Recebi hoje um telefonema da CAP da minha escola a dizer que a inspecção vai lá amanhã por causa de eu e outro colega nos termos “recusado” a classificar exames. Como parto amanhã de férias durante 20 dias, mandei o seguinte mail ao ministro Crato.

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Ex-mo Sr. Ministro da Educação e Ciência.
Sou professora de Português do Ensino Secundário na Escola Secundária ……………..
Mais uma vez, confrontei-me este ano com um número de provas para classificar (49 provas) dentro dum prazo absolutamente irrealista (5 dias e meio) para que o trabalho possa ser feito em consciência e de modo a não prejudicar aqueles para quem trabalhamos: os nossos alunos.
Envio em anexo a declaração que enviei ao Agrupamento de Exames (Santa Maria de Sintra) e a declaração que deixei perante a inflexibilidade do Agrupamento em diminuir o número de provas a classificar. Aliás, fui confrontada com a informação de que “ou são os 49 exames ou nenhum”.
No passado ano lectivo já tinha procedido da mesma forma e acabaram por me distribuir o número de provas pelas quais eu me responsabilizava.
Note-se que um exame de Português de 12º ano implica, entre as tarefas de correcção normais, a obrigatoriedade de contar o número de PALAVRAS em duas questões (I B e III), tarefa que tem que ser repetida bastas vezes porque uma palavra a mais ou a menos implica um desconto.
Não consigo corrigir BEM nenhum exame em menos de 2 horas (contar palavras, trancar espaços, analisar e cotar as questões, rever o exame e preencher as grelhas), ainda mais não sendo um trabalho mecânico que se consiga fazer 10 ou 12 horas de seguida. Muitas vezes há ainda que confrontar provas entre si para aferir da uniformização da aplicação  dos critérios que estamos a utilizar.
E tudo isto considerando que, como já aconteceu, não aparecem, a meio do trabalho, directrizes do Gave, via supervisora, que obrigam à revisão do trabalho já feito.
Considero deplorável que a quantidade seja mais importante do que a qualidade. Lamento, mas não é assim que eu trabalho e penso e tenho provas de que os meus alunos beneficiam desta minha forma de trabalhar e de encarar a profissão.
Por último, gostaria que fosse considerada, na avaliação dos resultados dos exames nacionais as condições cada vez piores em que este trabalho é realizado.
Há muito tempo que acho que cada classificador deveria saber se os seus exames foram sujeitos a recursos em que a nota atribuída tivesse sido alterada de forma significativa. E analisar essas situações sempre que se verificassem ser recorrentes. Todos somos falíveis, mas as condições de “aviários de classificadores” em que nos estão a transformar potenciem, e MUITO, essa falibilidade.
Grata pela atenção dispensada, estou disponível a partir do final das minhas férias, para prestar os esclarecimentos que entenderem necessários, até porque os problemas que rodeiam a tarefa de classificação de exames nacionais não se esgotam nestas minhas linhas.
Ana Cristina Henriques Mendes da Silva
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Omiti os anexos porque, se bem me lembro, já os fui publicando por aqui em outro momentos.
anexo também a declaração enviada ao agrupamento em 2012
Nota: reservo-me o direito de divulgar estas minhas reflexões pelas vias que entender apropriadas, esperando que a mesma sirva para uma profunda reformulação e reflexão sobre a classificação de exames nacionais.