Recolhi o esclarecimento que se segue no FBook, em comentário de um autarca do PCP da freguesia onde lecciono (e que entretanto já decidiu ofender-me pessoalmente por lá como mentiroso, algo que já nem me aflige) e que corresponde no essencial a um outro comentário que eu já lera do deputado Miguel Tiago no mural do André Freire, a justificar a aliança informal entre CDU e PSD na câmara de Loures.

Esclarecimento sobre Loures, Pelouros e Práticas Democráticas Salutares:
1. Tal como é prática habitual do PCP e da CDU, sendo força maioritária (mas sem maioria absoluta), o PCP ofereceu pelouro na CM Loures a todas as restantes forças partidárias (PS e PSD). O PS não aceitou os pelouros e o PSD aceitou.

2. Na Assembleia Municipal de Loures, o PCP convidou o PS para 1º Secretário da Mesa e o PSD para 2º Secretário. O PS não aceitou e o PSD aceitou.

3. O PCP tem uma postura de valorizar o pluripartidarismo nos órgãos autárquicos, postura aliás traduzida também na defesa que faz do poder local contra a ofensiva PS e PSD que querem executivos monocolores.

4. O PS, em Lisboa, por exemplo, chamou apenas o PSD para a Mesa da AM, sem sequer convidar ou comunicar o PCP.

A verdade dos factos é que, na zona onde vivo e trabalho, esta prática de distribuir pelouros nunca foi a regra da CDU, em especial quando em maioria. Eles ficam com tudo e não deixam nada. Só deixam pelouros para os outros quando a maioria é relativa. E na maior parte dos poucos casos isso acontece com alianças com o PSD.

A verdade é que numa das suas vitórias mais emblemáticas, a CDU decidiu aliar-se aos antigos aliados do executivo sobre cuja gestão querem fazer uma auditoria.

A verdade é que a real politik é transversal e as reservas morais gastaram-se há muito.

Nada contra a necessidade de encontrar uma solução de governabilidade. Apenas não me venham com lições de moral sobre votos úteis ou calculismos políticos.