Terça-feira, 20 de Agosto, 2013


Mumford and Sons, Hopeless Wanderer

Casa do Fafe – em Fafe (Arões S. Romão).

 

Amanhã coloco fotos e vistas.

Ação na gestão escolar

*Por João Carlos Martins

 

Ao nos questionarem cada vez mais sobre impasses e desafios no âmbito escolar, podemos perceber historicamente como chegamos ao cenário atual. A sociedade passou por muitas transformações nos últimos anos e a escola vem buscando fazer uma leitura de tudo o que tem acontecido e procurado práticas mais consistentes.

A partir do final da década de 1980, as discussões em educação ampliaram-se e o olhar foi deslocado para fora da sala de aula, questionando-se, também, o ambiente motivador da escola. Teorias apareceram. Construtivismo, Interacionismo, sociointeracionismo, etc. Foram bandeiras. Houve discussões, estudos e pesquisas que, entendidas por alguns, tratadas como modismo por outros e praticadas por poucos, provocaram uma consistente “mexida” no ambiente escolar. O foco de toda essa discussão era o “como”: como transformar a sala de aula em um espaço mais produtivo; como envolver o aluno em sua construção do conhecimento; como transformar a escola, privada ou pública, em um ambiente mais participativo e de efervescência cognitiva; como estender o olhar para o espaço amplo da escola e sua área de abrangência.

Estes questionamentos geraram uma angústia pedagógica que refletiu e reflete um fator muito importante: o OLHAR para o interior da escola e suas relações. O “como” nos levou à FORMA de OLHAR para as pessoas dentro das instituições. Outros novos questionamentos surgiram: como é a gestão do ambiente escolar e como é a formação dos professores?

O “chão de fábrica” de uma escola é o que acontece em sala de aula. É a forma como a motivação e as relações se estabelecem para que o trabalho pedagógico se constitua. Esse olhar nos ajudou a perceber o quanto alunos e professores precisam reconstruir linguagens. Isso nos alavanca a sair de um “pedagogês” que, muitas vezes, fica discutindo questões distantes da escola e teorias que não colaboram para o exercício efetivo da docência.

A sala de aula é o foco de toda a produção acadêmica da escola, da educação básica. Não adianta ficar nas universidades discutindo teorias, se elas não chegarem à escola e transformarem essa realidade. Muitas pesquisas de mestrado e doutorado saíram das escolas, mas depois não voltaram para elas. Livros e mais livros são publicados, mas não são utilizados nas práticas do dia a dia. Reflexão sem ação, e que não nos ajude a novas reflexões, é morta para o espaço da educação básica.

Todo ambiente institucional é marcado por períodos históricos constituídos pelo grupo de pessoas que compõem aquele momento. Nós passamos pelas instituições e elas permanecem, mas no local, a nossa contribuição se efetiva através da maneira como expressamos nossas competências. Assim sendo, o verdadeiro gestor – diretor, coordenador, professor – deixará as suas marcas nas pessoas e nos lugares por onde passar, se agir efetivamente.

Nossa atuação, portanto, deve ser solidificada pela ação-reflexão-ação. Que toda discussão teórica motive novos olhares e possa contribuir para a prática de cada grupo. A teoria só tem sentido quando nos ajuda a rever nossas praticas e a unir o momento social com a realidade em que atuamos e os conflitos que conseguimos gerar. O fazer pedagógico é o caminho para não cairmos naquele “pedagogês“ distante da realidade educacional.

Se nosso foco é trabalhar com, pela e na educação, independentemente da realidade onde atuamos, estaremos sempre impulsionados pelas mudanças sociais, que entram nas escolas e provocam desequilíbrios, questionamentos e incômodos.

A educação nunca foi vanguarda para grandes mudanças, mas sempre correu atrás daquilo que a realidade externa cobrou dela. A sociedade “empurra” a escola e esta não pode ficar acomodada, achando que tudo que faz está completo.

As propostas educacionais que acreditam na interação entre parceiros, e nela apostam, são cada vez mais frequentes e, nesse sentido, pensar sobre a importância das trocas como momento significativo no processo de ensino e de aprendizagem remete, necessariamente, à visão da dinâmica da sala de aula e do modelo educacional que temos em nosso sistema.

