É tempo de, com alguma objectividade, sem alindar a coisa ou demonizá-la para além do razoável, fazer um ponto da situação dos diversos tipos de docentes que andam há quase uma década a ser atropelados pela tutela política.

Contratados – lamento, meus amigos e minha amigas, mas o que foi dito nas reuniões de arranque do ano lectivo é que os colegas só serão considerados necessários, no curto-médio prazo, como excepção à regra, em condições muito precárias. A vinculação extraordinária a concretização de um acordo de início do outro ano lectivo com a FNE e não propriamente um acto de reconhecimento do imperativo jurídico de vincular quem já deveria estar há muito vinculado. A engenharia curricular destina-se a eliminar horários de professores e vocês são as primeiras vítimas, porque são os que estão numa posição institucional e contratualmente mais fraca. Duvidem que quem, não sendo contratado, afirme estar a defender os vossos direitos. É tudo treta. A solidariedade será quase unicamente simbólica ou pouco mais, mesmo que paguem quotas para a organização. Estão entregues a vós mesmos e, o mais certo, condenados ao desemprego ou a uma readaptação profissional. Só terão lugar, de um modo significativo, no “sistema” quando forem aposentados tantos professores dos quadros que  seja necessário recorrer a mão de obra docente mais barata e precária, na altura já com uma estrutura de carreira diversa da actual, com uma margem de progressão bem menor e mais lenta. A prova de ingresso é apenas um fait-divers para eliminar (ou desencorajar) candidatos à docência e aos concursos por forma a não surgirem notícias de dezenas de milhares de profissionais qualificados no desemprego. Como com os doentes terminais que é melhor saberem a verdade do que serem iludidos, penso que não há maneira de eu colocar a coisa de forma mais clara, e vocês sabem que é verdade: estão lixados, mal pagos ou desempregados e vão ter de, infelizmente, organizar a vossa vida tendo isso em conta. O vosso único trunfo a médio prazo é a vossa fragilidade: serem precários e baratos para o orçamento do Estado.