Quinta-feira, 5 de Dezembro, 2013


Simple Minds, Mandela Day

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Mas lá vou ser acusado de… quero lá saber…

O antigo ministro da Educação do Governo de Durão Barroso admite que houve alguma “perversidade” nos apoios dados ao ensino privado, porque “se celebraram contratos onde eles não eram necessários”. Justino lembra que esses contratos existem desde os anos 1980, daí que tenha ficado surpreendido com a polémica do apoio do Estado aos privados. Justino não parece favorável à ideia (que é do CDS) do cheque-ensino e refere que “fala-se do cheque ensino que é uma expressão completamente infeliz”.

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Bem… convém devolver a quem não a quer fazer, mas… não têm láo registo do tempo de serviço da malta? Querem uma declaração porque…

Para recuperar 20 euros, professores dispensados da prova terão de declarar que não tencionam fazê-la

Porque um tipo já desconfia desta malta até se disserem que o sol nasce todos os dias…

Prova e aceso e negociações, FENPROF vai apresentar uma queixa na Procuradoria Geral da República

Prova de acesso, João Dias da Silva explica o acordo com o ministério

Swedish results fall abruptly as free school revolution falters

Once a shining example for Michael Gove Sweden has now recorded the largest drop in maths performance over 10 years.
(…)

In recent months a number of for-profit companies running free schools in Sweden have been in financial difficulties, while a recent TV exposé revealed that the state-funded privately-run schools were prepared to bend selection rules to admit bright pupils.

Sweden’s education minister, Jan Björklund, said the Pisa results were “the final nail in the coffin for the old school reform,” and speculated that the central government could take over running schools from Sweden’s municipalities.

Olha… o raio dos políticos suecos devem ser loucos… a dizer mal das suas próprias reformas e a assumir a necessidade de mudar políticas que assumem como erradas, quando os putos tóxicos portugueses – que sabem tudo sobre Educação – dizem que não é nada assim.

Já leram, ó vitorescunhas?

Só mais um reparo… esta queda resulta das consequências de políticas educativas erradas durante mais de uma década, as quais não produzem efeitos em 2-3 anos como por cá de forma lamentavelmente oportunista o PS quer dar a entender. As declarações da deputada Odete João são um monumento praticamente inigualável de demagogia, distorção ou ignorância em relação à forma correcta de avaliar, no tempo, os efeitos de reformas na Educação.

Professores protestaram frente à AR contra Crato e prova de avaliação

Docentes foram obrigados a sair das galerias do Parlamento. Na rua, professores pediram a demissão do executivo liderado por Passos Coelho.

Espero ter ouvido mal algumas das palavras de ordem no noticiário da TSF. A banalização de certos termos como “fascistas” não faz grande coisa pela causa…

Já no Parlamento, o PS rodopiou de forma estonteante, com alguém a pedir ao Governo que revogasse a prova criada pela tão amada ministra socialista Maria de Lurdes Rodrigues.

Com o PCP a acusar o PS de responsabilidade, já que a prova de acesso à carreira foi criada quando os socialistas governavam, Acácio Pinto, do grupo parlamentar do PS, disse que os socialistas estão contra a prova e contra a forma como o Governo tem gerido a questão.

O excelentíssimo senhor deputado até fez uma graçola com o termo irrevogável, o que me deixou agoniado até às lágrimas devido à profunda falta de decoro exibida na Casa da Democracia.

O dirigente da Federação Nacional de Educação (FNE), João Dias da Silva, disse ao PÚBLICO esta quinta-feira que o acordo dos sindicatos da UGT com o Ministério da Educação e Ciência (MEC) “só prejudica verdadeiramente menos de 400 professores”, que na sua perspectiva é “o número de pessoas que estará em causa quando, esta tarde, a Assembleia da República apreciar a legislação relativa à prova de avaliação de conhecimentos e de competências”. “De entre todos os que continuam obrigados a fazer a prova, 98 por cento não têm qualquer expectativa de dar aulas no próximo ano lectivo, pelo que serem aprovados ou não resulta no mesmo”, justificou.

… são os meus colegas (?) professores em trânsito mais ocasional ou sistemático entre o ensino público e o privado que não dispensam o salário daquele, o mesmo que quando estão na concorrência gostam de apoucar.

