Exmº Sr. Encarregado de Educação:

Numa altura crucial na vida do seu educando, tão próximo do final do ano letivo, os professores são chamados, uma vez mais, a responder a questões de extrema importância. A nossa vida profissional é vivida, todos os dias, em conjunto com o seu filho ou educando; por isso, tudo o que perturba a qualidade do nosso desempenho vai refletir-se sobre o aluno, em primeiro lugar.

Assim, resolvemos partilhar estas apreensões:

  Menos tempo para cada aluno (por via das 40 horas semanais previstas pelo atual governo): mais horas de trabalho significa mais turmas por professor, diminuindo o tempo disponível para acompanhar o trabalho de cada aluno.

  O professor vai reformar-se, como todos os funcionários do Estado, 2 a 4 anos mais tarde; esta situação, tal como noutras profissões, é inaceitável numa atividade de intenso desgaste e com os mais elevados níveis de acumulação de stress, comprovados internacionalmente.

  Haverá cortes nos salários e nos suplementos, o que provoca desmotivação.

  Cada escola terá cada vez menos dinheiro atribuído pelo Estado.

  A qualidade do ensino, a todos os níveis, terá tendência para piorar.

  A escola pública do futuro será um reduto da população mais carenciada: só os que tiverem mais dinheiro poderão colocar os filhos a estudar num colégio particular, para o qual haverá sempre mais meios.

Estas medidas estão a ser ponderadas pelo atual governo.

Tudo isto (e muito mais) é motivo para que nos preocupemos com o futuro da escola em Portugal e, portanto, na educação de que nos nossos jovens são alvo. Não queremos um Estado fraco onde a escola pública seja o lugar educativo dos mais desprotegidos e carenciados, com telhados a deixar entrar chuva e frio, com turmas de 40 alunos. Queremos um lugar onde o jovem se sinta confortável e seguro, com um ensino de qualidade, com profissionais que tenham tempo e energia para o ensinar com tempo e dedicação. Estamos certos de que qualquer encarregado de educação compreende esta preocupação, de modo a defender a qualidade no ensino e a educação na escola pública. É isto que a Constituição da República defende. É isto que o país precisa: os jovens de hoje são quem vai sustentar o país, amanhã.

Agradecendo a atenção que dispensou,

Professores da Escola Secundária de Odivelas

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