Segunda-feira, 9 de Dezembro, 2013


A publicidade às sebentas não vai recuperar tão cedo.

Paz à sua alma que já andava muito maltratada. Nem fica como memória virtual, o que não deixa de ser estranho.

GLOBAL MANAGERIAL EDUCATION REFORMS AND TEACHERS EMERGING POLICIES, CONTROVERSIES AND ISSUES IN DEVELOPING CONTEXTS

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The first paradox consists of the fact that GMERs [Global Managerial Education Reforms] continuously stress the importance of teachers and emphasise the key role they play in education quality, but simultaneously disempower them in several ways. Specifically, they do so in three ways: a) by not sufficiently taking into account their preferences in policy processes, b) by treating teachers as assets to be managed rather than as agents of change, and c) by undermining their autonomy in front of the state and students’ families.

(…)

The second paradox relates to the fact that managerial reforms request more responsibilities from teachers but, at the same time, advocate their de-professionalisation. Teachers are supposed to do more things than before and in a different way, even when their preparation and work conditions might be poorer. On occasion, global education reformers directly vindicate the deregulation of teachers’ training and certification.

(…)

The third paradox is related to how GMERs advocates use evidence in a very ‘selective’ way. On the one hand, they promote managerial reforms even when they are aware of the fact that evidence of the positive impact of such reforms in learning outcomes is still inconclusive (Bruns et al., 2011; Experton, 1999; Patrinos et al., 2009; Vegas, 2005). On the other hand, however, they seem to ignore that the level of learning outcomes is higher in countries where their policy prescriptions are very marginal (or, in fact, have not been even implemented yet).

Shanghai and Hong Kong: Two Distinct Examples of Education Reform in China

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One of the most essential influences of China’s cultural heritage is the intensity of students’ engagement in learning. Typically in a Shanghai classroom, students are fully occupied and fully engaged. Non-attentive students are not tolerated. In one mathematics lesson observed for this research, a lesson which was by no means unique, students at Junior Secondary II were learning about parabolas. Students covered 15 problems at their desks, plus selected students gave blackboard demonstrations. This is rather different from classrooms in other cultures, where students may not be required to be fully engaged or attentive throughout the entire lesson. Such intense concentration is considered a student’s responsibility in Chinese culture.

Student engagement in learning is not limited to lessons. Homework is an essential part of their learning activities and in a way governs their lives at home after school. Parents expect students to do homework every evening and are prepared to devote their family lives to student study, again as part of ancient tradition. Homework is such a burden to students that many local authorities in China have stipulated a maximum amount of homework (measured in hours) that schools are allowed to assign. Shanghai was among the first areas to impose such limits as a municipal policy.

The intensity of students’ engagement goes well beyond the schools. A rather comprehensive “remedial system” of tutorial schools caters to the demands of exam preparation. In the absence of formal statistics, it is estimated that over 80% of parents send their children to tutorial school. Such schools are mostly for-profit, operate after school hours or at weekends, and tend to use small groups to focus on particular subjects. Parents see such tutorial schools as essential for enabling students to pass the public examinations with flying colours. Teachers are not totally against such schools either, because they also think that passing examinations is the prime aim of student study. Even parents who are against examination cramming often send their children to tutorial schools, almost as a matter of insurance. Those who go to such classes are not all weak students: even very strong students like to reinforce their strengths to achieve higher scores in the examinations.

… sou obrigado a admitir que ele anda a pensar bem.

Tea Party à portuguesa

 

… o facto de um tipo ter um currículo público e alguma capacidade para não ficar caladinho entre as paredes da escola.

Claro que eu aproveito logo as oportunidades da melhor maneira que posso, até porque este comentário a expelir ódio não tem a origem que se possa pensar a uma primeira leitura. O problema da malta que escreve com raiva de tipo pessoal é que não consegue fugir às impressões digitais.