E é bom que não ocultemos que muitos dos mais ferozes capatazes de algumas escolas privadas de maior ou menor sucesso foram recrutados nas escolas públicas, sendo que nestas nunca aceitariam seguir as regras que impõem aos colegas (quando assim os consideram) e aos alunos daquelas.

Pois não há coisa málinda que o professor biscateiro do ensino público que se torna um esmero de eficiência no privado.

Já não há tantos como antigamente, porque a maioria desertou quando as coisas apertaram no ensino público e no privado lhes deram o poder de mando sobre a arraia miúda docente, que eles agora comandam de varapau em riste… aquele varapau que lhes deveriam ter assentado no lombo quando fugiam com este ao trabalho nas escolas públicas que agora se deliciam a denegrir.

O mesmo acontece com ex-governantes, chefes de gabinete ou assessores que agora vilipendiam a acção governativa de que fizeram parte integrante e da qual receberam alimento, passado e futuro.

… nos últimos anos e que se sente com as costas quentes para ofender todo e qualquer funcionário do Estado, em particular os professores das escolas públicas, como se andássemos a extorquir dinheiro ao Estado e não a prestar um (bom) serviço público pelo qual recebemos a cada vez mais indevida, porque escassa, remuneração.

Este liberais de aviário já renegaram – ou já nem leram – o que Weber escreveu sobre a necessidade de um funcionalismo público como corpo de elite, sendo que ele era mais liberal do que qualquer friedman de 4º escalão.

Acresce ainda que esta gentinha de carácter diminuto gosta de apontar o dedo aos funcionários públicos mas com excepções, claro… que aos médicos e outros eles não ofendem desta forma, até porque os consideram outra coisa.

Aos professores é que eles consideram gente menor, embora muito poucos conseguissem fazer o que eles fazem e que, em tantas situações, até é uma missão que deveriam estimar: tentar que a descendência das classes perigosas não se tornem mais perigosas e saltem os muros dos condomínios mentais e físicos privativos das tertúlias be(a)tas em que se movem.

No Público de hoje:

Pub5Dez13

… é o daquelas criaturas que dizem ou escrevem que têm direito a opinar sobre tudo porque pagam impostos e que eu não posso abrir a boca porque, sendo professor, é com esses impostos que me pagam.

Ora bem… eu também pago impostos e não apenas o IRS. Sendo funcionário público não há forma de escapar à tabela, para além de pagar tudo o resto, do IMI ao IVA, pelo que pago com os meus impostos muita coisa a quem, do sector privado, recorre a serviços públicos.

E o meu salário não é uma “despesa”, mas a remuneração pelo meu trabalho, que é um serviço público que eu ajudo a prestar. Se fosse assessor ou consultor de gabinete ministerial ou de secretário de Estado ainda poderia encarar a possibilidade de ser inútil. Não sou e presto contas quando os meus alunos fazem exame.

Para além de que estes liberais de galinheiro quando se trata de serem “empreendedores” querem logo pedir o apoio do Estado, o subsidiozinho, a linha de crédito bonificado, a encomenda do produto por um organismo do Estado. Nesse caso, já não são os meus impostos a pagar o incentivo aos seus negócios.

Não vale a pena negar… sabemos bem que não há muito teorizador liberal que tenha apoiado o governo que não ande a receber do AICEP ou a ganhar de uma colocação em administração de empresa com participação pública.

E é esta mesquinhez, esta forma de estar, que dão um certo enjoo, que nem nojo já provocam, tamanho o egoísmo e falta de respeito pelo trabalho alheio, que é encarado como um “encargo” e como se não fosse um cidadão que paga os seus impostos a tempo e horas, incluindo os da actividade privada, que no meu caso pessoal existe e existiu quase sempre desde que entrei no mercado de trabalho e pela qual faço pagamentos por conta e pago os devidos impostos adicionais.

Mas a pior estirpe desta gente é mesmo a que depois vive dos livrinhos que escreve a explicar como deveria ser tudo…

Quando alguém ao tentar demonstrar uma coisa demonstra o seu contrário.

Aconteceu ao pobre blasfemo vitorcunha que alinhavou um conjunto de gráficos que demonstram que o modelo escolar sueco é menos inclusivo do que o português, que não lida bem com a diversidade e que, apesar de ser um país mais rico e menos desigual, desenvolveu políticas educativas que conduzem à segregação das minorias.

