Dias especiais. Porquê? Para quê?

 

Devo estar errado mas não me agradam “dias especiais”. Dias aprazados para comemorar Pessoas ou coisas, e parece que não havendo ” estes dias especiais”, não são “comemoradas”, no caso, as Pessoas.

E a propósito do Dia da Mãe, que é o mais recentemente comemorado, fazem-me estes “dias especiais, próprios, determinados”,  alguma confusão, como o do Pai ou de quem mais possa ser. O da Mulher, por exemplo!

Não sei o que é ter mãe, a minha morreu quando nasci. Mas vejo muitas mulheres , mães, o caso da minha mulher, e sei-a ser mãe. Mas assumo que não precisem de ser festejadas uma vez por ano, com flores, hoje 5 de Maio de 2013, vi tantas pessoas de flor na mão, se calhar a última que entregaram a suas Mães foi há um ano. Se calhar – estou a ser tao injusto! – neste espaço de tempo não mais viram a mãe, se calhar hoje fazem “o sacrifício” de estar bastante tempo com a mãe, e depois despedem-se aliviados, deixando as flores – que desperdício de dinheiro, estavam tão bem plantadas! -, um doce, uma festa na cara, e um até mais. E o até mais, será dentro daqui a um ano, a 5 de Maio, se a mãe até lá, ainda estiver viva.

Parece-me ainda para mais em tempo de tantas crises como as que nos estão a cair em cima, a Mãe, é-o todos os dias. E todas as outras Pessoas com dias “marcados”! Mas não tem que ter que ser visitada, a Pessoa, todos os dias. Não é necessário ligar-lhe todos os dias. Basta de tempo em tempo, não demasiado espaçado , com genuína vontade telefonar à mãe – no caso – , estar com a mãe, sem ter que lhe dar uma flor, mas “dando-se como filha ou filho”. Qual necessidade de “um dia determinado e nesse dia determinado”  fazer tudo e tanto que não mais se faz, que dentro de um ano.

Deveria era haver dias, todos os dias para nos lembrar que devemos viver com respeito pelos outros, para os outros por nós terem igualmente respeito. E substituindo – similarmente –  respeito por carinho, afecto, compreensão, entreajuda, teríamos por certo melhores vivências entre todos e a  cada dia.

E aqui e agora, foi o dia especifico da Mãe. Mas também  há dias, o do Pai. Sou pai e felizmente foi um dia como todos os restantes, desde que sou pai. E o da Mulher, e o de tantas mais Pessoas e outras tantas Situações que não “o são” desse único dia do ano, mas de todos os dias da vida de cada um.

Temos que, até nisto talvez ficar diferentes, para melhor. Mas como devo estar errado – sou injusto! – , tudo vai ficar na mesma., mais uns dias se vão criando. E uma vez por ano muitos os lembram  – para logo o esquecer! – que ainda têm  Mães, há mais daqui a um ano!

 

A. Küttner de Magalhães