Quarta-feira, 21 de Agosto, 2013


Professores desempregados aumentam 44%

 

Número de colaboradores dos governantes aumentou 4,7% desde que o executivo está em funções

Os gabinetes ministeriais, as associações públicas, cooperativas e fundações foram, de todos os organismos da administração central, os que mais contribuíram para o aumento de emprego desde que a coligação do PSD/CDS está no poder, em contraciclo com todos os restantes serviços e desafiando directamente as orientações das Finanças.

De Dezembro de 2011 a Junho de 2013, os colaboradores directos dos vários ministros aumentaram 4,7%, correspondendo a 45 novos trabalhadores. Esta variação positiva tem-se vindo a verificar ao longo do tempo. De Março deste ano a Junho, o aumento foi de 0,9%, e, se tivermos em conta o período do final de Dezembro de 2012 a Junho, foi de 2,4%. Naturalmente que estes dados ainda não contemplam a remodelação governamental, que poderá inflacionar ainda mais esta rubrica

Empresas de educação têm bons resultados no trimestre

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Número de professores caiu o dobro do que número de alunos

O ensino “vocacional” – este é um dos exemplos maiores de como uma ideia com potencialidades positivas se pode transformar num enorme equívoco ao pretender-se que seja a solução única para os alunos com problemas de insucesso escolar. A existência de um via profissionalizante no ensino para os alunos que têm dificuldade em seguir o currículo regular não é má, muito pelo contrário. O erro está em associá-la a alunos com insucesso repetido – o que afasta logo outros potenciais interessados, por se perceber que é uma via de 2ª ou 3ª ordem – e a querer que substitua tudo o que antes existia (PCA, CEF) por mero preconceito político ou ideológico, não percebendo que não é correcto existir uma solução única para todos os alunos que revelam problemas de adaptação ao percurso curricular normal, em especial num contexto de redução extrema dos casos admissíveis como NEE. Por outro lado, se é verdade que a aposta numa ligação ao mundo do trabalho pode ser vantajosa para alunos perto do fim do seu percurso escolar (agora de 12 anos), já parece um pouco desajustado esperar que o façam logo no 5º ou 6º ano, com 13 anos, apenas porque repetiram dois anos seguidos, sem que se faça um diagnóstico correcto das razões dessas repetências. Porque podem existir casos de desajustamento da atitude, mas também de problemas no ritmo ou estilo de aprendizagem, não esquecendo ainda problemas de índole familiar que não é raro conduzirem a uma instabilidade no desempenho dos alunos ou mesmo uma perturbação quanto Às matrículas, transferências a meio do ano, etc, etc. Só que os promotores do “ensino vocacional” decidiram que esta é a solução única – a matriz totalitária está lá nesta forma de encarar as coisas – e que o ensino básico e secundário é para ser feito à velha moda de duas vias, a regular para quem quer ir para a Universidade e a “outra” para os que cedo são tidos como matéria prima para o “trabalho” não especializado, mesmo que agora se apresentem já opções de prosseguimento de estudos curtos no ensino politécnico. E é aqui que se nota de forma muito clara que esta via serve em primeiro lugar outros interesses que não os dos alunos. Não apenas porque é desenhada de forma a “salvar” um certo nicho académico como, pelo facto destes alunos não terem necessidade de fazer exames a menos que sejam como auto.-propostos, se percebe também que é um método excelente para melhorar as estatísticas de sucesso em provas finais/exames do Ensino Básico. Varrem-se para o vocacional todos aqueles que revelam maior risco de chumbo e as estatísticas melhoram à medida que esse ramo curricular for aumentando o seu peso no universo dos alunos do Ensino Básico. E depois há um detalhe que não pode ser esquecido: a aposta na formação de mão de obra técnica especializada está certa num contexto de crise como forma de alimentar uma futura retoma económica. o problema é quando essa formação é assumidamente para os “indesejáveis” nas turmas regulares e para aqueles a quem outras soluções menos básicas ficariam mais “caras” ao orçamento do MEC. Até porque, nunca o esqueçamos, esta via, por diversos estratagemas, é um truque para desorçamentar parte dos encargos do MEC com estes alunos, transferindo-os para o ministério da Economia. E são tudo vantagens: limpeza das turmas regulares, aumento do sucesso estatístico e redução dos custos. Não admira, portanto, que se queira que esta via atinja não sei quantos mil por cento de alunos em pouco tempo. Nem que para isso se encerrem cursos e turmas de outras vias encaradas como concorrentes. E uma espécie de prática “monopolista” que de “liberal” tem zero.

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