Domingo, 10 de Novembro, 2013


Okkervil River, Lost Coastlines

As sete primeiras palavras da bosta de amanhã… estão certas!

Warning letters sent to more than 30 academy schools

Department for Education writes to 34 sponsored academies telling them to improve performance or face action.

comemorar o desígnio no Campo Pequeno

Há uns anos ainda disfarçavam. Agora assumem às claras e quando alguém diz que a “liberdade de escolha” desregulada promove a segregação, eles acenam e dizem que ainda bem.

3. Escolas públicas continuam a apresentar como mais valia o facto de não seleccionarem alunos. Tudo o que um pai de classe média com aspirações não deseja para o filho.

4. Há directores de escola que apresentam como mais valia da sua escola (pública) os alunos não acabarem na prisão. É bom, mas não impressiona. Não atrai classe média. Não sei bem quem possa atrair com este discurso.

5. Escolas com o pior contexto sócio-económico são também as que têm piores resultados nos exames nacionais. Não há mesmo nada que as recomende. Quem as frequenta? Quem não pode ou nem tem noção que devia poder escolher melhor.

6. Não se percebe bem como é que as escolas públicas num contexto sócio-económico mau e com maus resultados (a regra) podem melhorar. É que estas escolas não têm capacidade de atrair os melhores proofessores nem têm mecanismos de gestão (escolha de professores,  por exemplo). É mesmo improvável que tenham um director interessado em desenvolver a escola. Directores continuam a ser escolhidos com base nos interesses egoístas e mesquinhos dos professores e da pequena política local.

7. A esquerda continua a agarrar-se ao contexto sócio-económico como desculpa dos maus resultados do ensino público. É uma declaração de impotência e rendição às virtudes da selecção de alunos e da gestão privada. Sim, a escola privada pode fazer escolhas: alunos, professores, instalações, métodos de ensino. A pública é o que calha.

Esta é a mentalidade dos que defendem que os que estão pior assim deve permanecer e não atrapalhar as elites.

Este é o retrato real e sem filtro da mentalidade dos putos tóxicos que querem o que acham bom e exclusivo para si e os outros que se resignem ao determinismo do insucesso.

É o preconceito elevado a regra social.

Eu próprio ouvi a alguém com demasiadas responsabilidades nesta situação dizer, sem problemas, que “é necessário tirar esses tipos das aulas”. E não nego quem em muitas salas de professores há ancoragem para este tipo de discurso, sem entenderem bem as suas consequências práticas. Parece atractivo e quase “lógico”, mas… tem custos nem sempre perceptíveis enquanto as pessoas salivam.

Não acho que seja uma questão de Esquerda/Direita mas apenas de quem acha que a Humanidade não deveria ter evoluído do esclavagismo para a liberdade, porque há quem não mereça estar junto de…

É mentira que sejam liberais.

Liberalismo a sério é o contrário desta tacanhez.

10 Notas sobre os Rankings das escolas

O MEC forneceu à imprensa os dados sobre o contexto sócio-económico e académico das famílias dos alunos. Porque não o fizeram as escolas privadas, para que se pudessem estabelecer comparações?

Os dados não seriam nominais, não existiria qualquer problema de privacidade…

Ou será que… isso revelaria que, provavelmente, até deveriam ter melhores resultados do que já têm e que andar a catar o cheque-ensino ao Estado é de uma enorme falta de… valores… (fiquemo-nos assim).

Que moralidade têm os defensores da liberdade de escolha ao exigirem transparência e informação ao Estado quando são eles os primeiros a não fazer o que exigem a terceiros?

Se o sector público deve prestar contas quanto ao uso do dinheiro dos contribuintes, o que dizer daqueles que o querem usar sem sequer se dignarem fazer o mesmo?

Querem subsídios, directos ou encapotados? Apresentem os vossos dados para comparar… mas os reais, nada de ficções fiscais.

  • Média de provas feitas pelas melhores 10 escolas privadas: 272.
  • Média de provas feitas pelas melhores 10 escolas públicas: 515.
  • Média de provas feitas pelas escolas privadas entre o 11º e 20º lugar: 461.
  • Média de provas feitas pelas escolas públicas entre o 11º e 20º lugar: 648
  • Média de provas realizadas pelo top 20 das privadas: 367.
  • Média de provas realizadas pelo top 20 das públicas: 582.

Claro que podemos dizer que o ensino privado é o melhor porque, em média, está no topo dos rankings. Como podemos dizer que, em média, estão no topo as escolas com uma dimensão mais ajustada a um ensino de qualidade.

Seja a gestão pública ou privada.

