Segunda-feira, 2 de Dezembro, 2013


Housemartins, Sheep

Sometimes I get so angry with the simple life they lead
And the shepherd’s smile seems to confirm my fears
They’ve never questioned anything, never disagreed
Sometimes I think they must have wool in their ears

And when you see a cane I see a crook
And when you see a crowd I see a flock

It’s sheep we’re up against
It’s sheep we’re up against

… quando se pretende transformar uma rendição numa vitória, prometendo-se que a luta continuará.

Pois, é possível.

Só que eu estou cansadinho de vitórias destas.

Mesmo sendo do Sporting cansa tanta vitória deste tipo.

Vamos ser sinceros, pode ser?

Ou será que dói onde não devia?

De há seis anos para cá… o mais que se conseguiu foi limitar danos e fazer recuar aquilo dos titulares. E isso não foi uma vitória. Foi um empate, porque deixou as coisas como estavam antes da derrota.

Estive a ler um livrinho que há dias aqui postei sobre as campanhas na Rússia em 1944-45 e como Hitler procura, para efeitos de propaganda interna, transformar a defesa de algumas posições em tremendas vitórias sobre os seus inimigos.

Mas o que se passava é que apenas ia adiando a derrota, à espera de uma salvação ex nihilo que nunca apareceu.

E como se diz no tal livrinho, defender uma fortaleza não constitui vitória, quanto muito significa uma ausência de derrota.

Mas nem foi este o caso.

Como o Adolfo algum sindicalismo docente comemora vitórias sobre vitórias após entregar metade do território ao adversário.

Até agora não havia professores a fazer qualquer prova da treta, agora existirão uns 20.000 ou mais…

Isto é uma vitória?

Só se a FNE aprendeu bem e incorporou a forma como a Fenprof alinhava vitórias sobre vitórias até ao descalabro final.

O acordo que a FNE lavrou deixou 20.000 professores no campo de batalha, sob fogo inimigo (para eles, claro, que para a FNE são meros ciscos), com a promessa que a prova que vão fazer talvez outros não venham a fazer no futuro.

Lamento, mas é escasso consolo.

E é uma derrota.

Mais uma.

Servida a solo pela FNE sob o comando altaneiro do bigodes da UGT que fala grosso mas sai de fininho.

Mais um tretas para a colecção.

 

Pergunta cratina

Antes

A prova de acesso, o prazo de inscrição termina hoje…

Depois

Prova de acesso, acordo entre a FNE e MEC, professores com mais de 5 anos de serviço estão dispensados da prova.

… sendo que por plano B se entende não apenas uma alternativa para folgar as contas se o TC chumbar algumas passagens do OE mas também uma boa táctica eleitoral, que é adiar o pagamento de grande parte da dívida para depois das eleições de 2015, por forma a criar uma belíssima almofada para baixar os impostos durante esse ano (numa estratégia à Sócrates em 2009 com os aumentos na função pública) e depois voltar a apertar o torniquete em 2016 (se forem governo) ou lixarem os que vierem a seguir.

Portugal avança para nova operação de troca de dívida

Na terça-feira haverá nova operação de troca de dívida, que marca o arranque de uma nova tentativa de regresso aos mercados.

E os visados responderam que esta era a melhor solução em que sentido?

No sentido da justiça, do rigor ou da conveniência política?

Em conferência de imprensa, ao final da tarde desta segunda feira, o ministro Nuno Crato revelou que a reunião urgente partiu da iniciativa da UGT e que, antes de chegar a um entendimento, ouviu “o presidente do Conselho das Escolas, Manuel Esperança, e o senhor presidente do Conselho Nacional de Educação, professor doutor David Justino”, acrescentando ter também considerado “o recente pedido de ponderação do senhor provedor de Justiça”. Recorde-se que o provedor pediu sexta-feira ao ministro que considerasse dispensar da prova os professores contratados com mais experiência.

UGT desconvoca greve dos professores à prova de acesso depois de reunião com ministro

(…)

Carlos Silva disse que os sindicatos obtiveram a garantia de que os professores contratados com mais de cinco anos de serviço vão ser dispensados da prova de avaliação de conhecimentos.

Para o secretário-geral da UGT, trata-se do “acordo possível” para dar “paz social” ao setor.

