Quarta-feira, 15 de Maio, 2013


Smashing Pumpkins, Disarm

inferno

… menos o do patriotismo. Apesar do André Almeida.

 

 

Optar pela bosta ou não.

 

Disse.

 

 

Ministério da Educação justifica metade das 30 mil saídas da administração pública desde 2011

Ainda não fui ver se desta vez os quadros estão sem errros nas somas:

A Síntese Estatística do Emprego Público (SIEP) é uma publicação trimestral de divulgação dos principais indicadores estatísticos sobre emprego público.

1.º Trimestre / 2013    Quadros em Excel     Entidades sector empresarial

4.º Trimestre / 2012     Quadros em Excel     Entidades sector empresarial

3.º Trimestre / 2012     Entidades sector empresarial

2.º Trimestre / 2012     Entidades sector empresarial

1.º Trimestre / 2012

… porque o que deveria ser recomendado era o reforço de uma oferta de qualidade em articulação com as organizações profissionais e universidades.

CNE recomenda diminuir peso da formação contínua na progressão da carreira

Claro que andar a fazer – outra vez como outrora – acções de formação da treta só para ter créditos não é solução seja para o que for.

Mas… daí a fazer este tipo de proposta vai uma enorme diferença que me parece uma rendição perante as circunstâncias.

… e ser partilhada por ambos não a diminui, antes pelo contrário.

O Presidente da República explicou que a invocação de uma «inspiração» da Nossa Senhora de Fátima e do 13 de maio, no fecho da 7.ª avaliação da ‘troika’, deveu-se a um comentário da esposa.

«Quando, no dia 13 de maio, surgiu a notícia de que finalmente a 7.ª avaliação tinha sido mandada para trás da costas e que estava aberto o caminho para a extensão das maturidades, a minha mulher disse-me: ó meu caro – ela [Maria Cavaco Silva] trata-me de outra forma – isto é com certeza influência de Nossa Senhora de Fátima, porque hoje é dia 13. Foi essa a razão», explicou o Presidente da República em Monção.

Na terça-feira, durante uma visita oficial ao Porto, Cavaco Silva sublinhou que com o encerramento desta sétima avaliação «foi tomada uma decisão muito importante» para o futuro de Portugal. «Eu penso [no fim da sétima avaliação] como uma inspiração – como já a minha mulher disse várias vezes – da nossa Senhora de Fátima, do 13 de maio», disse, na altura.

A época Peseiro. A do quase, quase…

Lamento. E não vale a pena dizer que jogaram bem ou mal. Perderam. E isso custa que se farta. Eu que o diga.

Ainda há a Taça, claro.

É a única forma de fazer isto com um mínimo de fervor. E não me falem de patriotismo, porque eu não sou sul-americano.

Não é segredo que entre os tanques de pensamento que orbitam este governo e estiveram na origem de algum do seu ideário Margaret Thatcher é uma espécie de mãe espiritual.

Ora… aquela singular e mítica sucessão de vitórias eleitorais esteve quase para não acontecer, em virtude do que estava a ser o descalabro económico do seu primeiro mandato. Tudo acabou por ser salvo pelos argentinos, quando decidiram tomar as Malvinas/Falkland e a Maggie se tornou uma warlady. Só que por cá não temos ninguém que nos invada as Berlengas, sendo que a Madeira nem oferecida com dote a querem com o jardinesco lá instalado com o seu séquito. Então há que ir buscar uma lição diferente na governação da Dama de Ferro.

E os liberaizinhos de tertúlia encontram esse exemplo de firmeza e “liderança” na guerra travada pela sua idolatrada Margaret com os mineiros e os seus sindicatos, em particular com o então muito influente Arthur Scargill. Entre nós não há nenhum sindicato assim tão forte, nem o Arménio Carlos tem um estilo capilar tão arrojado, nem existe uma classe profissional tão vasta e determinada como era a dos mineiros britânicos quando os conservadores decidiram dizimá-los para mostrar como não temiam o movimento sindical.

Mas há os professores, em especial do ensino público. Que parecem ser (ainda) muitos e cujo rasto de demonização, iniciado há meia dúzia de anos por Sócrates/Maria de Lurdes Rodrigues, parece ser fácil de retomar, até porque muitos dos meninos-guerreiros assessores do actual governo parecem nutrir por eles um ódio muito particular, como se sentissem especial prazer em apoucá-los, acusando-os, conforme os momentos, de serem privilegiados mas igualmente incompetentes, uma espécie de aristocracia proletária, qualificada como que por engano, mas no fundo uns inúteis, se bem que relativamente perigosos.

Sei que não faz muito sentido, mas naquelas cabecinhas engomadinhas é tudo assim, muito elaborado mas na base da pobreza intelectual franciscana, alimentada a preconceito, ignorância factual mas muita prosápia e peneirice de quem leu umas coisas e teve aulas em estrangeiro.

(ahhhhh… este parágrafo, embora curto, fez-me libertar uma boa quantidade de toxinas… e ainda não adjectivei tudo o que me apetece)

E então devem ter convencido o actual PM – pessoa que cada vez me aparece abundar mais em convicções que entram pelos ouvidos ou em pastinhas finas – que os professores poderiam ser os seus mineiros, a sua guerra particular, capaz de o mostrar um líder forte, capaz de enfrentar os poderosos sindicatos e interesses corporativos e assim iludir a catástrofe económica em que nos vai rapidamente afundando.

