… é o daquelas criaturas que dizem ou escrevem que têm direito a opinar sobre tudo porque pagam impostos e que eu não posso abrir a boca porque, sendo professor, é com esses impostos que me pagam.

Ora bem… eu também pago impostos e não apenas o IRS. Sendo funcionário público não há forma de escapar à tabela, para além de pagar tudo o resto, do IMI ao IVA, pelo que pago com os meus impostos muita coisa a quem, do sector privado, recorre a serviços públicos.

E o meu salário não é uma “despesa”, mas a remuneração pelo meu trabalho, que é um serviço público que eu ajudo a prestar. Se fosse assessor ou consultor de gabinete ministerial ou de secretário de Estado ainda poderia encarar a possibilidade de ser inútil. Não sou e presto contas quando os meus alunos fazem exame.

Para além de que estes liberais de galinheiro quando se trata de serem “empreendedores” querem logo pedir o apoio do Estado, o subsidiozinho, a linha de crédito bonificado, a encomenda do produto por um organismo do Estado. Nesse caso, já não são os meus impostos a pagar o incentivo aos seus negócios.

Não vale a pena negar… sabemos bem que não há muito teorizador liberal que tenha apoiado o governo que não ande a receber do AICEP ou a ganhar de uma colocação em administração de empresa com participação pública.

E é esta mesquinhez, esta forma de estar, que dão um certo enjoo, que nem nojo já provocam, tamanho o egoísmo e falta de respeito pelo trabalho alheio, que é encarado como um “encargo” e como se não fosse um cidadão que paga os seus impostos a tempo e horas, incluindo os da actividade privada, que no meu caso pessoal existe e existiu quase sempre desde que entrei no mercado de trabalho e pela qual faço pagamentos por conta e pago os devidos impostos adicionais.

Mas a pior estirpe desta gente é mesmo a que depois vive dos livrinhos que escreve a explicar como deveria ser tudo…