Também eu tinha bebido profundamente do elixir que prometia uma solução rápida para problemas intratáveis. Também eu tinha saltado para bordo do comboio, festivo e engalanado, celebrando o poder da responsabilização, dos incentivos, dos mercados. Também eu tinha sido cativada por estas ideias. Que prometiam acabar com a burocracia, assegurar que as crianças pobres não eram negligenciadas, dar poder aos pais pobres, possibilitar que as crianças pobres escapassem às escolas falhadas e acabar com a disparidade de resultados (achievement gap) entre ricos e pobres, pretos e brancos. Testar permitiria fazer brilhar um holofote sobre as escolas com mau desempenho e a escolha criaria oportunidades para os alunos pobres partirem para escolas melhores. Tudo isto parecia fazer sentido, mas havia poucas evidências empíricas, apenas promessas e esperança. Eu queria partilhar a promessa e a esperança. Eu queria acreditar que a escolha e a responsabilização produziriam grandes resultados. Mas ao longo do tempo fui persuadida pelas evidências acumuladas que as últimas reformas não pareciam estar à altura das suas promessas. Quanto mais eu via, mais perdia a fé. (Diana Ravitch, Op. cit, 3-4)