Sábado, 7 de Dezembro, 2013


Palma Violets, Best of Friends

… serviu de exemplo para os defensores da expansão da pseudo-liberdade de escolha na Educação em Portugal.

Mas nem dos antípodas vem a salvação, pois o mais que conseguem é demonstrar o aumento da desigualdade dos desempenhos: continuam bastantes no tipo do desempenho mas aumentou o número dos piores.

Claro que agora já se levantam questões sobre a metodologia dos PISA quando antes, quando tudo corria de feição, estava tudo bem e eram a bíblia…

International test results raise big questions for NZ

PISA2012NovaZel

Anexo: PISA-Summary_2012 NewZel.

Um dos exemplos que a nova geração de textos (estudos?) sobre a liberdade de escolha também apresenta como farol luminoso?

PISA results show dropping maths abilities

Os noruegueses, apesar de piorarem os seus resultados, orgulham-se de os ter ultrapassado. E aos finlandeses, já agora.

Norway Left Behind Denmark and Finland in New PISA Survey

E que tal se algumas pessoas aprendessem a reconhecer que as coisas até têm corrido menos mal em Portugal, apesar das tropelias e ziguezages das sucessivas desgovernanças?

Porque a verdade é que os professores são, na sua larga maioria, os mesmos.

 

U.S. Students Slide In Global Ranking On Math, Reading, Science

U.S. Achievement Stalls as Other Nations Make Gains

Já sei… a culpa é das escolas que ainda são públicas, porque certamente as privadas saltaram fora da esccala…

… e neste caso não sei se alguém conseguirá culpar a imigração muçulmana…

PISA report finds Australian teenagers education worse than 10 years ago

AUSTRALIAN teenagers’ reading and maths skills have fallen so far in a decade that nearly half lack basic maths skills and a third are practically illiterate.

The dumbing down of a generation of Australian teenagers is exposed in the latest global report card on 15-year-olds’ academic performance.

Migrant children trumped Australian-born kids while girls dragged down the national performance in maths, the 2012 Programme for International Student Assessment (PISA) report, released in Paris last night, reveals.

Australia’s maths performance dropped the equivalent of half a year of schooling between 2003 and 2012.

And rowdy classrooms and bullying are more common in Australia than overseas, the report says.

Já sei… agora vão falar dos 40 ou 50 alunos por sala em Xangai como grande exemplo de sucesso…

Aguardo artigo do Alexandre Homem Cristo no I a explicar tudo isso e como o que escreveu há muito pouco tempo está errado mas não está. Afinal.

… mas sem a substituição de uma tipo de ditadura (do pseudo-rigor avaliativo) por outra (da abordagem fofinha das aprendizagens), pois a virtude fica algures pelo meio.

Is a Teachers’ Spring Coming?

Sugestão da Anna P.

… que se revela tão familiar com o nome carinhoso pelo qual era conhecido Mandela na África do Sul, entre os seus apoiantes. Fazem-me lembrar aqueloutros que tanto falam do “Zeca” como se tivessem privado com ele em vida.

Diálogo democrático

… com aquelas leituras que tendem a deslizar para a facilidade de associar os resultados do PISA 2009 (testes feitos nos primeiros meses do ano maioritariamente por alunos do 9º ano) a medidas de Maria de Lurdes Rodrigues com um ano de impelmentação no 5º ou 7º ano.

É esse o problema de análises como a de São José Almeida ou a de Isabel Stilwell, apressadas na atribuição da paternidade dos resultados de 2009.

Se é preciso esperar por 2023 (ou 2021 se mantivermos a realização de 3 em 3 anos) para perceber como andamos a queimar muito coisa agora, também é necessário perceber que aos resultados de 2009 se deve aplicar um diferencial temporal similar.

Em educação, “em pouco tempo” significa 5 a 10 anos, não 5 a 10 meses.

… é o de Fernando Adão da Fonseca no Público de hoje em defesa da sua dama – o Sistema Público de Educação Sueco, assim com as maiúsculas nem sempre reservadas ao português.

Queixa-se FAF que quem se opõe às suas ideias é um inimigo da liberdade. Nem mais, nem menos.

Pub7Dez13

Sendo eu adversário  da falhada reforma educativa sueca e da adopção de algumas das suas medidas entre nós, serei um desses inimigos da liberdade e como tal, gostaria de responder muito brevemente a FAF sobre a forma como estas polémicas se podem desenvolver de forma transparente, honesta intelectualmente e tal.

  • Em primeiro lugar, não tente colocar num patamar moralmente inferior aqueles de quem discorda, sem ter qualquer fundamento válido para o fazer.
  • Em segundo, adjective e destrate os seus adversários só depois de apresentar factos. quando os apresentar, não faça pela metade. Não diga que uma certa medida leva a ganhos de 10 pontos quando a fonte refere que, em alguns casos, pode levar a aumentos de 1 a 10 pontos. É muito diferente.
  • Em terceiro, use factos que não se baseiem numa única fonte mais agradável, omitindo as restantes desagradáveis, incluindo o testemunho de especialistas suecos trazidos pelo próprio FLE a Portugal, numa sessão em que tive o imenso prazer de participar. Não enuncie certezas, quando nem sequer as explicita com clareza. As coisas foram ditas à nossa frente, não há como negá-las.

