… é o Henrique Monteiro do Expresso.

Sei lá… se ele diz para lhe chamarmos o que quisermos… devemos ser obedientes e esperar que ele não se amofine muito.

Esta semana, no caderno especial que envolve o Expresso como dedicatória a Nelson Mandela vários dos cronistas habituais do semanário evocam o líder sul-africano.

Melhor ou pior.

No caso de Henrique Monteiro, a evocação é de si mesmo e de tudo aquilo que ele já foi como repórter em território de guerra, ouvindo balas a passar e vendo gente a morrer. De Mandela pouco se lê, lê-se Monteiro a falar do passado de Monteiro. Em tons apologéticos.

O passado é uma coisa interessante que molda a nossa visão do mundo e nos retira por vezes a perspectiva do ponto em que estamos.

Como aquelas grandes damas de outrora e de agora, belíssimas antes de deixarem de o ser, mas insistindo em querer sê-lo, empoando-se, espartilhando-se ou retocando-se em busca desse passado perdido.

Como se o passado legitimasse o presente e se transformasse nele.

Salvaguardando as distâncias, é como se eu insistisse em que o meu Sporting – que nem àquela Liga Europa dos pobres foi – é uma grande equipa europeia só porque ganhou uma Taça das Taças há quase 50 anos.

Henrique Monteiro ainda não percebeu que está como a Marquesa de Merteuil.