Mas, como acima disse, nada como aproveitar o pretexto para a vã glória que até já tinha resumidamente explicado aqui, não sendo coisa nova.

Então é assim…

Parece incomodar a algumas pessoas que eu, formado em História e sendo professor, tenha feito um doutoramento em História da Educação na Universidade (Clássica) de Lisboa, com tese publicamente defendida durante mais de três horas na respectiva Reitoria. Confesso que não é a melhor tese do mundo, mas admito que não me envergonha, apesar de muita gralha ter lá ficado, pois acabei-a já a dar aulas, depois de ter estado 3 anos como equiparado a bolseiro (o doutoramento dava direito a 5 anos, mas eu só concorri a 3).

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O diploma é legítimo e a data é correcta. Não é um doutoramento ou pós-doc feito em seis meses numa universidade de acolhimento com bolsa para passear e conhecer a estranja, é dos nacionais e daqueles feitos a sério, sem e-learnings e associações a universidade de vão de escada lá fora ou cá dentro.

Parece ainda incomodar alguma gente que uma dúzia de anos antes tinha feito o meu mestrado old style (4 aninhos) na minha alma mater original (FCSH-UNL), enquanto dava aulas como contratado, parecendo-me que a coisa nem correu mal, pois a publicação resultou de ter ganho um prémio de investigação na minha área de especialidade, com o devido patrocínio de uma ONG feminista, pelo que não deve ter sido dada sem algum fundamento.

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O que não parece incomodar a malta – em especial aquela que não está no activo ou que, quando esteve, planava sobre as águas turbulentas – é o trabalho diário de professor, feito com orgulho, do Ensino Básico, com 6 turmas atribuídas (2 de Português e 4 de História), trabalho esse muito mais difícil de cumprir do que outros com mais honrarias associadas para os pobres de espírito.

Há caramelos que, ou porque se encostaram apenas ao Secundário nos anos gordos ou porque conseguiram que o apelido ou cartão os metesse numa qualquer departamento, gostariam que eu me ofendesse com certas coisas… mas isso é desconhecer-me por completo.

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Uma coisa tem sido sempre certa… todos os que me conhecem sempre souberam onde me encontrar no dia 1 de Setembro (acho que este ano foi a 2), sem ser preciso recear que eu queira o lugar de qualquer outra pessoa minha conhecida, pois estou muito bem onde estou.

Se consigo fazer mais coisas nos meus tempos extra?

Sim, é verdade… este ano, para além de vários artigos de extensão variável sobre Educação, entreguei para publicação uma biografia parlamentar do Afonso Costa (em edição da Assembleia da República, entidade que avaliou da minha competência científica para a missão e recebeu mais 20% de trabalho do que o encomendado) e um ensaio sobre Liberdade e Educação (edição da FFMS para o início de 2014), cujo conteúdo foi plenamente confirmado pelos PISA 2012.

Fui pago por ambos os trabalhos, passei recibo e ando a fazer pagamentos por conta ao fisco, pois tudo o que recebo é devidamente declarado.

Se isso causa problemas a alguém?

Vão-se catar!

… teve ontem um novo episódio, com o habitual desvio narcísico do engenheiro Sócrates. Em sua opinião, a melhoria dos resultados dos alunos portugueses em 2009 deve-se a ele e às suas políticas.

Ou seja, as políticas dão resultados em coisa de meses ou pouco mais de um ano, sendo que – ao que parece – os alunos de 15 anos beneficiam directamente de medidas que começaram a envolver os de 6-7 anos um par de anos antes?

Não estou a retirar mérito a projectos como o PAM e o PNL embora muito se tenha exagerado em relação a alguns dos seus efeitos. Mas é verdadeiramente caricato analisar as principais medidas desses anos em matéria de Educação e pretender que elas tiveram efeitos nos PISA 2009.