Obrigado, vitorcunha.

É sempre bom quando alguém demonstra o que eu digo há muito tempo, com o objectivo de evitar que cá se cometam os mesmos erros.

(aviso às almas sensíveis: acho que chamar idiota chapado a quem me chamou marialva pago com os impostos dele é o mínimo exigível em termos de etiqueta)

Não é que antes não me tivesse deparado com teorizações do mesmo tipo mas recordo sempre aquela reunião de avaliação do meu ano de profissionalização (já a caminho dos 35 anos de idade e com mais de uma década a dar aulas) em que um colega, daqueles que entraram para o quadro logo à saída do aviário, me disse que não-não-não, eu não podia dar nível 1 porque determinado aluno até ia à maioria das aulas e não se pode dar esse tipo de classificação porque é desmotivante e não avalia todo o desempenho do aluno.

(pois, não avaliava, mas o zero é que não existe na escala.

Já com a mostarda a vir a caminho, por causa do tom de voz da santíssima criatura, perguntei em que documento baseava tamanha sapiência e determinação, se em alguma lei que eu desconhecia ou decisão do Conselho Pedagógico que eu não tivesse ouvido em reunião de grupo.

O homem baralhou-se, tropeçou em si mesmo e admitiu que não, mas que era melhor eu ir ao Conselho Directivo para não ter problemas, ao que devolvi que se eu lá fosse quem teria problemas não seria eu. Mas como sou bem mandado, lá fui, falar com a Directora (sim, uma das pioneiras, ainda nos anos 90) e de lá vim com o esperado sorriso porque a colega não era Papisa, nem mais Papisa que os Evangelhos não escritos daquela geração de sobredotados da pedagogia do sucesso em que a escala começa no 3 para quem se limita a dignar as aulas com a sua presença ocasional e sabe assinar o primeiro nome.

Desde então nunca me aconteceu nenhum episódio do género, pois não abuso do tal nível amaldiçoado, distribuindo-o com a dose que eu acho certa de parcimónia e justiça para com @ visad@ e respectiv@s colegas.

Mas sempre me interroguei acerca das raízes superficiais do discurso que quase impõe que o nível 1 só seja atribuído a quem não coloca os pés nas aulas, sendo que eu pensava que nesses casos nem se atribui nota, usando-se a alínea relativa à inexistência de elementos de avaliação.

E sempre conclui que a parvoíce é uma qualidade que anda por aí, muito bem distribuída e certificada, ao contrário de um sentido de justiça e uns pózinhos (gosto de escrever assim, desculpem-me) de justiça.

Imaginemos um aluno que até vai às aulas, mas cujo caderno é uma lástima, o manual não existe e não é por carências económicas, que não é sensível a qualquer argumento para que pare de falar do que lhe vem à cabeça com sorriso trocista e que, chegando aos testes, os atira para o canto da mesa, dizendo que não faz porque não sabe nada e pede logo para sair, repetindo-o insistentemente até eu responder-lhe em modo mostrada a sair pelo nariz.

É justo eu atribuir-lhe o mesmo nível do que o dado a um aluno com dificuldades, mas que vai tentando fazer alguma coisa, só que sem os melhores resultados?  Não estarei a desrespeitar o esforço e trabalho deste aluno, mesmo que ainda insuficiente, equiparando-o ao outro malandreco, que nem sequer sabe ainda gingar ao som de Lou Reed (nem sequer ouviu falar de qualquer música anterior a Agosto de 2013)?

A mim nem sequer complica os nervos ver um 6,5% e um 0% nos testes. Acontece, ninguém precisa de gostar de História e pode ter dois azares grandes (não é provável, mas é possível). Nem sequer que a atitude do aluno seja explicada com o seu staile… que é algo que nem avalio, apesar do escasso valor do cuidado com os dois brinquinhos que prefere acariciar de forma repetida em vez de passar um mísero sumário.

Por mim, tudo bem. Táááássssssssssssssseeeeeeeeeeeee Bêêêêêêêmmmmmm!!!

