… mas vejo e revejo os títulos das notícias, calcorreio os mails e mensagens “de luta” e plano sobre os escribas do regime que se arvoram em defensores da qualidade e responsabilização e dá-me uma enorme vontade de desatar à bengalada (virtual ou não só) a todo este cortejo de inanidades que não vai dar a lado nenhum.

Lorvão1b

Estou cansado do soares velhos e da sua comitiva, do cavaco sempre velho e dos seus , do passos e do seguro velhos à nascença, para não falar de bicefalias e monocefalias. Do costa manhoso e do rio ardiloso, gente de coragem meã, esperanças de quem se satisfaz com quem está sempre à espera da falha alheia e de calculadora em punho. Estou cansado desta pilha desgraçada de clientelas que se resumem a uma única quando a coisa aperta a sério, que é aquela que se encosta a todo e qualquer poder que permita afastar a arraia miúda a que se pede o voto, se interpreta o voto branco ou nulo ou se ofende a abstenção. Estou enjoado dos desfiles em aulas magnas ou magras, assim como daqueles encontros de empresários e inovadores anunciados a página inteira na imprensa que resta.

Estou cansado de desfiles de vaidades e desalinhamentos que, mal aparece a oportunidade, tratam logo de se querer transformar em algo parecido ao que abandonaram. Começo a abominar seriamente os apologistas da unicidade que outrora criticavam, ou da unidade feita a partir da facção. O mesmo digo dos salvadores da pátria, rosalinos de voz pífia nas vezes do gaspar atardalhado, que não conseguem alinhavar dois pensamentos fora da caixinha, muito menos ser permeáveis a ideias, tamanha a camada de laca para manter o cabelo no sítio.

Bem sei que este é ainda o melhor modelo de funcionamento político-social que se conseguiu arranjar para as sociedades contemporâneas, ir de 4 em 4 anos depositar o voto e pelo meio assistir aos noticiários e às coreografias na base ou topo das escadarias. Mas não chega. Já não chega.

Razão tinha o outro que falava do pântano e só espero que sejam falsos os alarmes de que quer presidir ao lamaçal. E só para não parecer o engenheiro e para dar ares oitocentistas – que parecem bem a todos os queirosianos de citador – é que digo que esta choldra é uma pocilga e não uso terminologia mais escatológica.

Mas que a nossa vida pública, em geral, e política, em particular, está um verdadeiro monturo, penso não existirem dúvidas. Basta pensar que o barroso está quase aí de regresso e prestes a juntar-se aos arnôs e aos morais.

Pena não ter dinheiros da mamã para ir arejar a Paris de França ou ter avental ou crucifixo à mão para me arranjarem uma estadia qualquer numa organização internacional, tipo Nova Iorque da América.

Verdade, verdadinha, estou mesmo fartinho disto tudo, da previsibilidade de tudo e todos, da mediania que nem sequer é tão divertida como a óbvia mediocridade. De ouvir o início da primeira frase e conseguir adivinhar as 100 páginas seguintes do guião, do discurso, da indignação. Estou farto de saber a que horas terminam e onde acabam as revoltas de ocasião.

Estou farto dos pachecos sempre acima de tudo, mais da quadratura, do eixo, dos das neves e dos frasquinhos, do não sei quantos do PS que vai para a Coreia e do outro que bate em tudo o que mexe com saias. Gente rasca, gente de valores em caixa mas não na conduta. Gente encostada até mais não a apontar o dedo a quem deviam respeitar. Que aceita o primeiro ou segundo assento que lhes estendem e depois só volta a latir quando percebem que a fláde lhes escapa para um qualquer rato de jardim.

E assim podia continuar o resto da tarde.

Sei dos limites destas diatribes pessoais, que são recorrentes, pouco originais e vulneráveis a muitos dedos apontados mas… que se lixe, de quando em vez há que libertar um avo do que fica atravessado dia após dia na garganta e só serve para agravar o sentimento de claustrofobia total.

Lorvão