A entrevista de Pires de Lima no caderno de economia do Expresso de hoje é mais uma homenagem a mais um ego desmedido na área da nossa economia para totós, a mais fértil em gente capaz de mudar o mundo e arredores, mas só antes ou depois de estar em posição para o fazer.

Este é outro que sabia tudo antes, saberá tudo depois, mas agora parece que coiso.

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Para além da pérola da primeira página – ou seja, deviam ter feito os cortes antes de ele chegar ao governo e assim tudo seria melhor – acrescenta lá dentro que já sabia que o seu estado de graça – mas estado de graça junto de quem? do amigo Paulo? da família? do clube de fãs do largo do Caldas – acabaria com este orçamento e ainda afirma que as expectativas em relação à sua entrada para o governo eram muito altas. Só não diz junto de quem.

Critica ainda a orgânica inicial do governo e faz mais um bom punhado de declarações que – num governante entrado de fresco – parecem um bocado apatetadas e só compreensíveis em alguém que, no fundo, sente que deveria ser ele o PM desde sempre, pois teria todas as respostas no tempo certo e agora – phosga-se – já parece ser tarde para tudo.

Se for lida com atenção pelos assessores de Passos Coelho, esta entrevista será facilmente entendida como uma declaração bastante clara de sobranceria em relação ao PM, à sua política dos últimos anos, à forma de organizar o governo, etc, etc.

Curiosamente, por outro lado, é uma entrevista em que apesar de espraiar o ego em todas as direcções, Pires de Lima acaba por revelar que não deve ir fazer nada de novo ou especialmente diferente em relação ao seu antecessor.

No fundo quis ser ministro, o amigo Paulo fez birra até que isso acontecesse, mas daí a isso ter alguma vantagem para o país vai um passo quase infinito.

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