Sábado, 10 de Agosto, 2013


Avicii, Wake Me Up

… são os que se dirigem especificamente a grupos carenciados ou desfavorecidos que, por cá, se querem atirar para o ensino vocacional.

The Effects of School Vouchers on College Enrollment: Experimental Evidence from New York City

In the first study, using a randomized experiment to measure the impact of school vouchers on college enrollment, Matthew Chingos and Paul Peterson, professor of government at Harvard University, examine the college-going behavior through 2011 of students who participated in a voucher experiment as elementary school students in the late 1990s. They find no overall impacts on college enrollment but do find large, statistically significant positive impacts on the college going of African-American students who participated in the study.

Their estimates indicate that using a voucher to attend private school increased the overall college enrollment rate among African Americans by 24 percent. The original data for the analysis come from an experimental evaluation of the privately funded New York School Choice Scholarships Foundation Program, which in the spring of 1997 offered three-year scholarships worth up to a maximum of $1,400 annually to as many as 1,000 low-income families.  Chingos and Peterson obtained student information that allowed them to identify over 99 percent of the students who participated in the original experiment so that their college enrollment status could be ascertained by means of the college enrollment database maintained by the National Student Clearinghouse for institutions of higher education that serve 96 percent of all students in the United States.

In addition to finding impacts on overall college-going for African Americans, the authors report significant increases in full-time college attendance, enrollment in private four-year colleges, and enrollment in selective four-year colleges for this group of students.

School Vouchers and Student Achievement: Recent Evidence and Remaining Questions

In this article, we review the empirical evidence on the impact of education vouchers on student achievement and briefly discuss the evidence from other forms of school choice. The best research to date finds relatively small achievement gains for students offered education vouchers, most of which are not statistically different from zero. Furthermore, what little evidence exists regarding the potential for public schools to respond to increased competitive pressure generated by vouchers suggests that one should remain wary that large improvements would result from a more comprehensive voucher system. The evidence from other forms of school choice is also consistent with this conclusion. Many questions remain unanswered, however, including whether vouchers have longer-run impacts on outcomes such as graduation rates, college enrollment, or even future wages, and whether vouchers might nevertheless provide a cost-neutral alternative to our current system of public education provision at the elementary and secondary school level.

Mesmo um apoiante declarado dos cheques-ensino tem dificuldade em encontrar especiais ganhos no desempenho dos alunos:

The Comprehensive Longitudinal Evaluation of the Milwaukee Parental Choice Program: Summary of Final Reports

Também não será uma liberdade a defender ou colide com qualquer coisa?

Eu acho que colide, pois pode limitar a liberdade de escolha das escolas pelos alunos e respectivas famílias.

Um bom liberal defenderá que cada empreendedor/empresário tem direito a escolher a quem quer vender o seu produto ou serviço e que o deve fazer numa óptica de mercado, ou seja, de vender a quem oferecer melhores condições, leia-se, pagar mais e levantar menos problemas para a entrega.

É uma velha guerra minha em que, por acaso, me terei de envolver de forma mais activa:

Artigo 48º

Administração e gestão dos estabelecimentos de educação e ensino

 

1 – O funcionamento dos estabelecimentos de educação e ensino, nos diferentes níveis, orienta-se por uma perspectiva de integração comunitária, sendo, nesse sentido, favorecida a fixação local dos respectivos docentes.

2 – Em cada estabelecimento ou grupo de estabelecimentos de educação e ensino a administração e gestão orientam-se por princípios de democraticidade e de participação de todos os implicados no processo educativo, tendo em atenção as características específicas de cada nível de educação e ensino.

3 – Na administração e gestão dos estabelecimentos de educação e ensino devem prevalecer critérios de natureza pedagógica e científica sobre critérios de natureza administrativa.

4 – A direcção de cada estabelecimento ou grupo de estabelecimentos dos ensinos básico e secundário é assegurada por órgãos próprios, para os quais são democraticamente eleitos os representantes de professores, alunos e pessoal não docente, e apoiada por órgãos consultivos e por serviços especializados, num e noutro caso segundo modalidades a regulamentar para cada nível de ensino.

