Sábado, 21 de Dezembro, 2013


Bruce Springsteen, Land of Hope and Dreams

A ARROGÂNCIA DA IGNORÂNCIA. O Avillez e a “Matilha das escolas”

Estou farto de ver palermas que cresceram com o caminho feito pela família, cartão, filiação ou tertúlia, a tecer montes de comentários sobre o trabalho alheio, em especial na área da Educação.

Nunca me passou pela cabeça dar opiniões sobre questões de procedimento judicial, sobre a melhor maneira de gerir um Centro de Saúde ou mesmo de dirigir a redacção de um jornal.

No entanto, não há caramello ou iñbecil com via aberta e paga nos jornais alimentados pela publicidade dos grupos do costume que não se considere habilitado a considerar que tem competência para falar com total desplante sobre o trabalho dos professores nas escolas e nas suas aulas.

Parece que todos foram alunos.

Lá por isso, também eu já estive doente e compro jornais para mais de 30 anos.

Não é por isso que acho que sei tudo o que há a saber sobre Saúde e Jornalismo, assim com maiúscula.

A liberdade de expressão e tal.

É verdade.

É o único argumento que pode explicar tanta asneira em forma de letra impressa ou de comentário televisionado (nem sequer valendo a pena falar de blogues de propaganda política e estágio para assessores).

É verdade, tive Práticas Administrativas no 7º ano, numa escola pública, em cujas aulas aprendi dactilografia. Desde então até agora pratiquei muito e escrevo com atroz velocidade, coisa que qualquer pessoa que me conhece pessoalmente e ao vivo sabe.

Também é verdade que tenho mais um neurónio do que a maioria dos que se espantam com o facto de escrever tantos posts como equipas de 20 ou mais colaboradores nos blogues “de referência”.

Não é pretensão ou vaidade, é constatação de factos objectivos.

Alguém tem problemas com isso, ó órfãos do relvas e antecessores?

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Martim Avillez Figueiredo produz no Expresso de hoje um texto que vai para lá do mero roçar no abjecto argumentativo.

Poderia demorar-me muito a responder ou despachar a coisa em duas ou três penadas.

Está um dia bonito, optei pela segunda hipótese.

É assim, homem (lamento, não me apetece ser educado a quem me chama, mesmo que indirectamente, cão e coisas piores):

  • Primeiros: ao contrário do que MAF parece considerar natural, os professores não devem ser avaliados como os alunos, pois não são alunos e é tempo de se afirmar com clareza que esse igualitarismo teórico só serve para estragar isto tudo.equiparar a avaliação dos professores, até nas condições materiais de o fazer, à dos alunos é um erro dos enormes, daqueles que o actual MEC nunca aceitaria cometer enquanto analista e muito menos enquanto professor universitário. Gostaria eu muito de ver MAF defender a avaliação dos candidatos a professores universitários num auditório, à molhada, a fazer uma prova escrita e não a defender provas em ambiente restrito, júri personalizado e tempo para contraditório.
  • Segundos: em Portugal só cinco profissões têm provas de acesso após a formação universitária e nenhuma delas é deste tipo, no limbo, a ser feita por quem já exerceu a profissão e foi avaliado no seu desempenho. Já agora, e a talhe demagógico de foice, será que MAF ainda se lembra da última vez que foi avaliado? Sim, deixou de ser director do I e na altura em resultado dos fracos resultados do periódico sob a sua orientação e de estar contra os cortes que a administração lhe queria impôr… (pois é… os cortes só são bons no bolso dos outros…).
  • Terceiros: MAF deveria fazer uma PACC para ser director de jornal e articulista semanal num semanário de referência, com especial enfoque (olhem lá o neologismo) em Português para evitar disparates como aquele que sublinhei na sua crónica e que não sei quanto tempo demorou a ser escrita e quanto custou ao seu empregador. Eu engano-me muitas vezes, mas o blogue é meu e para a imprensa nunca fui pago, mesmo se isso não é justificação para nos enganarmos. Mas… produzir uma prosa por semana e afirmar que Nuno Crato que “os melhores professores para ajudar a gerar as melhores crianças” é uma calinada de proporções homéricas, a menos que MAF esteja a confundir professores com animais de cobrição. Ou então está a pensar num qualquer modelo de Estado totalitário em que um escol de professores rigorosamente seleccionados tem como missão ir gerar ciranças em ventres alheios.

Ó Martim, querido, Avillez com elles…, os professores não geram crianças, excepção feita aos próprios filhos. Mesmo se decidiste chamar animais (cães, no caso de uma matilha) a muitos deles, a sua função não é a de andar por aí a procriar pelas escolas e penso mesmo que é proibido esse tipo de actividade em recintos escolares. Pelo menos nos da rede pública onde lecciono.

Vê lá bem se te concentras no cerne da questão.

Porque se fosse para gerar as melhores crianças era ainda mais essencial uma prova prática e uns seis meses de espera para ver o fruto do desempenho.

Estendeste?

Depois de ler uma baboseira destas que credibilidade pode um tipo dar ao que escreves?

Desculpa lá o tratamento por tu mas, apesar de não ser da Fenprof nem de perto nem de longe, não gosto que me chamem cão, pois prefiro felinos, pelo que tratamento mais respeitoso e distante está fora de causa. Nem o texto que acabei de escrever me dei ao trabalho de rever. Só se me pagassem para isso. Todas as semanas.

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Expresso, 21 de Dezembro de 2013

… da degradação da imagem profissional dos professores que, anos após anos, anunciam o cataclismo que nenhum estudo de opinião confirma.

Uma coisa são as opiniões particulares de algum jornalismo engravatado, precoceituoso e achista, outra coisa a realidade que se conhece a partir de factos e do contacto directo com as pessoas reais, fora das tertúlias de fim de dia.

A verdade é que a imagem dos professores continua – ao contrário do que possam dizer os habituais profetas – mais ligada à de profissionais competentes e merecedores de confiança do que a de muita outra gente (cf. aqui, aqui e aqui, com dados para estudos de 2008 a 2013).

No Económico, Bruno Proença é apenas mais um que acha aquilo que vários acham, esquecendo-se que eles não grande coisa e certamente só representam uma fatia muito estreita de papás que querem professores domesticados e pela trela, em vez de profissionais autónomos, capazes de resistir ao arbítrio e de dar um exemplo de luta permanente contra os desmandos governamentais.

A prosa de Bruno Proença é, neste particular, das mais pavlovianas e menos imaginativas, nem merecendo maior reparo do que dizer que, ao contrário dele, não acho que a classe digna dos jornalistas fique irremediavelmente manchada pela sua ignorância (compara o incomparável, pois um professor profissionalizado na docência é muito diferente de um licenciado em Direito, sem uma especialização profissional) e pelos seus preconceitos (ele acha que todos os professores são contra qualquer avaliação, esquecendo-se que ao longo da sua carreira académica e profissional os professores são muito mais avaliados do que opinadores de bancada formados não sei bem onde).

Nos últimos tempos passei a achar que é perda de tempo adjectivar estes profissionais da treta ou tentar demonstrar-lhes as suas limitações conceptuais.

Que vivam felizes no seu labirinto mental, de onde não conseguem sair, tão confortáveis que estão na sua pesporrência.

Por cá é tudo off the record e nem passam recibos verdes:

Um vereador italiano fez constar no contrato de trabalho da sua secretária a obrigação de terem relações sexuais “pelo menos quatro vezes por mês”. É o mais recente escândalo sexual em Itália.

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