E vai daí o homem chega a Paris e decide dizer umas parvoíces, retomando a tese demográfica que uns imbecis (mmm… a adjectivação de quando em vez alivia a tensão…) insistem em metralhar como se fosse um mantra inescapável, só faltando que recuperem os dados do aldrabado estudo tipo-fmi.

Ora… todos nós sabemos que ele sabe que nós sabemos que… ele disto não percebe nada.

E que mais valia estar calado… até porque os mineiros entraram em guerra aberta, o que termina sempre com uma vitória ou derrota total de uma das partes, enquanto que os professores, se conseguirem ser inteligentes e os seus representantes e líderes (sindicais ou a nível de escola) souberem estar à altura das suas responsabilidades, ganharão muito mais em optar pela guerrilha.

Que, como sabemos, sendo cirúrgica, pode moer quase indefinidamente até à queda do adversário.

É o que espero. E o que desejo.

20.18:

Governo assume despedimentos na Função Pública

22.39:

Secretário de Estado não assumiu despedimentos, diz Governo

E isto é mesmo com a existência de imagens com o que ele disse.

Às vezes sinto dó do secretário Rosalino, outra vezes apenas desprezo. A sério. Não sei se é algo pessoal, pois custa-me distinguir o político da pessoa pois têm a mesma cara e falam com a mesma boca.

E, para mais, nunca o (ou)vi falar como pessoa, somente.

Sentir que se é uma espécie de excedentário na sociedade?

Que quem governa só se lembra de nós quando quer destilar bílis?

Ministro das Finanças garante que montantes abaixo de 100 mil euros são sagrados

Já antes tinham sagrados todos os depósitos…

E o mais giro é que os depositantes devem assumir os erros dos gestores liberais de sucesso?

Mesmo que só tenham ido lá fazer um crédito qualquer e depositado dinheiro? 100.000 euros é coisa de rico?

Pelo menos é o que aquilo diz… mas confesso que… a confiança é escassa.

Umb14Mai13

Para se ser de esquerda, é-se deseducado?

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Penso que não! Penso que se pode apostar em não querer tudo só para nosso bem e querer – também – bem para os nossos semelhantes, sendo-se de esquerda e educado!

Parece-me que ser-se de esquerda não implica comer com a boca aberta ou andar sem tomar banho. Antes pelo contrário, até para termos algum conforto e os outros não se sentirem desconfortáveis, connosco.

Ser-se educado, respeitarmo-nos e respeitar os outros, até é um princípio de esquerda. Logo, ser de esquerda até condiz com ser educado. Ter princípios, valores, respeitando-os exemplarmente e fazendo com que os outros também os respeitem.

Querendo algumas coias para nós, mas educadamente pretendendo que os outros também as tenham. Não querendo tudo só para nós. Logo, ser de esquerda implica ser educado.

Ser de esquerda não é sinonimo de entrar num sítio onde todos estão em silêncio, e desatar aos berros, a tudo e todos incomodar. Bem pelo contrário.

Então? Bem, então, nem ser de esquerda ou de direita, implica ser selvagem! Sejamos do que acharmos melhor dever ser, devemos ser educados. Devemos respeitar para ser respeitados. Nada de religiões, antes de pessoas, educados. Que temos que voltar a ser, todos!

Mas então não foi só a esquerda que se abandalhou. Todos se abandalharam. Todos se deseducaram, e acharam “fino” comportarem-se deseducadamente.

Esquecemo-nos a cada dia que passa de dizer faz favor, e depois obrigado. Parece mais fixe à esquerda, mas a direita está na mesma.

E falam todos ao mesmo tempo. E insultam-se, e não se respeitam, mas não só o tempo do outro falar, mas o que disse, mesmo, claro, não tendo que estar de acordo. Antes pelo contrário.

Mas ser de esquerda ou de direita não dá tempo, hoje, a tentar haver diálogo civilizado entre pessoas, que acham que tudo vale até olhos arrancar se a ideia, seja de direita, seja de esquerda é cegar o parceiro, para – este – nada ver, ou ficar a ver o que eu quero que deseducadamente veja?

Então. Bem, agora estamos todos a ficar tão mais deseducados, tão incivilizados. Não. Não. Não temos que estar sempre com boas maneiras ou maneirismos. Estes, nunca! Mas. Bem mas, podemos deixar falar o outro, quando é a sua vez. Escusamos de berrar para só a nós nos fazermos ouvir. Oh, não havia necessidade de não ter deixado passar à nossa frente aquela senhora! Não me atrasava.

Mas, sempre me atraso, e estou-me marimbando se deixei alguém ou muitos alguéns, à minha espera! Chego quando chegar, e pronto.

Talvez nada tenha a ver com esquerdas ou direitas, mas antes e sempre e cada vez mais, em sermos deseducados. Sem dúvida. Todos e cada um!

Temos que passar – se calhar – a ser todos mais civilizados, mais educados, mais correctos uns com os outros, e talvez recuperemos muitos dos valores que tanta falta nos estão a fazer! Enquanto é tempo!

 

Augusto Küttner

Maio de 2013

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