 

 

*João Carlos Martins é Diretor Geral do Colégio Renascença, Doutor em Psicologia da Educação, Mestre em Educação, Sociólogo, Historiador, Administrador Escolar. Autor de diversos livros didáticos e paradidáticos, é pesquisador na área de formação de professores, além de consultor e palestrante educacional.

The Surveillance Society

Secrets are so 20th century now that we have the ability to collect and store billions of pieces of data forever.

Com o devido agradecimento ao João Valério:

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PEDIDO DE ESCLARECIMENTO AO MEC – PAGAMENTO DA COMPENSAÇÃO POR CADUCIDADE DE CONTRATO

A liberdade de escolha – não vale a pena perder muito tempo com questões filosóficas em torno do valor da “liberdade”, algo que ninguém contesta, a menos que lhe calhe um bando de libertários à porta. O que quero deixar aqui claro é que o que está actualmente em causa entre nós não é a aplicação dos princípios da “liberdade de escolha” que em certas zonas dos EUA serviram, por exemplo, para resolver problemas de segregação racial e social, proporcionando ofertas educativas específicas para populações desfavorecidas que assim viram melhorar o seu nível educacional. A criação de magnet e charter schools, assim como a concessão de targeted vouchers, foram medidas pensadas para melhorar o desempenho escolar dos mais carenciados. Só mais tarde surgiu o negócio da Educação, propriamente dito, em que alguns estados americanos permitiram que essas medidas se direccionassem preferencialmente para públicos mais da classe média ou mesmo média-alta. Na Europa, medidas deste tipo surgiram fundamentalmente em países do norte com índices baixos de desigualdade socio-económica. Entre nós, embora só conheçamos a proposta de decreto-lei, ficando na penumbra a portaria que regulamentará os apoios específicos em matéria de “cheque-ensino” porque em Portugal uma lei nunca é uma lei mas sim uma lei cheia de apêndices (portarias, decretos normativos, decretos regulamentares, despachos e etc), parece estar a preparar-se um modelo de “apoio às famílias” que, sem cuidados na aplicação, levará principalmente a que esse apoio sirva para que quem já tem os filhos no ensino privado se veja ressarcido de parte das propinas pagas, enquanto quem os não pode ter, continuará a não poder. E eu explico muito facilmente porquê… pois se um colégio cobrar de propinas 6000 euros anuais (ou mais, sem contar com a pré-inscrição, a matricula inicial e coiso e tal), a atribuição de um cheque de 3500 ou 4000 euros “às famílias” nunca conseguirá que um puto ali do bairro seja admitido num colégio de top, quer porque haverá sempre quem tenha os apelidos certos à frente, seja porque a sua família não conseguirá cobrir a quantia restante, mais as deslocações e o preço dos uniformes. A “liberdade de escolha” não parece orientar-se para a criação de escolas destinadas a grupos sociais específicos, tradicionalmente desfavorecidos ou com maus resultados, visando melhorar esse guetos educacionais, ou para a concessão de apoios a esses mesmos grupos, sendo mais evidente que tem como objectivo conseguir que os colégios privados sem subsídio directo (leia-se “contrato de associação”) o possam vir a ter de forma indirecta através do tal “apoio às famílias”. Esta “liberdade” será, paradoxalmente, um mecanismo de cristalização e aprofundamento das desigualdades, alho que se constatará facilmente em pouco tempo, mesmo que se encenem umas coisas a disfarçar o essencial. E os arautos da “liberdade”, que agora criticam que faz estes avisos, terão o desplante de dizer que o sistema é bom, a aplicação é que poderia ter corrido melhor (um pouco à moda dos seus simétricos políticos). E quem legislou já se terá ido embora e, como aconteceu com os seus antecessores, nunca será responsabilizado por nada, mesmo que alguém apareça na comunicação social a demonstrar que mentiu ou que, logo que saiu de um posto público de decisão política foi servir os interesses privados que ajudou a financiar. Porque essa é a regra e não a excepção. a da irresponsabilidade total

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