Terça-feira, 3 de Dezembro, 2013


Jimmy Cliff, The Harder They Come…

… the harder they fall, one and all

Aleluia

Era a mulher — a mulher nua e bela,
Sem a impostura inútil do vestido
Era a mulher, cantando ao meu ouvido,
Como se a luz se resumisse nela…
Mulher de seios duros e pequenos
Com uma flor a abrir em cada peito.
Era a mulher com bíblicos acenos
E cada qual para os meus dedos feito.
Era o seu corpo — a sua carne toda.
Era o seu porte, o seu olhar, seus braços:
Luar de noite e manancial de boda,
Boca vermelha de sorrisos lassos.
Era a mulher — a fonte permitida
Por Deus, pelos Poetas, pelo mundo…
Era a mulher e o seu amor fecundo
Dando a nós, homens, o direito à vida! 

[Pedro Homem De Melo] in Miserere

sem gravações!

 

Sintomático!

 

Pub3Dez13

Público, 3 de Dezembro de 2013

dada pelo Arlindo para a atitude da FNE, com o seu quê de testemunho pessoal.

Claro que é aqui que os limites se traçam quando é preciso defender uma posição “organizacional” com a qual ele provavelmente nem concorda.

Alega o Arlindo que se livraram 28.000 professores de uma prova injusta.

Certo.

E que é melhor assim do que se fossem todos obrigados a fazê-la…

Certo, certo!

Mas há uma perspectiva que parece estar a escapar a quem assim argumenta e, como dizia aquela outra senhora, há quem saiba que eu sei que há quem saiba que eu sei.

A prova crata, tal como estava delineada, para mais de 40.000 professores, ia dar fiasco, nem que fosse pela perturbação que iria causar nas escolas em que se vai realizar e nas escolas em que muitos desses professores dão agora aulas e teriam de faltar a reuniões de avaliação para além de que iria dar confusão para classificar.

Tal como nos tempos da ADD, era uma construção que, com uma oposição bem distribuída, cairia sobre si mesma.

Pois bastaria que não se realizasse – ou realizasse em condições complicadas – para motivar a necessidade de uma segunda prova para os candidatos justamente prejudicados.

Aliás, o (agora relativo) secretismo em torno das escolas onde vai decorrer é sinal do receio do MEC acerca disso.

BAstaria a coisa correr mal numa dezena de locais ou menos para o castelo de cartas entrar em colapso.

Com a FNE a sair de campo – o que dá cobertura a todos os que só queriam esse pretexto para vigiar ou classificar – as coisas ficam mais complicadas, assim como se torna mais fácil conseguir que se vigiem e classifiquem 15 ou 20.000 provas do que 45.000.

O Arlindo sabe bem que eu até estava menos optimista do que ele em relação à capacidade de classificação das provas por parte do MEC.

Mas agora as provas serão menos de metade e há gente com livre trânsito para quebrar a solidariedade devida aos colegas que não são do quadro.

E vai ser fácil diabolizar a Fenprof e o Nogueira, tomando-os por todos os professores que discordam da prova, como gente que nunca quer ser avaliada. E teremos os monteiros, os madrinhas e os sousatavares a perorar isso mesmo num dos próximos Expressos.

E ficam os tais 15-20.000 reféns em terra de ninguém, cobaias de uma ideia imbecil da outra senhora, retomada por este senhor.

Será dramático falar em reféns? Tanto quanto dizer que se livraram 28.000 professores de um erro colossal.

Se eu percebo a posição do Arlindo, que diz estar de corpo e alma no combate à prova apesar desta posição da FNE?

Percebo, mas não a aceito como válida, pois é uma mão estendida ao MEC para que ele possa dizer que consegue implementar a prova… o que agora é bem mais fácil, mesmo se não fica garantido,

Será que mesmo a maioria dos 28.000 assim “salvos” não preferiria outra solução?

Então porque andou a deslocar verbas essenciais para diagnósticos precoces de dificuldades de aprendizagem para uns milhares de cheques-ensino?

Governo promete combater “insucesso escolar persistente” com “mais intervenção precoce”

Há que ser claro… isto é conversa fiada.

… pois parece que não foi preciso nenhuma prova de ingresso na carreira para se conseguirem melhorias.

E a estabilização desde 2009 (os alunos que fizeram esses exames são os da geração de 2000 no 1º ano, mais coisa, menos coisa) não prenuncia nada de bom.

Será que o actual MEC consegue ler os sinais? Ou será que acha que basta ramirar os piores alunos para o vocacional?

Alunos portugueses mostram como em pouco tempo é possível melhorar, diz OCDE

PubOn3Nov13

da prova

Nada como copiar as reformas de sucesso dos países que mais pioraram… ou agora os PISA já não servem?

Pisa2012f

como é aquilo da coisa inclinada de PISA. Convenhamos, a dinâmica de êxitos cá de casa só se verifica porque o padrão não se mostra estático, regrediu.

