Quinta-feira, 15 de Agosto, 2013


Talk Talk, Such A Shame

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Hoje faço feriado, amanhã farei ponte.

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O Arlindo fala no conflito – espúrio – entre professores de QA/E e de QZP. É aquele tipo de conflito – um pouco como entre contratados e “do quadro” – que me parece absolutamente idiota e digo já, sem problemas de ser criticado, que muitas vezes é servido por argumentos idiotas, irracionais e com escassa fundamentação séria, sobrando em eu-eu-eu o que falta em objectividade.

Eu percebo o desespero, mas não consigo aceitar a falta de racionalidade que leva a que cada ferido queira fazer o máximo de vítimas entre as próprias hostes.

A verdade é que há dois meses se podia ter conseguido algo mais, como em outros tempos, mas a ordem foi para recolher porque era preciso mostrar responsabilidade e que os lutadores profissionais pudessem ter férias, tamanho o cansaço de um ano sem aulas.

Agora não há qualquer mecanismo eficaz “de luta” para fazer pressão, excepto uma eventual erecção entusiasmada das federações sindicais acerca do arranque do ano lectivo, quando as sentenças de mobilidade já tiverem sido lavradas e transitadas em julgado.

Quando ao resto, vão-se servindo “comunicados” enquanto o MEC faz o que bem entende acerca da rede escolar, da autorização (ou não) da abertura de turmas e de um indecoroso empurrão dos alunos problemáticos para um ensino vocacional que apenas visa desenvolver guetos educacionais e trocar professores por formadores.

A situação não é má, mas péssima.

Não vale a pena andarmos a apontar o dedos uns aos outros, pelo menos entre aqueles que estamos nas escolas e temos trabalhado, lutado (mais ou menos), dado o corpo ao manifesto.

Deve ser da canícula mas vou tentar ser muito claro: a fúria ou desprezo devem dirigir-se para os alvos certos, não para as outras vítimas e, desde 2005, todos os professores no activo, que foram obrigados a aposentar-se de forma  quase compulsiva ou foram lançados para fora da docência são vítimas dos actores institucionais. Que esses, desculpem lá, têm sempre o lugarzinho reservado à mesa. Seja qual for a sua cor. Por acção ou omissão são os coveiros da profissão docente enquanto actividade profissional digna de respeito.

Pensavam que hoje era feriado? Nada disso.

Pub15Ago13

Público, 15 de Agosto de 2013

O MEC continua aquela máquina em matéria de não respeitar a vida das pessoas e dos profissionais que deveria saber acarinhar. Como antes, não passam de uma dependência do Ministério das Finanças fazendo jogos de números.

Continuo a afirmar que a engenharia estatísticas e profissional que está em desenvolvimento há anos na área da Educação é um dos fenómenos mais vergonhosos da desgovernança que atravessa os últimos governos, com meros retoques de cosmética.

Desde 2007 andaram a fazer tudo para limitar a progressão na carreira dos professores, a torna-la mais lenta, a congela-la e a proletarizar a docência em termos materiais.

Neste momento é a tentativa de a precarizar ao máximo, com truques de gestão curricular sem qualquer base pedagógica e com manobras absolutamente vergonhosas em matéria de rede escolar apenas com o objectivo de diminuir o maior número de professores que seja possível.

É mentira, repito sem problemas, é mentira que isto seja qualquer tipo de ajustamento às necessidades das escolas e muito menos dos alunos.

Há, pelo menos, 6.915 professores dos quadros com horário zero, na maioria de 1º ciclo, e que são candidatos ao concurso anual de colocação, revela o Ministério da Educação. No entanto, este número de professores sem turma atribuída(horário zero) ainda vai ser alterado havendo o risco de poder vir a aumentar. Isto porque, aos 6.915 horários zero que não consigam colocação a 31 de Agosto – dia em que são divulgadas as colocações para o próximo ano lectivo – ainda podem vir a ser somados os 11.412 docentes com vínculo de quadro de zona de pedagógica (QZP) que não fiquem colocados. 

O MEC decide divulgar os dados sobre professores a concurso em mobilidade interna, um mês depois do que fez o ano passado.

Continuo em luta, não há mais fruta!

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