Pub7Dez13a

  • Na utilização dos factos não faça relações unívocas não contextualizadas do género “mais escolas independentes = mais sucesso educativo” sem ousar entrar pelo território movediço da caracterização do corpo discente das escolas, pois agora já se sabe que aquela fórmula resulta de fenómenos de segregação social. Felizmente, FAF é suficientemente elegante para não ter usado o argumento da imigração como explicação para o insucesso sueco, coisa que alguns seguidores do FLE não se coibem de fazer sob anonimato.
  • Quando citar um estudo como recente, não hesite em dizer que é de 2008, com dados de alunos formados de 1988 a 2003. Não hesite ainda em usar citações como esta:

There is no evidence that an increase in private schooling at the compulsory level has an effect on subsequent university attainment or years of schooling. Thus, we conclude that the positive first-order effect on 9th grade performance vanishes over time. It does not seem to be large enough to lead to lasting positive effects.

Ou:

Given the large increase in private enrollment 1995-2003, this suggests, in line with our findings, that school choice and competition is not a panacea for improving overall educational achievement. Our results are also in line with the evidence in Hsieh and Urquiola (2006) who examine Chile’s voucher program. This is interesting since large-scale private school choice reforms are rare, and rarely assessed.

O estudo em causa é este e é facilmente googlável: dp3691.

Ahhhhhhh……….. mesmo aquele detalhe final… não pretenda saber melhor do que os próprios suecos o que é melhor para eles, limitando-se a reproduzir as opiniões daqueles que na Suécia partilham as suas opiniões e posições políticas. Isso é que é truncar a informação, ser preconceituoso e mais aquilo tudo de que acusa quem discorda de si.

No meu caso, quando critiquei os defensores da reforma sueca de 92 limitei-me a ser claro numa coisa factualmente demonstrada ao longo da última década: é mentira que ela tenha melhorado a performance de todo o sistema, servindo apenas para um grupo restrito se elevar à custa da maioria, algo que não gostaria de ver em Portugal. Não sei se é isso que FAF pretende. Ao contrário dele, não o considero um inimigo da equidade e da justiça social.

Sweden’s education minister, Jan Björklund, said the Pisa results were “the final nail in the coffin for the old school reform,” and speculated that the central government could take over running schools from Sweden’s municipalities.

Sweden’s education minister on Tuesday blamed the country’s fall from grace in the Pisa global education ranking on municipalities’ “lack of competence”, saying his government should have nationalized the schools already seven years ago.

Realmente, há países onde os políticos admitem os seus erros.

Já há uns mês a coisa era antecipada:

In the first study, in 2000, Swedish pupils performed a lot better than those in most other countries. But even as the country’s schools inspired imitators elsewhere, their results have deteriorated. In 2009 Sweden’s overall score fell below the OECD average. Other rankings show a similar trend.

“I assume the results will continue falling. It will take several more years before the positive effects of our policy begin to show in global ratings,” says Mr Bjorklund, referring to an overhaul of Sweden’s education system. Since coming to power in 2006, the centre-right coalition government has introduced reforms such as a new national curriculum. Mr Bjorklund, who heads the Liberal party, is convinced he can reverse the decline. But will voters have the patience to wait? With universities complaining that students arrive unprepared and companies worrying that Sweden will lose out to other countries, a sense of urgency is in the air. Education will be important in next year’s election.

(…)

Mr Bjorklund blames the poor results on the period when the Social Democrats were in charge. Others say poorly paid teachers are at fault. The profession, once highly regarded, has seen salaries fall far behind other jobs requiring a higher-education degree. The student demand for teaching programmes is so low that almost anyone applying will be accepted. As many teachers approach retirement, unions warn of a teacher crisis ahead. In hopes of making the job more attractive, a career programme with better pay was launched this year.

A growing gap between schools is another reason, says Skolverket. Sweden is now one of the few countries to show both worse results and more inequality. Free school choice is a contributing factor. The system, introduced 20 years ago, allows parents to choose between municipal schools and independent schools, all financed by tax money. The aim was to increase quality by competition, but it has also led to the best students flocking to the same schools.

Many worry that school inequality will spur segregation. Extra resources for schools with weaker students could be a solution but abolishing independent schools is not on any party’s agenda. Polls show a majority of Swedes want to keep the free-school choice. Still, letting private companies run tax-funded schools is controversial. Critics say profit-seeking puts quality at risk. In the wake of several school companies’ bankruptcies, the government has indicated that private-equity funds will no longer be welcome owners.

Por cá, é toda uma outra dinâmica, pois mesmo com a demonstração dos erros, enterra-se a cabeça na areia e quer seguir-se em frente, só porque parece difícil admitir que se defendem ideias e políticas erradas.

Eu também gosto de diversas coisas suecas, excepção feita àquele omnipresente molho de mirtilos na comida. Mas isso não significa que tenha de defender uma causa à outrance em prejuízo da maioria da população só porque se não o fizer, as promessas e compromissos de alguns falham…

Crato já é dispensável por Portas, na sua estratégia de namoro com o bigodes da UGT. Como em 2008, o entendimento entre os sindicatos de professores e o Governo é feito pelos dirigentes das centrais sindicais com enviados desse Governo que não necessariamente ministros e secretários de Estado.

Já em 2008, o entendimento foi cozinhado fora do âmbito da representação dos professores. Desta vez, voltou a acontecer o mesmo.

Exp7dez13

Expresso, 7 de Dezembro de 2013

 

E até é interessante a parte em que os alunos avaliam muito bem os professores portugueses, algo que eu sei empiricamente, ao contrário dos opinadores de esplanada ou tertúlia da treta:

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Expresso, 7 de Dezembro de 2013

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