A notícia é de ontem, mas só hoje pude comentar a proposta de servidão pretendida pela AEEP para os docentes ao serviços dos seus associados, beneficiando da situação de precariedade e desemprego de muitos professores, assim como do beneplácito implícito de muita gente do Governo que concorda com este tipo de medidas, até porque poderá servir de justificação para dizer que os privados conseguem mais ou o mesmo com menos.

IMG_0794Há que, nesta fase, começar a expor de forma mais aberta algumas evidências acerca da promiscuidade entre interesses privados e decisores públicos na área da Educação, já que tantos gostam de denunciar o passado peso sindical nessa matéria.

O que parece claro é que da parte do governo dificilmente surgirá qualquer relatório, inspecção ou auditoria que critique com consequências práticas muitas das abusivas práticas laborais existentes em colégios privados, pois são essas práticas que querem ver nas escolas públicas pelo que lhes parece natural não penalizar quem já faz o que querem fazer.

Desiludam-se, pois, o que têm esperanças que alguma coisa saia do MEC contra qualquer grupo privado na área das PPP na Educação. Muito pelo contrário. Há quem ande a sublinhar que já se passaram dois anos e ainda não foi dado o que foi prometido na campanha eleitoral.

Por outro lado, penso que será ainda mais irrealista pensar que algum dia existirá coragem para seguir o fio à meada dos protagonistas de decisões políticas que beneficiaram interesses privados, embora se saiba de forma bem clara que andou em trânsito daqui para ali, vice-versa e etc.

Não há coragem, nem sequer existe conforto, quando se sabe a que ponto quase toda a gente tem um qualquer parentesco (de sangue, por afinidade, por trajecto, por horizontalidade) com toda a gente, devido às práticas endogâmicas consideradas naturais por quem saltita de gabinetes públicos para consultorias privadas e de assessorias privadas para centros de decisão públicos.