Carlos Silva adiantou que os sindicatos do setor da Educação, afetos à central sindical, se comprometeram a desmobilizar das ações de protesto anteriormente convocadas, nomeadamente da greve à prova, marcada para 18 de dezembro.

Imperou o sentido de responsabilidade.

… e vem a FNE e mete isto tudo à moda antiga… vende os princípios por 50% dos candidatos à prova, o MEC consegue ter forma de colocar a prova em prática e a Fenprof fica de mãos livres para assumir a radicalidade de uma luta que tem a configuração habitual: os “actores” fazem todos o seu papel e ganham de acordo com os seus objectivos.

Quem se lixa: a classe profissional dos professores que continua a ser tratada de forma indigna e instrumental.

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Eu sei… sendo injusta… se for para 20.000 é menor a injustiça do que se for para 40.000.

Mas então… e a questão de princípio?

Não era esta prova um ERRO CRATO?

Deixou de o ser?

A prova já é justa?

Há uma fronteira arbitrária que funciona como garantia de qualidade?

Professores com cinco ou mais anos de serviço dispensados da prova de avaliação

Em troca, UGT desconvoca greve prevista para 18 de Dezembro, dia de prova de avaliação. Nuno Crato diz que isenção não é transitória.

Discovering the power of people’s history – and why it is feared

Claro que acho muito mais simples que sejam os professores a recusar livremente embarcar na coisa do que serem impedidos de forma coerciva a fazer o que bem entendem, mas… fica a ideia.

Piquetes para derrotar a prova

Os professores têm vinte dias para organizar uma vitória contra a prova de Nuno Crato. Ela é possível. Derrotar a prova é derrubar Crato. Artigo de Miguel Reis e Belandina Vaz.

Muito obrigado, Margarida, mas neste momento não há parede disponível… o melhor que consigo é enquadrá-lo nas estantes, sendo que neste caso, logo atrás, estão alguns exemplares da minha obra incompleta e ao redor alguma ficção mais ou menos escapista…

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ComviteAutonomia

O programa completo aparecerá em breve.O espaço tem 300 lugares, façam-se convidados.

A Constituição a ser revista é por nós. Nunca de fora

.

Se não estivéssemos em tempos de tamanha austeridade, que parece não ter outro objectivo que não a própria austeridade.

Se não estivéssemos com um Governo mau e com alternativas tão pouco viáveis.

Se tivéssemos com um PR apropriado a este difícil momento.

Se não tivéssemos alguns – bastantes, demasiados – média, que vivem, de e para o sensacionalismo.

Se não estivéssemos demasiado entristecidos e desesperançados com “tudo isto”, não andaria a Constituição, nem o Tribunal de Contas nas bocas de todos, de manhã, à tarde e à noite.

Mas, com estes “se”, a Constituição passou a ser o bode expiatório de todas as incapacidades dos diversos Poderes Constituídos, de, com alguma normalidade, fazerem o País funcionar, por forma a fazermos – aqui, todos – com que tenhamos futuro cá dentro, com um mínimo de qualidade de vida.

Por certo que, a Constituição possa ter que ser mais reduzida, não tão regulamentadora, uma base sólida, mas menos pesada. Porém, não é este o tempo de poder ser revista, pelos “se” atrás referidos.

Esperemos que tal venha a poder acontecer, com calma ser revista, mas sem quaisquer nacionalismos bacocos fora de tempo, ou o inverso, e terá que ser feito por nós, connosco e sem recados permanentes de alguns cá de dentro, e muitíssimo mais grave, de demasiados “lá de fora”.

Já chega de não poucos supostamente “responsáveis” internos, quando vão lá fora ou recebem “cá dentro” os de “lá de fora, a quem prestam venerações” criticarem aberta ou dissimuladamente a Constituição. Chega!

Tudo no seu tempo, lugar e espaço, mesmo que numa prespectiva ainda muito ilusória de haver ou poder vir a sermos, uma verdadeira União Europeia – e não está manta de retalhos – este é o momento de respeitar a Constituição e o Tribunal Constitucional que temos. Que somos!

E se cada Poder instituído e até as Oposições e outros que já nem isso são, cumprirem com as suas funções, talvez a Constituição e o Tribunal Constitucional, não fossem termo de tanta obstinação.

Augusto Küttner de Magalhães

Novembro 2013

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