Quarta-feira, 13 de Novembro, 2013


Billy Idol, Dancing With Myself

https://educar.wordpress.com/2013/05/12/comeca-o-dia-75/

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Soares compara o seu exílio aos dois anos de Sócrates em Paris

O ex-presidente da República Mário Soares comparou os seus quatro anos de exílio em Paris aos dois anos que José Sócrates passou a estudar na capital francesa, considerando que Sócrates, como ele, é um homem diferente depois desta experiência.

… entre a vontade de instruir e formar e a atitude de indiferença daqueles que não encontram sentido nisto. Desgasta muito e por vezes interrogamo-nos -mesmo que de passagem – sobre quem está certo.

Professores a trabalhar desde Setembro e sem ordenado, AECs dos Olivais.

Arco Maior, projecto piloto da Universidade Católica e Santa Casa da Misericórdia para combater o abandono escolar

ENSINOS OFICIAL, CONVENCIONADO E PRIVADO

“Maldito seja quem e se nega aos seus nas horas apertadas” (Miguel Torga).

Perante uma aparente apatia de escolas oficiais confrontadas com o ensino privado com contrato de associação (para o qual a lei estabelece condições que nem sempre têm sido cumpridas), estão grande número delas transformadas em verdadeiros elefantes brancos com instalações luxuosas carenciadas de alunos e, ipso facto,  com professores com horários zero que fazem pairar nuvens negras sobre o seu futuro.

Em consequência,  tive como muito oportuno e de grande interesse  um artigo de opinião do António Rendas, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (PÚBLICO, 11/11/2013), em memória exaltante “Ao meu velho amigo  Liceu Camões”, por ele  assim havido em título de artigo. Parafraseando Miguel Torga, isentando-se, desta forma, da  maldição de se negar a um ensino da sua saudosa recordação.. .

Este facto é  tanto mais de enaltecer por me parecer que se tornou tabu discutir esta temática  no olvido de umas tantas personagens  que  deram aos liceus um estatuto de grande honorabilidade ( no caso do  Pedro Nunes, ”verbi gratia”, Nuno Crato, ministro da Educação, Marcelo Rebelo de Sousa, catedrático de Direito e Francisco Pinto Balsemão, fundador do “Expresso”),  E tantas outras gente ilustre e ilustrada , ex-alunos de outros liceus do país ( não sei porque carga de água, hoje crismados de escolas secundárias) que pontificam em numerosos aspectos científicos, culturais e artísticos da sociedade portuguesa.

Em abono da verdade se diga que no statu quo actual  escolas oficiais há de sucesso  que tudo fazem para tentarem sobreviver com galhardia da crise que assola o ensino em Portugal. Como mero exemplo, ditado pela posição de destaque no ranking nacional,  em função da média das notas de exames nacionais do 12.º ano, o caso da Escola Secundária Infanta D. Maria, de Coimbra. Sem esquecer, e muito menos desconsiderar, outras escolas estatais das margens do Mondego ou de outras partes do território nacional. Que fique bem claro: a minha defesa em prol das escolas oficiais não significa, de forma alguma, um ataque cerrado e cego às escolas privadas convencionadas. Apenas a cada uma delas (oficiais e convencionadas) um destino que não transforme  as escolas estatais numa espécie de vazadouro de alunos que por elas optam como último recurso e não como eleição deliberada de tempos de glória  na memória colectiva dos portugueses.

Mas grande parte desta polémica, que está longe de ter chegado ao fim, reduz-se a uma coisa tão simples como esta: dever ser o ensino privado com contrato de associação uma alternativa ao ensino público inexistente numa determinada área e não mera satisfação megalómana de famílias não muito abonadas que gostam de blasonar a “riqueza” de terem os filhos a estudar em colégios à custa do erário público, o dinheiro dos impostos de todos nós.

