Sábado, 30 de Novembro, 2013


Porque a prova feita pelos alunos foi com menos perguntas do que será a dos professores, mas mesmo assim a intenção inicial de a aplicar aos alunos de 6º ano revela bem algumas coisas…

Já quanto aos países que aplicam este tipo de prova, a propaganda do MEC cai pela base. O mesmo para quem associa este tipo de prova à existência de uma ordem profissional, como ac0ntece com alguns ortodoxos que temem muita essa possibilidade de auto-regulação, preferindo serem humilhados a partir de fora.

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Expresso, 30 de Novembro de 2013

 

E é o do costume… meter toda a gente a acusar-se mutuamente e a engrossar a voz sem se olhar ao espelho.

Por ter sido partilhado directamente no meu mural do fbook, reproduzo aqui a recusa de uma colega (Luísa Magalhães) em participar nesta palhaçada, numa atitude de verdadeira coerência, mesmo se assim mantém as suas oportunidades menos em aberto, para citar um grande líder de manifestações, em tempos professor.

E pronto, não me inscrevi na dita prova para professores!!!!
E porque ainda há pessoal com espinha dorsal!
“Vá xinguem-me à vontade, principalmente quem é a favor daquela bela m*rda ou então quem vai fazer porque acredita que pagando, consegue uma colocação no próximo ano…pelo amor dedeus, ganhai juízo nessas cabecinhas e já agora ponham-nas a funcionar!!!

Fi-lo em consciência e se me vou arrepender futuramente ainda não o sei, mas logo vejo as opções que vão surgir…afinal, toda a minha vida tem sido feita disso mesmo…opções!!”

Agora reparem num dos comentários que lá apareceu e que me fez amarinhar pelas paredes:

os professores do quadro que alinharem nessa farsa esses sim é que devem ser “xingados”. Numa primeira fase deviam ser postos de quarentena e ninguém lhes falar, ninguém os ouvir em suma ostracizados. Podiam ser postos por exemplo numa gaiola para exibição futura em feiras e circos. Assim tipo porcos. A classe sempre andou por baixo mas agora pode bater no fundo.

Em primeiro lugar, este é o tipo de linguagem agressiva e trauliteira que faz muito pouco por qualquer solidariedade activa com a causa dos contratados, pois é do género ou fazes o que me dá jeito (a mim que me inscrevi e não tive a tomatina de não inscrever) ou és um porco fascista (estou a caricaturar, claro). Em segundo, quem poria nos tais professores colaboracionistas de quarentena? Os contratados aprovados, logo que (em 20120-2025) conseguirem mais umas vinculações extraordinárias? Em terceiro, esta postura é muito vulnerável ao contra-ataque dos professores do quadro que viram muitos contratados ir vigiar os exames dos alunos há poucos meses, alegando que estavam numa posição muito vulnerável para entrar numa luta (a das horas lectivas e não só) que não era deles, pois nem sequer beneficiam das reduções do artigo 79º.

O MEC já conseguiu o que é habitual. Em vez de uma oposição concertada, sem declarações disparatadas dos grandes líderes mal lhes metem a porcaria de um microfone à frente dos olhos e da boca, com multiplicação de mensagens públicas de luta enquanto em privado se admite que a coisa está muito difícil, acabamos por ter uma fragmentação desnecessária, com hesitações, detecção de potenciais bodes expiatórios e batida em retirada da própria consciência.

Claro que a mensagem deveria ser a da não inscrição e não a da convocatória para passeatas que têm pouco para correr bem por comparação a outras. Ou então uma estratégia de boicote claro – mas espera-se isso de gente que prima pela responsabilidade e fica satisfeita quando o governo elogia a sua contestação bem comportada? – através da dupla ou tripla inscrição por forma a termos 100.000 e3 não 40.000 candidatos à prova, tornando-a verdadeiramente impraticável, mesmo que os sindicatos tivessem de arcar com esses custos.

Se podem andar a comentar em blogues sob perfis falsos, também poderiam fazer isso, pois quem vem e veio aqui (e a outros blogues) só para tentar ofender e desestabilizar, daria o seu tempo por bem melhor aplicado se o dirigisse contra diz ser o Grande Malfeitor.

Mas isso implicaria a saída da zona de conforte e o assumir de uma estratégia de confronto aberto, mas a sério, não o das passeatas que já deram o que tinham a dar.

Se Crato e muitas das suas ideias vierem a cair, a médio prazo, será por serem manifestamente despropositadas e não por causa de cartazes de ocasião pela rua de São Bento abaixo, por muito legítima que seja essa forma de protesto. Mesmo se já vimos que não funciona sem ser para créditos na progressão na carreira de lutador-agora, autarca-depois ou coisa parecida.

Recomendar-se-ia que, perante sucessivos fracassos, se apostasse numa nova forma de fazer as coisas e se investisse em menos comunicados dos secretariados e mais em formas concretas e reais de boicotar a prova.

Se é que estão mesmo contra ela.

Porque com base nos elementos que disponho até à data, recolhidos por observação directa de todos nos últimos meses e anos: haverá sempre quem vigie boa parte ou a quase totalidade das provas (basta mandar fazê-la nas escolas onde os directores conseguiram que a greve às avaliações e exames quase não fizesse efeito) e haverá sempre quem ache que é bom a avaliar colegas, mesmo se nunca prestou provas de competência para isso.

E em vez de dizer, com utilidade nula, que devem ser tratados como porcos, a ostracizar e a mostrar em montras, deveria apostar-se em demonstrar como é a união voluntária que faz a verdadeira força.

Um último detalhe… se procuram um espaço onde se ecoem discursos oficiais de luta de forma acrítica e truncando os factos para esta se enquadrar na construção mítica da realidade, este não é o endereço certo.

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