Domingo, 8 de Dezembro, 2013


Paul Weller, My Ever Changing Moods

… produzem efeitos em seis meses. Já desconfiava disso quando reclamou para o PAM o crédito pela melhoria ocasional dos resultados nos exames de Matemática do Secundário em 2008.

As narrativas sobre Educação estão ao rubro, sendo cada uma tão ignorante e intelectualmente indigente como a inversa.

… do que a de Marcelo Rebelo de Sousa, esta noite.

Montero resolve com 2 golos e o leão isola-se na frente

Education in Finland: Pisa isn’t the full story

Despite Finnish education’s strong performance in Pisa, it isn’t all perfect – science and maths standards are declining and top-performing students aren’t being pushed enough.

… é o Henrique Monteiro do Expresso.

Sei lá… se ele diz para lhe chamarmos o que quisermos… devemos ser obedientes e esperar que ele não se amofine muito.

Esta semana, no caderno especial que envolve o Expresso como dedicatória a Nelson Mandela vários dos cronistas habituais do semanário evocam o líder sul-africano.

Melhor ou pior.

No caso de Henrique Monteiro, a evocação é de si mesmo e de tudo aquilo que ele já foi como repórter em território de guerra, ouvindo balas a passar e vendo gente a morrer. De Mandela pouco se lê, lê-se Monteiro a falar do passado de Monteiro. Em tons apologéticos.

O passado é uma coisa interessante que molda a nossa visão do mundo e nos retira por vezes a perspectiva do ponto em que estamos.

Como aquelas grandes damas de outrora e de agora, belíssimas antes de deixarem de o ser, mas insistindo em querer sê-lo, empoando-se, espartilhando-se ou retocando-se em busca desse passado perdido.

Como se o passado legitimasse o presente e se transformasse nele.

Salvaguardando as distâncias, é como se eu insistisse em que o meu Sporting – que nem àquela Liga Europa dos pobres foi – é uma grande equipa europeia só porque ganhou uma Taça das Taças há quase 50 anos.

Henrique Monteiro ainda não percebeu que está como a Marquesa de Merteuil.

Campanha contra a violência Conte até 10 nas Escolas será lançada nessa sexta

Trabalho será feito nas escolas dos municípios com maiores índices de mortalidade de jovens.

… que alguns opinadores e comentadores alinhados com o MEC e o Governo em matéria de Educação sejam profundamente xenófobos e mesmo racistas, por muito que o escondam.

Nem vou falar daquele tipo que anda a ganhar créditos no Blasfémias… basta ficar pelo tipo que se desdobra em nicks por aqui, não sei se tentando esconder que foi o cão de fila do Profblog durante muito tempo.

De acordo com ele – e não é só ele, porque há sinais disso em outras paragens blogosféricas – os maus resultados no PISA 2012 dos países que adoptaram políticas mais abertamente desreguladoras do serviço público de Educação (sejam os escandinavos como a Suécia e a Dinamarca, sejam os anglo-saxónicos como a Austrália e a Nova Zelândia, não esquecendo os EUA) resultam do peso da imigração muçulmana ou africana nesses países.

Mesmo quando os relatórios indicam que o nível de desempenho dos imigrantes é superior aos dos nativos (como na Austrália) fazem-se malabarismos teóricos para explicar que os imigrantes são responsáveis, ao mesmo tempo, pelos melhores resultados em termos de grupo e pelos piores, em termos globais.

Tudo bem… a idiotice é algo que vai de mãos dadas com alguns dos apoiantes de certas políticas do Governo, nascidas de compromissos pré-eleitorais.

Assim como a desonestidade de exaltar os resultados do PISA 2009 em que tais países ainda apareciam perto do topo e agora procurar explicações para os de 2012 com base num afluxo brutal de imigrantes em menos de 3 anos para esses países, sendo que seria uma imigração baseada em adolescentes que entre 2009 e 2012 chegariam aos 15 anos em quantidade suficiente para alterar radicalmente os resultados de vários países.

Não é isso que me preocupa.

O que me preocupa é aqueles que não são idiotas, que sabem que tais políticas produzem determinados efeitos e, mesmo assim, querem adoptá-las porque as consideram “certas” pois defendem o seu “modo de vida”, apoiando-o financeiramente e afastando do seu caminhos os “indesejados”.

Há uma diferença muito grande entre criticar certas teorizações multiculturalistas, que relativizam tudo e nada em nome da “diversidade” e adoptar uma postura assumidamente segregacionista. Uma coisa é a cartilha acrítica de uma inclusão utópica, outra optar claramente por segregar e guetizar aqueles que se consideram indignos.

Porque o verdadeiro problema reside no facto de muitos  proponentes de tais medidas acreditarem mesmo que esse é o caminho para o “sucesso”.

A tentativa de impor a via “vocacional”, limpando da via regular e das estatísticas em exames os piores alunos é apenas uma variação do que fica acima exposto.

É um pensamento articulado e assumido que está em causa, não a idiotice recorrente deste ou aquele comentador mais papista do que o papa que já foi.

O perigo está nessa gente que, em busca do seu conforto e do seu lucro, sacrifica a coesão social e o apoio devido a todos os cidadãos numa sociedade democrática.

Porque com o pretexto das queixas sobre a indisciplina nas aulas se avança por um caminho que não visa solucionar essa indisciplina, mas apenas conduzi-la para uma espécie de lazaretos… através caminhos entaipados e separados, reservando a algumas elites espaços exclusivos, à moda dos jardins burgueses oitocentistas cercados de vedações, onde o povoléu não tinha direito a entrar.

Não é de agora que digo que se engana quem tem muita pressa em associar algumas das actuais políticas ao Estado Novo… por vezes até há paralelos, mas na maioria nem por isso. Neste caso, da Educação, a mentalidade de quem está no Poder ou orbita em seu redor, é mais próxima da dos higienistas sociais do século XIX.

É uma mentalidade burguesa no sentido mais básico do termo, vitoriana nos pudores de um César das Neves, sanitarista nas políticas sociais do Estado, nomeadamente na área da Educação, mas também da própria Segurança Social.

Digitalizado porJosé António Santos, AFCML

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