Afogados em dois milímetro de Di-Hidreto de Oxigénio.

  • Atenta Inquietude:

CRATO NÃO CEDEU, A SINISTRA PROVA É IRREVOGÁVEL (MESMO)

  • Correntes:

ENOJADO

  • Delito de Opinião:

A prova do Crato II.

E, no fundo, a rendição à estratégia de Sócrates de empurrar a dívida para a frente… pagando mais juros.

Repare-se que os juros serão o dobro do que estava previsto… tudo para que em 2015 exista folga para encenarem uma redução dos impostos.

Governo adia pagamento de 6642 milhões de euros de dívida

(…)

O resultado foi conhecido depois de se saber qual a resposta dos investidores à proposta de troca de dívida realizada pelas Finanças. O Executivo sugeria aos detentores de três títulos de dívida pública com maturidade em 2014 e 2015 (com um valor total de 26.881 milhões de euros) que os trocassem por novos títulos com um prazo mais longo, em que o Estado apenas terá de amortizar a dívida em 2017 ou 2018.

De acordo com os dados agora fornecidos pelo IGCP (a agência que gere a dívida pública portuguesa), dos 26.881 milhões de euros totais dos títulos, 6642 milhões foram trocados, uma taxa de aceitação muito próxima dos 25%.

Reparem como o ciclo posterior (2016-18) fica sobrecarregado, voltando a aliviar em novo ano eleitoral (2019).

Divida-em-texto

Este quadro também parece confuso, mas se atentarmos nas legendas percebe-se facilmente o que está em causa. No caso de Portugal, o melhor desempenho dos alunos em escolas privadas é em muito explicado pelo contexto socio-económico desses alunos e escolas. Que em Portugal é substancial.

Se descontarmos esse efeito a diferença é praticamente nula.

Já em outros países, o que se verifica é que o desempenho entre os alunos de diferentes tipos de escola é menor e, adicionalmente, que o diferencial socio-económico entre escolas públicas e privadas é muito menor do que entre nós.

PISA20122

Este quadro parece um emaranhado, mas eu explico-vos de forma simples… um dos eixos (y, o das ordenadas) mede o desempenho dos alunos em Matemática, enquanto outro (x, o das abcissas), mede o grau de competição entre as escolas…

PISA2012d

Se repararem com atenção, Portugal está no lote dos países em que a competição é acima de 80%. que é a primeira surpresa para quem acredite nos vendedores da Educação em Portugal como o reino monolítico da não competição. Mais do que isso, os alunos portugueses têm um desempenho melhor do que os de países onde há muito maior competição, o que não confirma a tese de que há uma relação directa entre mais competição e melhor desempenho.

A Suiça ou a Polónia, por exemplo, apresentam melhor desempenho com um nível de competição bem mais baixo…

 

Neste caso temos o custo das repetências. Entre nós pode ser alto devido ao ainda elevado número de repetências, mas já repararam como o valor unitário de cada repetência é bastante mais baixo do que na maioria dos países?

Isto não é uma defesa do clássico chumbo, mas uma relativização dos seus custos, que muita gente gosta de apresentar como sendo um dos factores de ineficiência do sistema.

Por outro lado, também pode servir para se verificar como entre nós se investe pouco na recuperação desses alunos… ao contrário de outros países…

PISA2012c

Os resultados portugueses não estão assim tão abaixo dos de países com uma muito maior equidade no seu sistema educativo.

O que significa isso? Que em Portugal a escola funciona de modo mais eficaz a diminuir as desigualdades do que nos países que querem que sigamos…

PISA2012b

… as que têm conduzido a consistentes descidas de resultados dos alunos, enquanto Portugal vai conseguindo recuperar do seu profundo atraso?

O que têm a dizer acerca disto os defensores da “liberdade de escolha” que acenam com a Holanda, Suécia, Austrália, Nova Zelândia, etc, como exemplos maiores do modelo de gestão do sistema de ensino que querem para Portugal?

A “narrativa” não pode ir pelo lado da qualidade, pois não?

Prefere ir pelo lado do retrato estático, ignorando a tendência de médio prazo (2003-12).

E se, afinal, o que estamos habituados a ouvir não passar de uma ficção instrumental? De uma MENTIRA?

Mais grave… e se os “narradores” souberem que é mentira, mas já se estiverem nas tintas pois colocaram os seus homens nos lugares certos para olear as decisões?

PISA2012

Inévitablement (après l’école)

Sugestão do h5n1.

E até parece que não estamos mal… há certos críticos que talvez fisessem melhor em alterar a “narrativa” e em perceber que as melhorias não se conseguem com medidas de curto prazo.

Os alunos agora testados entraram no 1º ano há quase uma década…

PISA 2012 Results

Em resumo, parece ser contra: Parecer APP – PorSe.

Página seguinte »