Quinta-feira, 8 de Agosto, 2013


Será que haverá coragem em seguir-lhes o rasto? Que por sua vez vai paralelo aos do dinheiro e exercício de cargos com um pé nos interesses privados e outro nas decisões públicas?

Mas muita gente sabe quem são, que canais usa(ra)m, os defendes que interessem, as lealdades que verdadeiramente seguem, em nome de uma alegada “liberdade” que, basta ver alguns comentários do post anterior, significa a apenas a liberdade de alguns, porque para os outros fiquem a rua, os “ofícios” ou a tropa.

O Governo prepara-se para alterar de forma substancial as regras de financiamento do ensino particular e cooperativo, criando novas formas de contratualização entre o Estado e as escolas privadas. Uma das novidades é a introdução do contrato simples de apoio às famílias, o que abre a porta à introdução do cheque-ensino na escolaridade obrigatória. A medida consta da proposta de alteração ao regime jurídico do ensino particular e cooperativo, que está na fase final de discussão com os parceiros.

Há um lobby específico, que apoiou muito activamente alguns dos actuais governantes, que está há mais de dois anos à espera disto.

Não se trata de liberdade, mas de um mecanismo destinado a favorecer os mais favorecidos, pois os outros não terão hipóteses de aceder às melhores escolas e, como já tem sido amplamente demonstrado em outros países, esta é uma das medidas que, sem efectivos meios de regulação e defesa dos mais desfavorecidos, aumenta a segregação socio-educativa e aumenta as desigualdades de desempenho, não estando associada a melhorias de desempenho do conjunto dos alunos.

É uma medida de tipo ideológico, como, por exemplo, a nacionalização de um qualquer sector de actividade.

Mas uma medida de tipo ideológico que serve interesses e grupos de negócios muito específicos, com rostos, nomes, organizações, que defendem legitimamente os seus interesses e o seu acesso a uma parcela maior do orçamento do MEC.

(não vou por agora esticar a analogia ideologia/interesses com o caso do BPN…)

O curioso é que esta manobra está a ser habilmente colocada em prática ao mesmo tempo que se pretendem afastar os alunos problemáticos das turmas regulares para as vocacionais, isentando-os de fazer exames.

Depois, com essa purga realizada, os resultados médios melhorarão necessariamente e a relação será estabelecida com a introdução de mecanismos de alegada liberdade de escolha.

Esta é uma medida há muito esperada por um grupo de interesses na área da Educação que nem (em primeiro lugar) é o famigerado GPS.

Este tem alegadamente uma benção muito superior, mesmo se Ele combateu os vendilhões do Templo.

Este tem sido um trabalho de enorme paciência, cuja eficácia sou obrigado a reconhecer, mas que se baseia na deturpação de mais de um dos mandamentos canónicos, desde o logo o último deles que lá por ser o último não será o menos importante.

Choice Without Equity:
 Charter School Segregation and the Need for Civil Rights Standards

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Charter Schools’ Political Success is a Civil Rights Failure

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VouchersChile
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VoucherSegrega

Portugal só cria empregos com salários abaixo de 310E

Alegado documento forjado veio da residência do PM

Lutas geracionais. Só isto faltava

 

Num tempo em que estamos a perder valores, em todos os sentidos e aspectos. Em que o respeito entre pais e filhos e até avós, parece não estar a contar para nada. Em que o País se esvazia em todos os aspetos ,lato senso, até de Pessoas, conseguir-se lutas geracionais, parece o menos próprio. Mas está a acontecer.

Com o esmagamento  – a que estamos a assistir – do Estado Social, em vez de uma Reforma devida e necessária de todo o Estado, que incluiria  – dado estarmos falidos, ou quase, com uma divida de 123% do PIB! – não só Estado Social – Saúde; Segurança Social e Educação – mas antes e também , mais equilibrada e consensual , de Justiça, Forças Armadas, Polícias – unificando -los – Autarquias – fundindo-as, acabando com mais de metade das cidades que temos –  , e o mesmo em Institutos e Fundações e  renegociando – mais, menos, mais –  PPP´s.

 Ficaríamos com menos Despesa Pública, não poríamos os reformados, os desempregados, os doentes, os necessitados à beira do suicídio, e teríamos ainda verba para começar a reconstruir – investindo – na economia, neste desgraçado nosso País. Esta – economia –  produz e  faz ganhar “dinheiro” para reerguer o País.

Claro que não é o que se está a fazer, antes se vai pela tal via do esmagamento linear do Estado Social, só e já!  Passa todos os dias. Os reformados são uns malandros, que ainda por cima recebem dinheiro do Estado e parece que vão durar muito , nunca mais morrem. E os que hoje contribuem para lhes “dar” reforma, quando chegarem à idade putativa de se reformarem, não irão ter reformas. Logo.

 Logo, parece que é um incentivo velado – aos que hoje trabalham –  para que se revoltem nos descontos para os velhadas ou doentes, ou inválidos, ou desempregados. Mas essencialmente tudo que seja para reformados!  E ninguém enxerga , quer esmiuçar, que esses reformados já trabalharam, que hoje não têm como, nem onde trabalhar?

E se a ideia é não sustentar velhadas , doentes, etc., talvez recuperar os princípios de Hitler. E fazer uma raça pura. Só robustos, só jovens, só “malta” até aos 60 anos, tudo o resto não serve, ocupa espaço, não produz.

A passagem de Cultura, História e Conhecimentos geracionais, não interessa. Quanto mais sem cultura e sem conhecimentos, sem princípios, sem valores, sem educação, melhor!

Quanto mais se quebrar a solidariedade entre gerações, até entre todas Pessoas sejam ou não de idades diferentes, melhor.

Quanto mais possível for  – melhor, melhor – diariamente ouvirmos e lermos que quem hoje desconta para quem hoje está reformado, mal está a fazer, dado que por certo não irá ter quem para si o faça. Logo aos sessentas não vai ter reforma. Melhor.

E já não interessa um pai ou uma mãe ter uma boa relação com um filho, uma filha, um avó,  uma avô  estar com os netos. Até não poucas vezes ajudar monetariamente enquanto reforma tiver. Não, isso não interessa.

Já não interessa um velho ter direito a ter qualidade de vida! Já não interessa um velho saber que viver mais tempo,  não é uma  maçada, é bom. Já não interessam os avanços feitos na saúde para bem e mais tempo viver. Para quê?

Lixem-se as gerações, fique só a mais jovem, mas, sem doenças. Sem desemprego.Sãos. Sãos!!!! Se não lixam-se!

 

Augusto Küttner de Magalhães

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