O que não posso aceitar – por muito que o já adolescente esteja em processo de definição da sua personalidade, afirmando-a por oposição à do adulto “castrador” – é que ele goze com o trabalho dos colegas e eu não possa fazer a devida diferenciação entre “atitudes e valores” muito diversos.

Porque, mesmo que não seja sempre verdade, eu sei que aquele 1 firme e hirto faz o seu efeito e é mentira que seja apenas desmotivante e que o insucesso se reproduza a si mesmo por causa disso. Pelo contrário, a experiência demonstra-me que na maioria dos casos, quando a coisa é assim bem explicadinha olhos nos olhos em sala de aula, sem véus e mantos diáfanos, o desempenho muda substancialmente.

Tanto é verdade, que ele já me perguntou que nota lhe darei caso comece a tirar Bons e Excelentes.

O nível 1 é traumatizante?

Depende.

Se for injusto é capaz de ser.

Aplicado com rigor, justiça e transparência pode ser uma lição muito útil para toda uma turma.

Vteodoro

Aprovado por unanimidade em reunião geral de Professores

Parecer dos professores da Escola Secundária de Camões sobre a prova de avaliação de conhecimentos e capacidades dos docentes

Desde o passado dia 22 de outubro, muitos dos que até então eram considerados pessoal docente deixaram de o ser.

Por força da publicação do Decreto-Lei n.º 146/2013, de 22 de outubro, aquele que é portador de qualificação profissional para o desempenho de funções de educação ou de ensino, a título temporário, só será docente após aprovação em prova de avaliação de conhecimentos e capacidades.

A prova destina-se a quem já é detentor de uma qualificação profissional para a docência, adquirida junto de instituições do ensino superior que desenvolveram, certamente, um trabalho sério de avaliação dos alunos que resultou na sua aprovação. Em 120 minutos, e com periodicidade anual, vão agora ser verificados conhecimentos e capacidades fundamentais para o exercício da função docente como sejam “a capacidade de mobilizar o raciocínio lógico e crítico, bem como a preparação para resolver problemas em domínios não disciplinares”, para além da “componente específica relativa à área disciplinar ou nível de ensino dos candidatos”.

Neste quadro, os professores da Escola Secundária de Camões pretendem manifestar a sua perplexidade perante a ligeireza com que o Ministério da Educação e Ciência desrespeita o princípio da estabilidade do ensino e menospreza o trabalho complexo e moroso que os professores e as instituições do ensino superior que os formaram desenvolveram ao longo de anos. No mesmo sentido, todo o trabalho desenvolvido por docentes de carreira e docentes contratados no processo de avaliação de desempenho é desrespeitado e em vão. A frequência de ações de formação de professores, que embora não obrigatória, é muitas vezes solicitada pelos mesmos, neste processo, é totalmente desconsiderada. Professores contratados, com avaliação ao nível de uma licenciatura, com habilitação para a docência, com outras formações, com avaliações de desempenho de Bom, Muito Bom e Excelente, com frequência de ações de formação, e com competências devidamente comprovadas para o ensino são, segundo o Ministério de Educação e Ciência, descartados e excluídos de uma carreira em prol de uma prova.

A poucas horas de terminar o prazo de inscrição para a prova, o Ministério da Educação e Ciência, certamente seguindo a recomendação do Senhor Provedor de Justiça e as deliberações já tomadas por Tribunais relativas a providências cautelares interpostas pelos Sindicatos, decidiu dispensar da prova os professores com cinco ou mais anos de serviço.

A aparente bondade desta resolução soçobra perante a forma apressada com que se alteram os critérios e se “divide para reinar” e não clarifica, de modo algum, qual o objetivo a atingir com a prova – a nosso ver, afastar da docência mais alguns milhares de professores a juntar aos que já se encontram desempregados por força das recentes e sucessivas alterações legislativas.

Recrutar professores para vigiar e corrigir provas de outros professores potencia a clivagem que já existe, nalgumas escolas, entre professores com diferentes categorias profissionais e é mais uma forma de atentado à honra e ética profissional da classe docente.

Em conformidade com o exposto, os professores da Escola Secundária de Camões, reunidos em 04 de Dezembro de 2013, apelam à suspensão imediata da prova de avaliação de conhecimentos e capacidades, para todos os docentes.

Henricartoon27

(c) Henrique Monteiro

quem é o blatter-lulu da educação?