Martim Avillez Figueiredo produz no Expresso de hoje um texto que vai para lá do mero roçar no abjecto argumentativo.

Poderia demorar-me muito a responder ou despachar a coisa em duas ou três penadas.

Está um dia bonito, optei pela segunda hipótese.

É assim, homem (lamento, não me apetece ser educado a quem me chama, mesmo que indirectamente, cão e coisas piores):

  • Primeiros: ao contrário do que MAF parece considerar natural, os professores não devem ser avaliados como os alunos, pois não são alunos e é tempo de se afirmar com clareza que esse igualitarismo teórico só serve para estragar isto tudo.equiparar a avaliação dos professores, até nas condições materiais de o fazer, à dos alunos é um erro dos enormes, daqueles que o actual MEC nunca aceitaria cometer enquanto analista e muito menos enquanto professor universitário. Gostaria eu muito de ver MAF defender a avaliação dos candidatos a professores universitários num auditório, à molhada, a fazer uma prova escrita e não a defender provas em ambiente restrito, júri personalizado e tempo para contraditório.
  • Segundos: em Portugal só cinco profissões têm provas de acesso após a formação universitária e nenhuma delas é deste tipo, no limbo, a ser feita por quem já exerceu a profissão e foi avaliado no seu desempenho. Já agora, e a talhe demagógico de foice, será que MAF ainda se lembra da última vez que foi avaliado? Sim, deixou de ser director do I e na altura em resultado dos fracos resultados do periódico sob a sua orientação e de estar contra os cortes que a administração lhe queria impôr… (pois é… os cortes só são bons no bolso dos outros…).
  • Terceiros: MAF deveria fazer uma PACC para ser director de jornal e articulista semanal num semanário de referência, com especial enfoque (olhem lá o neologismo) em Português para evitar disparates como aquele que sublinhei na sua crónica e que não sei quanto tempo demorou a ser escrita e quanto custou ao seu empregador. Eu engano-me muitas vezes, mas o blogue é meu e para a imprensa nunca fui pago, mesmo se isso não é justificação para nos enganarmos. Mas… produzir uma prosa por semana e afirmar que Nuno Crato que “os melhores professores para ajudar a gerar as melhores crianças” é uma calinada de proporções homéricas, a menos que MAF esteja a confundir professores com animais de cobrição. Ou então está a pensar num qualquer modelo de Estado totalitário em que um escol de professores rigorosamente seleccionados tem como missão ir gerar ciranças em ventres alheios.

Ó Martim, querido, Avillez com elles…, os professores não geram crianças, excepção feita aos próprios filhos. Mesmo se decidiste chamar animais (cães, no caso de uma matilha) a muitos deles, a sua função não é a de andar por aí a procriar pelas escolas e penso mesmo que é proibido esse tipo de actividade em recintos escolares. Pelo menos nos da rede pública onde lecciono.

Vê lá bem se te concentras no cerne da questão.

Porque se fosse para gerar as melhores crianças era ainda mais essencial uma prova prática e uns seis meses de espera para ver o fruto do desempenho.

Estendeste?

Depois de ler uma baboseira destas que credibilidade pode um tipo dar ao que escreves?

Desculpa lá o tratamento por tu mas, apesar de não ser da Fenprof nem de perto nem de longe, não gosto que me chamem cão, pois prefiro felinos, pelo que tratamento mais respeitoso e distante está fora de causa. Nem o texto que acabei de escrever me dei ao trabalho de rever. Só se me pagassem para isso. Todas as semanas.

Exp21Dez13d

Expresso, 21 de Dezembro de 2013