Sexta-feira, 22 de Novembro, 2013


Istá iNdentificado u erru sinhor menistru

… num texto para o jornal I de amanhã, em que parece que terei o imenso prazer de estar de novo em desacordo com aquele ex-ministro muito normalzinho e pouco estranho, o Couto dos Santos.

Prova de avaliação é “apatetada”, “ridícula”, “absurda”, “básica” e “desadequada”, classificam os professores

Ler o bisonho e encostado Ramiro a considerar que isto é o caminho para o rigor na avaliação dos candidatos a professores é a parte mais divertida de todas… pelos vistos ele andou a formar professores décadas a fio que não sabem interpretar a intersecção de grupos representados graficamente… Ele lá sabe como tem ganho a vida…

Na sequência da divulgação dos critérios de correção apresentados para a PACC, dediquei-me a rever (apenas) alguns dos documentos produzidos e divulgados pelo Ministério da Educação segundo esses mesmos critérios.

Fica(m) a(s) prova(s) de que naquele organismo seguem a velha máxima do “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”, porque, se assim for, lixas-te.
A ofensa linguística mais gritante, com que, na qualidade de candidata a professora atualmente com isenção de horário, me deparo diariamente, é a que surge na caixa do SIGRHE destinada a formalizar uma oferta de escola. Aquela vírgula ofende-me continuamente e frustra-me num grau inexplicável…
Tudo isto seria cómico, se não fosse trágico.
Obrigada.
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M. Esteves
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Fica aqui para que possa medir um pouco a incompetência técnica da coisa: InfPACC2013 Anotada

Quem for fazer à espera de ficar aprovado por ser “fácil” demonstra algo que não quero caracterizar..

Escola Municipal vai avançar em Óbidos no próximo ano letivo

A Escola Municipal de Óbidos vai, finalmente, avançar no próximo ano letivo. A garantia saiu de uma reunião, que decorreu a semana passada, entre o presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Humberto Marques, a vereadora da Educação, Celeste Afonso, e os ministros da Educação, Nuno Crato, e do Desenvolvimento Regional, Poiares Maduro. Um processo que vai começar em 2014, depois de muitos anos de reordenamento educativo e de um investimento de 23 milhões de euros em novas infraestruturas escolares.

O recrutamento dos docentes vai ser algo “divertido”.

O modelo da prova de acesso à carreira

20-11-2013 Audição da FENPROF na Comissão de Educação, Ciência e Cultura sobre a prova de admissão à carreira docente

O destaque para o deputado Michael Seufert (18:20) e a confusão que vai naquela cabeça (apesar de ter assessores que percebem alguma coisa disto… acho eu… deve ser da incapacidade de retenção de informação, porque eu não acredito que seja má fé…)

  • Completar provérbios.
  • Completar sequências geométricas.
  • Ordenar alfabeticamente palavras iniciadas com a letra X.

ABAIXO-ASSINADO

O MEC quer impor uma prova de acesso à profissão de professor a profissionais que já nela ingressaram, alegadamente para avaliação de capacidades e conhecimentos. Ora, muitos destes professores, apesar de não pertencerem aos quadros do Ministério da Educação, já exercem a profissão há mais de dez ou quinze anos de serviço (ou até mais) e foram várias vezes avaliados com notações de Bom, Muito Bom e Excelente, não se percebendo por isso que esta prova seja considerada agora pré-requisito necessário para futuros concursos de colocação de professores.

Ser professor implica formação e provas sucessivas de avaliação constantes – cinco anos de formação académica superior e um ano de estágio profissional, antes da entrada na carreira, como ainda outro ano de período probatório, depois da entrada na carreira. Faz, também, parte do enquadramento geral de pré-requisitos para concurso à carreira ou função de professor, a realização de uma prova de avaliação de conhecimentos e capacidades, para aqueles profissionais que, desempenhando a função de professores, tenham obtido na avaliação do desempenho menção qualitativa inferior a Bom.

