… que eu fiz uma martinha, não dá para renovar a demografia mas é melhor do que nada.

Quanto ao resto da prosa, caro Henrique Raposo, faz parte da narrativa do poder que está e felizmente não ousa entrar pelos números, porque uma prospectiva de diminuição de 3% de alunos até 2018 não justifica um ritmo de redução de quase 10% de professores por ano.

Não façam manifs, façam filhos

(…)

O exemplo maior deste estado de negação está na demografia. Portugal atravessa neste momento um inverno demográfico, que será ainda mais rigoroso no futuro próximo. É um problema insofismável, é um facto indesmentível, mas curiosamente não encaixa na maioria das discussões. Olhemos, por exemplo, para a questão dos professores. Os jornais destacam “menos x milhares de professores contratados” e colocam esse título dentro da narrativa do “ataque neoliberal ao estado social”. Mas o que devia inquietar as almas caridosas está noutro lado: temos menos x milhares de alunos e esse número continuará a descer, porque temos cada vez menos bebés. Num cenário marcado pela diminuição de alunos, podemos contratar o mesmo número de professores? Claro que não. Seria um absurdo, mas é esse absurdo que domina a atmosfera política e mediática. No meio da berraria, ninguém parece interessado no elefante que está sentadinho na mesa de jantar: Portugal tem uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo.

Por outro lado, pá (desculpa a familiaridade mas houve tempos em que me mandaste livros autografados), mas já estou a ficar velho para isso e tu ainda és rapaz novo.

Trata tu disso e que seja como Deus quiser.

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