, como nos tempos da miséria, em vez de ser encarada como aquilo que efectivamente é, uma vergonha num mundo que produz riqueza mais do que suficiente para que todos possam ter direito ao seu sustento e a uma vida digna sem terem de os mendigar.

Os meus votos natalícios vão no sentido de que saibamos encontrar rapidamente uma alternativa a esta falta de alternativa continuamente anunciada e que nos condena a um futuro sem esperança, sob a sina do empobrecimento e do endividamento. Do fatalismo resignado e da subserviência aos senhores, sejam eles os que sempre foram ou os novos cleptocratas promovidos a investidores e empresários, mesmo que oriundos de antros de corrupção, miséria e violência entretanto elevados à categoria de países emergentes. Do egoísmo e da ganância arvorados em critérios supremos de afirmação e realização pessoal e que claramente contradizem os valores cristãos que tanto liberal “conservador nos costumes” gosta de defender nas alturas tidas por convenientes.

Um Bom Natal e um Novo Ano em que todos os homens e mulheres de boa vontade consigam começar a construir um futuro, não apenas de paz e de esperança, como é sempre de bom tom desejar, mas também de progresso social e de justiça…

António Duarte

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