As posições de João Grancho sobre a necessidade de auto-regulação da profissão docente são conhecidas, mas parecem por ele completamente esquecidas.

Eu tenho sempre a inútil esperança que alguém que chegue ao MEC com algum passado coerente se consiga assim manter.

Exp10Ago13dO actual SE é mais um dos que lança fora tudo o que disse e escreveu anos após anos e que envereda pelas habilidades semânticas e pela tortuosidade argumentativa. O que chateia, chateia muito.

Não vale a pena andar a catar toda a entrevista em busca de incoerências, basta ficar na parte essencial que é aquela em que João Grancho tropeça nos próprios pés:

Exp10Ago13cO actual SE baralha-se todo ao afirmar que nos países com sistemas mais descentralizados de recrutamento de professores, as “autoridades locais” fazem provas de acesso à carreira.

Claro!

Quando se trata de entrar para a carreira e não a meio de um processo em que nem sequer há vagas a preencher. Por cá não é de nada disso que se trata. Trata-se de uma prova a meio caminho do nada.

Pior… João Grancho sabe perfeitamente que os exemplos que dá – nomeadamente de magistrados, médicos ou arquitectos – nada têm a ver com a docência.

Os magistrados não fazem um curso inicial de magistratura mas de Direito que pode dar acesso a diversas carreiras que resultam dessa formação. A formação complementar para a magistratura é como que o equivalente à profissionalização dos professores, não a um exame perdido no tempo.

Já a referência aos casos dos médicos e dos arquitectos é ainda mais singular na boca de João Grancho, pois essas são profissões auto-reguladas de um ponto de vista interno e corporativo. Não é o Estado – ou qualquer empregador – que faz os exames de ingresso na carreira, mas sim uma Ordem Profissional, algo similar ao que o actual SE Grancho defendeu antes de ter chegado à 5 de Outubro e ter sentido o efeito a que parece ser impossível de resistir do travestismo das convicções anteriores.

O exame de acesso à carreira é uma exercício de autonomia profissional e não de submissão. Um arquitecto ou médico que trabalhe para o Estado não faz qualquer exame, depois de concluída a sua formação inicial ou especializada, feito por esse mesmo Estado, mesmo quando ele é o seu empregador directo. Não há qualquer paralelismo com os professores.

Este tipo de declarações poderia ser feito por muita gente, mas não especificamente por  João Grancho que sabe (será???) bem que defendia outra coisa e que os argumentos que usa não são válidos na maneira como os coloca.

É pena que mais um se tenha vergado às conveniências.