Porque coragem não é. Pois ir para Paris dizer que precisamos de menos professores em Portugal está longe de ser um acto de coragem.

Será para dramatizar a tensão e o conflito que este Governo decidiu herdar dos anteriores? Porque não vemos o ministro da Saúde ou a ministra da Justiça a dizerem que há médicos, enfermeiros, funcionários judiciais ou juízes a mais. Mesmo se, sendo o argumento a baixa natalidade, se pudesse dizer que são necessários menos obstetras e pediatras.

Mas há ministros que existem e ministros que inexistem. Ou desistem. Não percebo já ao que Nuno Crato anda. será que acredita que sem ele é o caos? Porque se ele reparar já estamos no caos.

Muito menos o actual PM se aventuraria a entrar por outros territórios profissionais, propriedade de outros ministros.

Por isso, penso que Passos Coelho cedeu aos seus cortesãos anti-professores (que os tem muitos, aqueles meninos de aviário que já sabem escolher gravatas de seda se os levarem à loja certa) ou a uma natural estupidez discursiva, pois ele de Educação nada percebe (não estou a opinar ou a especular, mas apenas a reproduzir o que lhe ouvi de viva voz) e não é com olhadelas para gráficos do recadeiro Marques Mendes que lá chega.

Quanto ao argumento demográfico, bem… justifica alguma coisa mas não que se reduzam professores a partir da contracção artificial do currículo, que é o que foi feito recentemente, ou da demolição dos direitos laborais, que é o que está na agenda do dia.

Uma coisa é os alunos diminuírem 10% em 10 anos, outra os professores serem reduzidos em 30% em 5.

Para além de quem duvido que o actual PM consiga aguentar duas ou três perguntas directas que impliquem justificar as suas afirmações sem ser com o rabiosque a fugir às urtigas.

Mas vou acreditar que lhe disseram que precisa inventar um inimigo (andaram a ler o Eco?), que isso o fará parecer corajoso e anti-corporativo e que isso lhe trará popularidade, só faltando mesmo começar a falar em privilegiados.

Eu sei que Passos Coelho não conhece as escolas públicas. E ele sabe que sabemos disso, que não confia nelas, que não faz ideia da forma como funcionam. Só não sei se ele está consciente dos imbecis que lhe fazem os dossiês sobre essas matérias.