Sexta-feira, 9 de Agosto, 2013


Eram meados dos anos 80 e nós tínhamos de ler os escritos de Wallerstein sobre a economia-mundo para História Económica e Social.

Gostei, até das partes com que menos concordava pois todos os modelos simples e mecanicistas têm o seu encanto para mentes preguiçosas e aquela trindade centro, semi-periferia e periferia até fazia sentido, mesmo se eu achava que, depois, em termos sociais, a análise era ainda mais simplista ao basear-se apenas no clássico binómio entre os que dominam e os que são dominados.

Vem isto a propósito da forma como os últimos governos parecem ter optado por uma visão de estratificação trinitária do sistema de ensino pago com dinheiros públicos.

  • Com Maria de Lurdes Rodrigues e a criação da Parque Escolar tivemos como consequência uma trindade em matéria de equipamentos escolares: uma minoria de escolas muito bem equipadas para as elites urbanas e pouco mais, um outro lote de escolas intervencionadas, mas com menos aparato ou que acabaram por ficar sem dinheiro para concluir os projectos faraónicos iniciais, quase todas fora dos grandes centros urbanos, numa semi-periferia, e por fim uma maioria de escolas que ficaram na mesma, em processo de degradação e sem meios ou autonomia financeira para intervenções de pequena escala.
  • Com Nuno Crato e as alterações recentes no desenho da rede escolar, na forma de distribuir os alunos e os recursos financeiros vamos passar a ter uma trindade ainda melhor definida em matéria de populações escolares: os que podem ter acesso a escolas privadas ou públicas de topo, em virtude dos mecanismos (subsidiados) de liberdade de escolha e da concorrência no mercado da Educação; os que que ficam nas turmas regulares das escolas públicas de que foram varridos os elementos tidos como indesejáveis e, por fim, aqueles que se diz serem vocacionados para um ensino profissionalizante por se achar que não sabem fazer mais nada ou interessar por qualquer outra coisa.

Em boa verdade, Nuno Crato introduziu, no plano social, um aperfeiçoamento ao modelo da Educação-Mundo que, em termos espaciais, se tinha começado a desenvolver com Maria de Lurdes Rodrigues.

Acredito, até pelo currículo político de ambos, que a inspiração wallersteiniana não será mera coincidência.

Wallerstein

Voucher schools have created a separate, unequal system

(…)

Separate is not equal, but separate is exactly what is occurring in Milwaukee: Voucher schools educate about 20% of Milwaukee students, but a mere 1.6% of voucher students receive services due to disabilities. That compares to the more than 19.2% of MPS students who receive special education services. If the voucher program expands, it will take more non-disabled children and the segregation of children with disabilities in MPS will inevitably increase.

Voucher supporters claim that they really serve a greater number of children with learning disabilities, but they have no proven data to support their arguments. Besides, their own numbers say they are only serving half as many children with disabilities as MPS.

Complaint: Milwaukee Vouchers Segregate Students With Disabilities

Socioeconomic school segregation in a market-oriented educational system. The case of Chile

This paper presents an empirical analysis of the socioeconomic status (SES) school segregation in Chile, whose educational system is regarded as an extreme case of a market-oriented education. The study estimated the magnitude and evolution of the SES segregation of schools at both national and local levels, and it studied the relationship between some local educational market dynamics and the observed magnitude of SES school segregation at municipal level. The main findings were: first, the magnitude of the SES segregation of both low-SES and high-SES students in Chile was very high (Duncan Index ranged from 0.50 to 0.60 in 2008); second, during the last decade, SES school segregation tended to slightly increase in Chile, especially in high schools (both public and private schools); third, private schools – including voucher schools – were more segregated than public schools for both low-SES and high-SES students; and finally, some market dynamics operating in the Chilean education (like privatization, school choice, and fee-paying) accounted for a relevant proportion of the observed variation in SES school segregation at municipal level. These findings are analyzed from an educational policy perspective in which the link between SES school segregation and market-oriented mechanisms in education plays a fundamental role.

Vouchers in Sweden: Scores Fall, Inequality Grows

… quando a memória me falha acerca de quem seria chefe de gabinete da ministra Maria do Carmo Seabra quando se deu aquela coisa polémica do licenciamento na zona centro de alguns colégios. mesmo se a responsabilidade recaiu no secretário de Estado da altura que disse uma coisa e o outro a seguir disse outra.

O curioso é que me dizem – que eu não tenho a certeza – que há personagens que saltitam como batatas fritas entre lugares públicos que permitem o acesso e interesses privados que beneficiam desse acesso, enquanto no entretanto ainda fazem parte de equipas de avaliação de programas da rede pública de ensino, como as NO, que criticam em público mas sobre as quais subscrevem relatórios a dizer o contrário.

Raios… ando a precisar de tomar magnésio porque me dava jeito perceber como funcionam estes corredores comunicantes.

… às equipas de apoio às escolas que apareciam para verificar se o trabalho estava bem feito ou se era preciso uma ajudinha?

Porque agora não têm esse nome mas fazem mais do que isso.

É curiosa a relação inversa de preocupação de regulação entre escolas públicas sem grande margem para habilidades e escolas privadas subsidiadas que podem fazer, como se viu num caso recente que está longe de ser único, aquilo que bem entendem.

Escolas perdem funcionários para mobilidade interna

Além de professores, há escolas que podem perder funcionários não docentes para a mobilidade interna. Os diretores receberam anteontem, ao final do dia, uma circular do Ministério da Educação a informá-los de que têm de enviar para as direções de serviços regionais, até dia 16, a lista com os nomes dos excedentários, para que estes sejam recolocados até ao início do ano letivo.

Pessoal não docente das escolas com ordem para mudar de estabelecimento de ensino

« Página anteriorPágina seguinte »