Em plena época de grave crise económica, promover uma situação de favor para o ensino privado subsidiado pelos cofres do Estado, poderá ser uma forma de transformar o ensino privado, com longa e valorosa tradição (em minha lembrança e a título de mero exemplo, o Colégio Valsassina de Lisboa, membro-honorário da Ordem de Instrução Pública)) num barco em perigo de adernar por, em nome da sua independência, dispensar quaisquer formas de subsídios estatais. Salvo melhor opinião, reduzir esta questão ao binário ensino oficial/ensino privado convencionado poderá ter como consequência trágica  ferir de morte o ensino privado “tout court”.

Contrariando um exagerado pessimismo da alma lusitana, de que receio me ter feito intérprete, Almada Negreiros deixou-nos, todavia,  lampejos de esperança: “Os dias terríveis são, afinal, as vésperas dos dias admiráveis”. Mas que cheguem rapidamente esses dias em benefício da sociedade portuguesa fustigada por ventos constantes de mudança do sistema educativo que em nada ajudam o equilíbrio emocional da sua juventude prejudicando mesmo  o seu rendimento escolar! Para não me pesar na consciência um silêncio cúmplice  sobre um assunto que carece urgentemente de clarificação dando a César o que é de César,  respaldo-me em Pitigrilli: “Tudo deve ser discutido. Sobre isso não há duvida”!

Para que o ensino oficial não possa ser subvertido por interesses político/económicos do ensino convencionado, ainda que em mero dever de cidadania, discuta-se, pois, um assunto que volta a estar nas luzes da ribalta por se tratar  (ou dever tratar) de uma questão de verdadeiro interesse nacional que pode pôr em risco as gerações actuais e futuras.

Rui Baptista

Claro que podem dizer que a troca não é directa, mas a verdade é que se retira a quem precisa mais (alunos com NEE) para dar a quem menos preciosa ou nem sequer precisa (as famílias que querem os seus rebentos nos colégios da moda).

Educação Especial perde mais de 14 milhões

Claro que vão dizer que não é assim, que isto é demagógico, mas se não reservassem mais de 19 milhões para os cheques seria preciso cortar no apoio aos miúdos com mais problemas e para os quais a solução desejada é atirá-los para a ramirice vocacional cuja generalização está a dar origem a coisas muito piores do que o que se passava com os CEF, seja em termos de comportamento quanto de conteúdo.

Há é medo em dizer a mistificação que vai por aí sobre uma das decisões mais demagógicas e mal fundamentadas dos últimos anos em matéria de Educação, equivalente àquela proliferação de cursos superiores sem qualquer sentido.

… o que havia era decoro na sua aplicação, no caso dos contratos simples. Agora, o objectivo é financiar directamente colégios, através dos alunos, que não têm contrato de associação.

Aconselharia um mínimo, de pudor e coerência que se o o apoio é “às famílias” desaparecessem os contratos de associação, pagos por turmas e não pelo número de alunos que as frequentam.

A contrapartida para a introdução desta nova forma de apoio deveria ser o fim da anterior em todas as zonas onde existe oferta pública. Não faz sentido limitar a abertura de turmas nas escolas públicas só porque existem escolas privadas nas redondezas.

A fronteira aberta pelo cheque-ensino

A proposta do Governo tem muitas perguntas sem resposta. Que papel terá a comunidade no futuro?

Sobre o resto já estou cansado de escrever. Não se trata de nenhuma questão de “liberdade”, a menos que por “liberdade” se entenda a “libertação” de 5000 alunos que não sabemos como serão escolhidos. E onde. E para que destinos.

A “liberdade” quando é restrita a um número de “escolhidos a dedo” não é “liberdade”. Ou se assume uma generalização do cheque-ensino, com apoios diferenciados com base nos rendimentos, ou então deixemo-nos de fingimentos e tretas. Esta é uma medida que vai culminar numa falsa “liberdade”.

Não há dinheiro para mais?

Então não há vícios ou luxos…

 

Cronicas

Henricartoon23

(c) Henrique Monteiro

rodeado de küs indiferenciados por todos os lados.