Vejamos: a escola a tempo inteiro com as AEC, o epifenómeno Magalhães e a introdução do Inglês no 1º ciclo, quase tudo medidas de 2006-07,melhoraram os resultados de Matemática e Ciências dos alunos prestes a concluir o 3º ciclo em inícios de 2009? Ou mesmo as de Leitura?

Será que as aulas de substituição, que funcionaram de forma medíocre, são a razão para tão enormes melhorias, num contexto de profunda agitação que então dominava as escolas e fazia prever o pior?

O resto foram medidas para domesticação profissional e salarial dos professores, sem especial impacto – muito menos positivo – nas aprendizagens dos alunos. No que é que, por exemplo, a criação dos professores titulares ou do próprio imbróglio da ADD sucessivamente simplificada afectou positivamente o trabalho pedagógico? Zero ou ainda menos.

Lembro-me que no início de 2009 alguém me perguntou, para um jornal, se toda aquela contestação, as manifestações, as reuniões e tomadas de professores em guerra aberta com Maria de Lurdes Rodrigues não seria prejudicial para os alunos…

É possível que tenha um ou mais posts desses tempos sobre o assunto , mas sei que respondi, no essencial, duas coisas: 1) os professores estavam a tentar conter que a perturbação transbordasse para as salas de aula e que, enquanto profissionais, deviam continuar a trabalhar normalmente com os seus alunos; 2) que as políticas educativas não produzem efeitos imediatos e que é necessário esperar um ciclo de tempo adequado para ver os seus (bons ou maus) efeitos.

E mantenho.

Os resultados dos alunos portugueses nos PISA 2009 não nasceram de geração quase espontânea, após um ano ou dois de AEC ou porque uma minoria de professores do 1º ciclo fez formação em Matemática.

Os resultados dos alunos nos PISA 2009 resultaram de uma melhoria progressiva de desempenho do sistema educativo português desde os anos 90. Se quisesse ser quase tão demagógico quanto o engenheiro, diria que se deveram ao trabalho daqueles que foram a invariável na equação… os professores que viram passar por eles muitos alunos e quase tantos políticos ocasionais.

Mas como não partilho uma concepção tão solipsista e unívoca da realidade devo dar mérito a tudo o que contribuiu, enquanto conjunto nem sempre articulado de medidas e esforços.

Não foram as ACND do tempo de Guterres, nem sequer foi a tão desvirtuada reforma de Roberto Carneiro. Mas foi um pouco de tudo, o próprio desenvolvimento da profissionalidade docente – com a progressiva diminuição dos biscateiros dos tempos em que até muitos opinadores jornalísticos actuais deram aulas nos intervalos de outras ocupações – e a percepção pela sociedade, pelas famílias e por muitos alunos de que a Educação poderia ser um verdadeiro factor de mobilidade social.

Algo que está completamente em causa agora e só nisso o engenheiro Sócrates terá razão. Bem como a sua estimada ministra MLR, que agora já clama aos quatro ventos que a sua obra é que era…

O que elez não dizem é que os resultados dos PISA 2012, em que os progressos estabilizam e perdem ímpeto, correspondem ao desempenho dos alunos que já fizeram a maior parte do seu trajecto no ensino básico com as políticas de Maria de Lurdes Rodrigues e Sócrates. Os alunos que fizeram os PISA em inícios de 2012, com 15 anos, entraram na escola em 2003… em média começaram o 2º ciclo em 2007 e o 3º ciclo em 2010… e esses sim levaram com as políticas do engenheiro plenamente em cima.

Resumindo: a porcaria que este Governo e este MEC estão a fazer não significa que antes tudo estivesse bem. Pelo contrário, os que estavam aplainaram o terreno para que estes avançassem desta forma desembestada.

A auto-desresponsabilização deve ter os seus limites, ditadas por um decoro que, eu sei, está longe da maneira de ser de quem sente que ou ele ou o dilúvio.

… um tipo chegava ao carro com cinco graus negativos e reparava logo que a humidade matinal tinha congelado antes de colocar os limpa-vidros a funcionar.

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