5 – A participação dos alunos nos órgãos referidos no número anterior circunscreve-se ao ensino secundário.

6 – A direcção de todos os estabelecimentos de ensino superior orienta-se pelos princípios de democraticidade e representatividade e de participação comunitária.

7 – Os estabelecimentos de ensino superior gozam de autonomia científica, pedagógica e administrativa.

8 – As universidades gozam ainda de autonomia financeira, sem prejuízo da acção fiscalizadora do Estado.

9 – A autonomia dos estabelecimentos de ensino superior será compatibilizada com a inserção destes no desenvolvimento da região e do País.

 

Adoro os defensores do “cheque-ensino” que clamam ser esse um mecanismo de “liberdade” e adjectivam os críticos da medida entre nós por serem adversários da “liberdade” como se ela verdadeiramente existisse em estado puro e absoluto na vida social de todos os dias.

Ahhh… e fazem-no com restrições aos comentários nos respectivos blogues e sem direito de resposta nos seus sites oficiais onde apenas apresentam estudos pró, muito teóricos e raramente com análises empíricas alargadas.

O triunfo do adjectivo sobre o substantivo.

Quanto à questão da “liberdade” só gostaria de saber onde vivem, as regras do condomínio, etc, etc.

As posições de João Grancho sobre a necessidade de auto-regulação da profissão docente são conhecidas, mas parecem por ele completamente esquecidas.

Eu tenho sempre a inútil esperança que alguém que chegue ao MEC com algum passado coerente se consiga assim manter.

Exp10Ago13dO actual SE é mais um dos que lança fora tudo o que disse e escreveu anos após anos e que envereda pelas habilidades semânticas e pela tortuosidade argumentativa. O que chateia, chateia muito.

Não vale a pena andar a catar toda a entrevista em busca de incoerências, basta ficar na parte essencial que é aquela em que João Grancho tropeça nos próprios pés:

Exp10Ago13cO actual SE baralha-se todo ao afirmar que nos países com sistemas mais descentralizados de recrutamento de professores, as “autoridades locais” fazem provas de acesso à carreira.

Claro!

Quando se trata de entrar para a carreira e não a meio de um processo em que nem sequer há vagas a preencher. Por cá não é de nada disso que se trata. Trata-se de uma prova a meio caminho do nada.

Pior… João Grancho sabe perfeitamente que os exemplos que dá – nomeadamente de magistrados, médicos ou arquitectos – nada têm a ver com a docência.

Os magistrados não fazem um curso inicial de magistratura mas de Direito que pode dar acesso a diversas carreiras que resultam dessa formação. A formação complementar para a magistratura é como que o equivalente à profissionalização dos professores, não a um exame perdido no tempo.

Já a referência aos casos dos médicos e dos arquitectos é ainda mais singular na boca de João Grancho, pois essas são profissões auto-reguladas de um ponto de vista interno e corporativo. Não é o Estado – ou qualquer empregador – que faz os exames de ingresso na carreira, mas sim uma Ordem Profissional, algo similar ao que o actual SE Grancho defendeu antes de ter chegado à 5 de Outubro e ter sentido o efeito a que parece ser impossível de resistir do travestismo das convicções anteriores.

O exame de acesso à carreira é uma exercício de autonomia profissional e não de submissão. Um arquitecto ou médico que trabalhe para o Estado não faz qualquer exame, depois de concluída a sua formação inicial ou especializada, feito por esse mesmo Estado, mesmo quando ele é o seu empregador directo. Não há qualquer paralelismo com os professores.

Este tipo de declarações poderia ser feito por muita gente, mas não especificamente por  João Grancho que sabe (será???) bem que defendia outra coisa e que os argumentos que usa não são válidos na maneira como os coloca.

É pena que mais um se tenha vergado às conveniências.

 

 

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