Para se ser de esquerda, é-se deseducado?

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Penso que não! Penso que se pode apostar em não querer tudo só para nosso bem e querer – também – bem para os nossos semelhantes, sendo-se de esquerda e educado!

Parece-me que ser-se de esquerda não implica comer com a boca aberta ou andar sem tomar banho. Antes pelo contrário, até para termos algum conforto e os outros não se sentirem desconfortáveis, connosco.

Ser-se educado, respeitarmo-nos e respeitar os outros, até é um princípio de esquerda. Logo, ser de esquerda até condiz com ser educado. Ter princípios, valores, respeitando-os exemplarmente e fazendo com que os outros também os respeitem.

Querendo algumas coias para nós, mas educadamente pretendendo que os outros também as tenham. Não querendo tudo só para nós. Logo, ser de esquerda implica ser educado.

Ser de esquerda não é sinonimo de entrar num sítio onde todos estão em silêncio, e desatar aos berros, a tudo e todos incomodar. Bem pelo contrário.

Então? Bem, então, nem ser de esquerda ou de direita, implica ser selvagem! Sejamos do que acharmos melhor dever ser, devemos ser educados. Devemos respeitar para ser respeitados. Nada de religiões, antes de pessoas, educados. Que temos que voltar a ser, todos!

Mas então não foi só a esquerda que se abandalhou. Todos se abandalharam. Todos se deseducaram, e acharam “fino” comportarem-se deseducadamente.

Esquecemo-nos a cada dia que passa de dizer faz favor, e depois obrigado. Parece mais fixe à esquerda, mas a direita está na mesma.

E falam todos ao mesmo tempo. E insultam-se, e não se respeitam, mas não só o tempo do outro falar, mas o que disse, mesmo, claro, não tendo que estar de acordo. Antes pelo contrário.

Mas ser de esquerda ou de direita não dá tempo, hoje, a tentar haver diálogo civilizado entre pessoas, que acham que tudo vale até olhos arrancar se a ideia, seja de direita, seja de esquerda é cegar o parceiro, para – este – nada ver, ou ficar a ver o que eu quero que deseducadamente veja?

Então. Bem, agora estamos todos a ficar tão mais deseducados, tão incivilizados. Não. Não. Não temos que estar sempre com boas maneiras ou maneirismos. Estes, nunca! Mas. Bem mas, podemos deixar falar o outro, quando é a sua vez. Escusamos de berrar para só a nós nos fazermos ouvir. Oh, não havia necessidade de não ter deixado passar à nossa frente aquela senhora! Não me atrasava.

Mas, sempre me atraso, e estou-me marimbando se deixei alguém ou muitos alguéns, à minha espera! Chego quando chegar, e pronto.

Talvez nada tenha a ver com esquerdas ou direitas, mas antes e sempre e cada vez mais, em sermos deseducados. Sem dúvida. Todos e cada um!

Temos que passar – se calhar – a ser todos mais civilizados, mais educados, mais correctos uns com os outros, e talvez recuperemos muitos dos valores que tanta falta nos estão a fazer! Enquanto é tempo!

 

Augusto Küttner

Maio de 2013