Os professores de QZP – ao contrário do que é dito há anos pela propaganda oficial dos governos que se vão sucedendo, a classe docente é, no contexto da função pública e não apenas, aquela que tem há 20 anos (a criação dos qzp é de 93, se a memória não me falha) um estatuto específico de mobilidade regional, que durante muitos anos funcionou com ritmo anual (foi o meu caso de 1998-99 a 2004-05) e só mais recentemente permitiu reconduções plurianuais. O regime, na origem, procurava funcionar como uma espécie de antecâmara para a entrada nos quadros de escola mas a certa altura, com a criação dos agrupamentos e mega-agrupamentos e a pressão em torno das questões da mobilidade, parecia ser a solução ideal para a tutela manter um grande número de docentes sem um vínculo a qualquer “unidade orgânica de gestão” e assim ter a possibilidade de os fazer circular por uma área geográfica considerável. Neste último ano a redução do número de quadros de zona pedagógica e o alargamento da sua área geográfica precarizou ainda mais a situação destes professores, em vez de verem reforçados os seus laços contratuais. A única “vantagem” é que desde a unificação dos vários “quadros”, e para desgosto de quem sempre os viu como parentes menores dos quadros de escola/agrupamento, surgem em igualdade de circunstâncias nas listas de graduação profissional para efeitos de concurso. É escassa compensação para a situação de vulnerabilidade de cerca de 15% dos efectivos dos ditos “quadros” e a tendência não será para estreitar o âmbito da sua vinculação mas sim para torná-los os principais “tapa-buracos” do sistema” de acordo com a pretensa lógica de “ajustamento” dos quadros dos mega-agrupamentos que levaram à criação de milhares de vagas negativas e de horários-zero, tudo em combinação com a estranha concepção de definição da rede escolar “às mijinhas” ou “movimentos” na expressão do ministro Crato. Se é verdade que não estão na situação de fragilidade dos contratados, os professores de qzp estão num processo de crescente precarização, esperando pelos últimos dias de Agosto para saber se irão dar aulas a dezenas de km do seu domicílio. Os professores de qzp são a prova clara de que o acesso à carreira docente não traz qualquer especial estabilidade, bem como a mobilidade forçada é há muito uma realidade, por muito que os putos tóxicos do regime e ramirílios em pré-aposentação digam o contrário.

Adenda: as estratégias dos professores em qzp foram, ao longo do tempo, diversas e consoante cada contexto. Não é esse o assunto deste post, que não pretendo entrar agora na polémica desnecessária entre quem preferiu manter-se em qzp mais tempo, não arriscando uma vinculação distante e quem preferiu vincular-se o mais depressa possível a uma escola e agora pode estar numa situação menos confortável..