O Arlindo fala no conflito – espúrio – entre professores de QA/E e de QZP. É aquele tipo de conflito – um pouco como entre contratados e “do quadro” – que me parece absolutamente idiota e digo já, sem problemas de ser criticado, que muitas vezes é servido por argumentos idiotas, irracionais e com escassa fundamentação séria, sobrando em eu-eu-eu o que falta em objectividade.

Eu percebo o desespero, mas não consigo aceitar a falta de racionalidade que leva a que cada ferido queira fazer o máximo de vítimas entre as próprias hostes.

A verdade é que há dois meses se podia ter conseguido algo mais, como em outros tempos, mas a ordem foi para recolher porque era preciso mostrar responsabilidade e que os lutadores profissionais pudessem ter férias, tamanho o cansaço de um ano sem aulas.

Agora não há qualquer mecanismo eficaz “de luta” para fazer pressão, excepto uma eventual erecção entusiasmada das federações sindicais acerca do arranque do ano lectivo, quando as sentenças de mobilidade já tiverem sido lavradas e transitadas em julgado.

Quando ao resto, vão-se servindo “comunicados” enquanto o MEC faz o que bem entende acerca da rede escolar, da autorização (ou não) da abertura de turmas e de um indecoroso empurrão dos alunos problemáticos para um ensino vocacional que apenas visa desenvolver guetos educacionais e trocar professores por formadores.

A situação não é má, mas péssima.

Não vale a pena andarmos a apontar o dedos uns aos outros, pelo menos entre aqueles que estamos nas escolas e temos trabalhado, lutado (mais ou menos), dado o corpo ao manifesto.

Deve ser da canícula mas vou tentar ser muito claro: a fúria ou desprezo devem dirigir-se para os alvos certos, não para as outras vítimas e, desde 2005, todos os professores no activo, que foram obrigados a aposentar-se de forma  quase compulsiva ou foram lançados para fora da docência são vítimas dos actores institucionais. Que esses, desculpem lá, têm sempre o lugarzinho reservado à mesa. Seja qual for a sua cor. Por acção ou omissão são os coveiros da profissão docente enquanto actividade profissional digna de respeito.