Acho, para crítica quase generalizada, que o acordo que o MEC assinou (ou não, tudo depende) com os sindicatos e do qual resultou a desconvocação da greve às avaliações tem várias pontas soltas.

Sei que o que estava em causa não eram, de forma directa, os interesses dos professores contratados.

No entanto… no entanto… parecem-me despropositadas certas críticas mais inflamadas como esta que hiperboliza malfeitorias.

Vamos lá ver dois aspectos práticos do acordo que, se forem concretizados, beneficiam indirectamente os professores contratados:

  • A não atribuição de horários lectivos aos professores que já pediram aposentação permitirá libertar horários que, no limite, poderão levar à contratação de algumas centenas de contratados desde Setembro.
  • A manutenção das reduções ao abrigo do artigo 79º faz com que muitos milhares de professores dos quadros não aumentem o seu horário lectivo, assim permitindo que existam horários que podem, de igual forma, vir a ser ocupados por professores contratados, depois de esgotados os DACL.

Não é muito, eu sei.  Mas também não se pode dizer que todo o acordo faz tábua rasa dos interesses objectivos dos professores contratados.

Que os direitos e interesses dos professores contratados merecem, de há muito, uma luta específica e mobilizadora? É verdade que sim, mas também é verdade que algumas das acções de reivindicação em prol desses direitos são das que menos gente consegue cativar, mesmo entre os próprios interessados…