Aliás, as duas escolas públicas melhor colocadas não são óbvias (uma em Viana do Castelo, outra na Amadora, com enorme peso de alunos carenciados), mas têm em comum o número reduzido de exames realizados. Claro que pode ser um acaso, uma coincidência do caraças, mas…

Os dados usados foram os do Expresso, mas penso fazer com outras variáveis – contexto socio-económico – a partir do ranking do Público e dará para provarquase certamente  outra coisa que não se a gestão é pública ou privada, mas o que está associado a um ensino de proximidade, personalizado e com condições à partida mais favoráveis no plano familiar.

Mas claro que podemos fixar pela superfície instrumental dos blasfemos, todos ao magote a querer provar que merecem as propinas pagas pelo Estado nas escolas dos amigos.

  • Média de provas feitas pelas melhores 10 escolas privadas: 66.
  • Média de provas feitas pelas melhores 10 escolas públicas: 180.
  • Média de provas feitas pelas escolas privadas entre o 11º e 20º lugar: 122.
  • Média de provas feitas pelas escolas públicas entre o 11º e 20º lugar: 197
  • Média de provas realizadas pelo top 20 das privadas: 94.
  • Média de provas realizadas pelo top 20 das públicas: 189.

Agora tentemos com o top 30 das Secundárias (estou a usar amostras relativas, mais ou menos, aos 5% de escolas melhor colocadas do total):

  • Do 1º ao 10º lugar – 219 provas.
  • Do 11º ao 20º lugar – 281 provas.
  • Do 21º ao 30º lugar – 384 provas.

Pois… podemos apostar na oposição público/privado ou em outra… depende do que queiramos demonstrar…

No meu caso é que as escolas com uma dimensão média são, estando as outras condições em pé de relativa igualdade, mais eficazes, sejam públicas ou privadas…

E que interessante seria saber a dimensão média das turmas com melhores resultados nas privadas e nas públicas…

… mas sim a dimensão das escolas.

Um exemplo muito simples, a partir dos dados do Expresso para o 9º ano, segmentando o top 50 por média de provas realizadas.

  • Do 1º ao 10º lugar – 65 provas
  • Do 11º ao 20º lugar – 113 provas
  • Do 21º ao 30º lugar – 99 provas
  • Do 31º ao 40º lugar – 142 provas
  • Do 41º lugar ao 50º lugar – 148 provas

Claro que a progressão não é contínua, mas talvez seja bem perceptível que, provavelmente digo eu, existe uma dimensão ideal para trabalhar com os alunos a nível de escola para que – não obrigatoriamente mas com alta probabilidade e se juntarmos meios socialmente favorecidos – os resultados sejam melhores.

Escolas grandes, com gente de todas as origens, com turmas sobredimensionadas, ou seja, grandes superfícies educativas onde predomina a indiferenciação, terão sempre mais dificuldade em apresentar médias superiores a escolas de dimensão humana e com um ensino personalizado e de proximidade.

Não falo de escolas com 2 alunos ou mesmo 20, mas parece que 50 será na maior parte dos casos melhor do que 500, mesmo mantendo-se semelhantes muitas das restantes variáveis.

A questão não é se a gestão é pública ou privada, mas sim o modelo de escola que se pratica. As escolas públicas foram obrigadas a tornar-se hipermercados mega-agrupados.

Claro que os privados puros, que apostam num ensino de alto valor e propina a condizer, nunca quererão ser grandes superfícies, em especial no Ensino Básico. Mas não se incomodarão se puderem ser ainda mais selectivos no acesso se o Estado pagar a propina base aos que já lá andam e assim poderão levar irmãos e primos com muito maior facilidade…

… é aquilo que o biotecnólogo JoãoMiranda (assim sem espaço entre os nomes para dar originalidade) acaba por sugerir de forma bastante clara como resumo para a campanha que o Blasfémias tem desde ontem feito, com sinergia de recursos humanos e muiitops gráficos a comprovar e demonstrar, em defesa do financiamento directo do ensino privado.

Claro que a teoria só funciona se os pobrezinhos ficarem encerrados nas suas escolinhas más (que assim não devem fechar) e as privadas os mantiverem longe.

Isto não é um debate Esquerda/Direita como querem dar a entender, embora à superfície possa parecer.

É entre duas concepções de sociedade e uma delas provoca-me um certo nojo, pois abandona os mais desfavorecidos à sua sorte e compensa os que já estão bem. Uma delas é aquela concepção muito características de alguns líderes religiosos fundamentalistas americanos que consideram a pobreza como um sinal de desagrado divino e sintoma de pecado. Como se o insucesso fosse ferrete demoníaco.

É a concepção da maioria dos defensores “liberdade de escolha” que temos entre nós. Nem por acaso alguns deles bem devotos. por fora.

Há muitos anos, o falecido professor Cordeiro Pereira, nas nossas aulas de 3º ano de História de Portugal dizia que havia marxistas de 1ª, 2ª e 3ª categoria e que o problema é que os marxistas portugueses eram quase todos de 3ª categoria.

Digo o mesmo dos nossos “liberais” de aviários. Só nos saíram praticamente liberais de 3ª categoria.

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