O que o quadro legislativo agora aplicado pelo Ministério da Educação preconiza é a obrigatoriedade de realização de uma prova de avaliação de conhecimentos e capacidades, para todos os professores que não fazem parte dos quadros do Ministério da Educação, questionando objetivamente a qualidade do seu trabalho realizado, em muitos casos, durante décadas, ao serviço da educação pública em Portugal, e assim debilitando globalmente a imagem e o estatuto da profissão de Professor, junto dos alunos e dos cidadãos portugueses em geral.

Os abaixo assinados, professores dos quadros do Ministério da Educação a lecionar no Agrupamento de Escolas de Barcelos, entendem esta deliberação governamental como profissionalmente inaceitável e indigna e comprometem-se a em nenhuma circunstância se disporem a vigiar ou, muito menos, corrigir as referidas provas, se a isso vierem a ser chamados, por entenderem que essa tarefa se afasta quer de qualquer enquadramento legal ou funcional da profissão de professor, quer de um mínimo de dignidade e deontologia profissionais.

O presente abaixo-assinado será enviado para os órgãos da administração educativa, da soberania nacional e comunicação social.

Agrupamento de Escolas de Barcelos, 21 de Novembro de 2013

Item de construção (resposta extensa orientada)
Só são consideradas para classificação as respostas legíveis e cuja extensão seja superior a 150 e
inferior a 450 palavras1.
Na classificação deste item, só é considerada correta a grafia que segue o que se encontra previsto
no Acordo Ortográfico de 1990, atualmente em vigor.

Guia da prova
Divulga-se o Guia da Prova e os respetivos anexos

Guia da Prova

Anexo I – Informação-Prova | Componente Comum
Anexo II – Informação-Prova | Componente Especifica (a disponibilizar de acordo com o número 4 do Capítulo III do Guia)

Anexo III – Folhas de respostas – Folha 1 | Folha 2

Isto ultrapassa largamente as minhas piores expectativas acerca da estupidez desta prova, que poderia ser um teste daqueles que apareciam nas revistas do Reader’s Digest quando eu era puto e as fazia para entreter alguma tarde de Verão especialmente entediante.
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Nem sei porque não se limitaram a aplicar um teste-padrão +para determinação rápida de QI.

Assim como pode ser entendida a partir de escritos recentes de Alexandre Homem Cristo e José Manuel Fernandes, que ainda são daqueles escribas que, por os conhecer pessoalmente e compreender as suas circunstâncias, me merecem o contraditório em tom bem humorado:

  • Afinal a defesa da liberdade de escolha não é ideológica, pois o que pretendem é melhorar o serviço público de Educação e torná-lo economicamente mais barato. Quem há poucos tempo os ouvia clamar que o valor da “liberdade” (para alguns) estava acima de qualquer outro estava a ouvir mal.
  • Mas, afinal o que está em causa também não é a racionalidade económica de tal medida, porque quando se argumenta que é possível absorver os alunos das escolas privadas com contrato de associação numa rede pública em contracção, argumentam que, enfim, o que interessa é a qualidade do serviço.
  • Só que, afinal, não é qualidade do serviço que interessa mal se chama a atenção para o facto das escolas com contrato de associação não estarem assim tão bem colocadas nos rankings e, pelo contrário, ficarem atrás das melhores escolas públicas, passando a ser defendido que o que interessa mesmo é a satisfação “das famílias”.
  • Quando se pergunta de que “famílias” estão a falar, se não estão apenas a pedir apoio para quem já é privilegiado, passam a dizer que isso agora não interessa nada que o que interessa é o valor supremo da “liberdade”.

E voltamos ao debate ideológico sobre a instrumentalização do conceito, que é quando – quando percebem que estão a deitar borda fora valores constitutivos dessa mesma liberdade, pois encaram-na de uma forma redutora ou, no limite, primitiva, em que impera a liberdade do mais forte – eles começam a dizer que o debate não é ideológico da parte deles que é dos outros.

E assim, por aí fora… em circuito fechado.

Foto1899