Caros/Caras colegas | Amigos e amigas,
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Como sabem dia 18 de dezembro será o dia da prova de avaliação de conhecimentos e capacidades dos colegas contratados. Comenta-se que serão colegas do quadro a vigiar a prova de avaliação dos contratados. A ser verdade esta informação (desejo que não!), espero que esses mesmos colegas se neguem a fazê-lo, que não pactuem com esta vergonha… Que sejam solidários com os  colegas contratados, que são professores que apenas não entraram nos quadros (alguns dos contratados têm mais tempo de serviço que alguns colegas do quadro – como todos sabemos, depende do grupo; outros não terão, mas o que verdadeiramente interessa é que TODOS têm a profissionalização).Não esquecer que os professores contratados são avaliados anualmente e de acordo com o regulamentado pelo ME – afinal esta avaliação não serve???Tantos de nós com quase (ou mais) de duas décadas de ensino, com um investimento constante na sua formação pessoal e profissional – perguntamos: “Isto não tem valor?”

Precisamos de fazer um exame, que em nada vai demonstrar a nossa competência ou capacidade pedagógica, apenas porque o Sr Ministro da Educação assim o decidiu. Esse mesmo senhor, que não conhece a realidade das nossas escolas, e que todos sabem que tudo está a fazer tudo para acabar com a Escola Pública. E não é com uma escola pública qualquer, é com uma escola pública de qualidade.

Tenham coragem, senhores que governam… tenham coragem e fechem os cursos sem qualidade, façam uma avaliação séria às universidades e à qualidade dos cursos/formação que oferecem…

Se pensarmos, analisarmos seriamente este assunto, esta prova é um atestado de humilhação a todos os professores contratados e um atestado de incompetência às universidades que têm os cursos via ensino. De nada serve o certificado que as Universidades nos passam? De nada serve a formação e qualificação PROFISSIONAL dada pelas universidades?

Deixem-nos ensinar. 

Deixem-nos ter paz para fazermos o que sabemos fazer – dar aulas, estar com os nossos alunos, investirmos nas nossas próprias opções de formação para melhorarmos a nossa qualidade de ensino! 

Deixem-nos em paz, para que possamos tranquilamente refletir sobre o que de facto importa:

 – as nossas práticas; 

– os conteúdos a lecionar e como lecioná-los de forma a chegar a todos os alunos; 

– as nossas interações com as escolas e com os alunos;

–  os nossos projectos escola-comunidade… 

sim, paz para pensarmos no que é importante!!

Sinto-me indignada e farta do constante ataque aos professores por parte do governo e perplexa com tamanha passividade da nossa parte – vamos ficar quietos a ver a nossa vida a ser roubada?

Chamo-me Tânia Sardinha Vieira e sou professora contratada há dezasseis anos.

Sou professora de Artes Visuais (3ºCEB e SEC), especializada em Educação Especial (EE) – profissionalizada! 

Por todas as escolas por onde passei, vesti a camisola… sempre!

Implementei projetos e colaborei em tantos outros. 

Levei as escolas à comunidade. Trouxe a comunidade tantas vezes às Escolas.

Sim.. tudo o que faço (e continuarei a fazer, se me deixarem!), é porque ADORO SER PROFESSORA! 

Porque uma sala de aula é para mim um palco vivo de interações, de partilha de saberes e um espaço sério, muito sério… que tem de ser olhado e tratado com muito RESPEITO, pois é um palco onde se cresce em tempo real, onde se aprendem valores e princípios (tantos deles implícitos nas nossas práticas como docentes). Um palco vivo onde o outro é um SER QUE MERECE TODA A NOSSA ATENÇÃO, o nosso olhar atento aos seus feedbacks, às suas aprendizagens, às suas alegrias e às suas tristezas. 

Tantos silêncios que gritam dentro das nossas salas, das nossas escolas. 

Tanta esperança que cresce à nossa frente… tanta voz que se faz na nossa presença… e precisamos de paz para podermos escutar tudo isto!

Precisamos de tranquilidade na carreira, precisamos de não perder tempo com coisas que não são importantes.

Nunca parei de investir em mim (como tantos outros colegas que conheço – contratados ou não!). Fiz a profissionalização em serviço (terminei com 19 valores), fiz o mestrado já há alguns anos e presentemente encontro-me a fazer o doutoramento. Nada disto serve, senhor Ministro da Educação?? 

Neste 16 anos de ensino fui sempre avaliada (com classificações de Excelente e MB)… avaliada segundo as regras criadas pelo ME e agora este percurso de nada vale??

Como eu, há muitíssimos professores (meus colegas) com percursos análogos. Temos uma escola cheia de excelentes professores (independentemente da sua categoria ou grupo). 

Professores que tantas vezes não têm condições, nem os recursos necessários e mesmo assim FAZEM. 

Professores que ainda acreditam que vale a pena investir, porque é pela educação que um país marca a diferença

Professores que sabem que a EDUCAÇÃO é muito mais que o português e a matemática… muito mais! [E com isto não pretendo diminuir a importância destas disciplinas, mas são mais duas de um currículo diverso – não são as únicas]

Professores que sabem que só se pode crescer de forma plena quem desenvolve outras competências, tais como: as competências emocionais, as sociais e as relacionais (entre tantas outras). 

Professores que sabem e que acreditam que os alunos que desenvolverem a capacidade de ver o mundo, com o olhos de quem sente e conhece as estrelas, que desenvolverem a qualidade de serem solidários serão homens e mulheres diferentes, mais capazes, mais interventivos, mais conscientes e críticos. 

 

Esta é a escola que eu defendo. A escola onde cada criança e jovem pode aprender a SER um cidadão com sentido crítico, livre, solidário e sensível ao outro. Esta é a escola à qual pertenço e pela qual irei sempre lutar.

Uma escola “de”, “com” e “para” todos, onde a palavra diferença é substituída pela palavra diversidade… onde há espaço para todos!

Juntos podemos fazer a diferença… acredito nisto!

 

Tânia Sardinha | 21 DE NOVEMBRO DE 2013

(professora contratada do Agr. de Escolas de Albergaria-a-Velha 2013/2014)