Quinta-feira, 9 de Maio, 2013


Pistol Annies, Hush Hush

 

Segunda estarei em Fafe.

 

… vou deixar de noticiar as novidades do campeonato de atirar barro à parede.

Farto Disto

Sou um número. Um de outros uns. Ainda tenho emprego, embora paire sobre mim uma contagem regressiva em tons fluorescentes. Todos os dias menos um dia e dia 31 de Agosto serei outro número em outra categoria mas ainda assim um número. Fazemos todos parte desta folha de Excel em que insistem colocarmos, ora como receita, ora como despesa. Talvez não saibam que esses números são pessoas e que atrás de todos os números existe um rosto que não se esgota em si mas se estende à família. De todos os números que existem existe um pior que o outro, o professor é de todos o pior.  O que talvez não saibam é que dentro de cada professor existe outro punhado de números, o número das horas de trabalho, o número de todos os decretos e portarias e despachos, o número de todos os problemas dos alunos, o número das reuniões de um sem número de órgãos escolares, um número de fotocópias e impressões que se apresenta diminuto a cada mês, um número infindável de horas online em pesquisa, um número grande de estantes em casa onde se colocam os necessários livros em números grandes também. Há outros números certamente, há o número de alunos por turma e esse número é o trinta, esse número encerra a falácia do senhor ministro de fazer mais com menos; senhor ministro isso é errado, os professores fazem mais com mais e calam-se. Os professores calam-se muito e mesmo que se calassem pouco isso já seria demais. Todos os professores têm sido ofendidos e isso não é de agora, já vem de à algum tempo atrás, mas agora nota-se mais. Eu que agora sou um número já fui também  várias palavras, candidato, candidato a professor, contratado. Eu que fui sempre o mesmo e que fui sempre necessário às escolas. Agora somos números, somos números porque o ministério das finanças da educação achou que o número de professores é excessivo e o país não precisa, achou que os professores trabalham poucas horas e não merecem a quantidade de números que o seu recibo apresenta numa quantidade cada vez menor. Os professores sabem que todas as justificações que o senhor ministro das finanças da educação são falsas, mas calam-se e estão quietos. O senhor ministro que pouco dá a cara agradece enquanto coloca os professores na coluna do lado direito da folha de papel que diz desemprego e lava as suas mãos porque a Troika fica contente. Os professores continuam calados e são apáticos sociais, ofendem-se uns aos outros e ficam-se por aí e não se unem; desconhecem que um número com outro número e outro número é muita gente e que muita gente tem muita força.

Edgar Semedo

DN9Mai13

Diário de Notícias, 9 de Maio de 2013

… as filhasdaputices do quotidiano com um sorriso nos lábios. Mesmo se sei que tenho as crónicas nos seus amarelados originais.

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Conferência Expresso “Educação – A base de tudo o resto?” (1ª parte)

Moderada por Francisco Pinto Balsemão, esta conferência contou com a presença de Fernando Adão da Fonseca (professor e presidente do Conselho Científico do Instituto Superior de Gestão Bancária e presidente do Fórum para a Liberdade de Educação), David Justino (professor-associado do Departamento de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa), Teresa Salema (diretora da Fundação Portugal Telecom), Maria de Lurdes Rodrigues (professora no ISCTE-IUL, presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, ex-ministra da Educação) e Fernando Lopes Rodrigues Sebastião (professor-coordenador da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu e presidente do Instituto Politécnico de Viseu).

O Daniel Oliveira escreveu sobre a malfeitoria dos professores que defendem os exames da 4ª classe mas que não querem ser avaliados.

Diz ele, fingindo não dizer o que diz, mesmo quando passa do uso do condicional (“diria que”) para o presente (“Acho que a razão é outra”).

Não vejo, de muitos professores, a revolta que sentiram com a atabalhoada avaliação que a antiga ministra lhes quis impor. Se fosse demagógico diria que avaliar os outros é sinal de exigência, mas sermos avaliados é uma chatice. Mas acho que a razão é outra: quando estamos nós em causa percebemos as limitações de avaliações burocráticas e uniformes que ignorem o contexto em que trabalhamos. Mas tendemos a esquecer essa dificuldade quando isso nos resolve os problemas que um mau aluno cria numa sala de aulas.

Ainda bem que eu:

  • Não fiz exame da 4ª classe.
  • Acho que os professores devem ser avaliados e não é a fingir com avaliadores externos da escola ao lado.
  • Já só me dou ao trabalho de reagir, de forma mais extensa, às parvoíces do Marques Mendes e de (ex-)governantes.

A parte gira é que muitos professores laikam e partilham sem perceberem sequer o que o DO lhes está a chamar… e nem é a primeira vez…

Contra a mobilidade e a favor da escola pública

            Os professores da Escola Secundária Francisco de Holanda, de Guimarães, reunidos em plenário e abaixo assinados, tomando em consideração as políticas deste Governo e do Ministério da Educação, nomeadamente:

 

1.      o esgotamento e empobrecimento da Escola Pública através de turmas sobrelotadas, dificultando inaceitavelmente o trabalho pedagógico com os alunos, prejudicando particularmente aqueles com mais dificuldades e desvantagens sociais; 

 

2.      o horário de trabalho letivo dos professores, de 22 horas, contadas ao minuto, a que se somam mais 13 horas não letivas, num montante total de 35 horas semanais, mas manifestamente abaixo do trabalho efetivamente realizado, sem qualquer direito a horas extraordinárias;

 

3.      o número crescente de turmas e alunos por professor, alcançando cerca de 150 alunos num grande número de casos e, noutros, podendo chegar aos 200;

 

4.      a diminuição de horas de trabalho para que os professores possam relacionar-se diretamente com as famílias dos seus alunos, condição essencial do sucesso educativo das crianças e jovens;

 

5.      o completo congelamento das carreiras e progressões profissionais, há pelo menos seis anos, eliminando desse modo qualquer estímulo ao desenvolvimento profissional;

 

6.      a redução acentuada dos salários, diminuindo as condições básicas de atualização e dignidade profissional, bem como da qualidade de vida das suas famílias;

 

7.       e, como é do conhecimento público, a recente proposta de Governo de despedir todos os professores colocados em situação de horário zero, que se estima possam ser mais de quinze mil (não por falta de alunos ou tarefas educativas essenciais às escolas e aos país mas, bem pelo contrário, por uma sobrecarga pedagogicamente absurda do número de alunos e tarefas a desenvolver pelos professores), bem assim como a proposta de aumento do horário de trabalho das 35 para as 40 horas, o que conduzirá inevitavelmente à degradação das condições mínimas  das tarefas pedagógicas a realizar com os alunos, 

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Deliberaram:


1.      Rejeitar em absoluto o aumento do horário de trabalho dos professores para as 40 horas semanais, não porque se discorde, em princípio, com a ideia da igualdade do número de horas de trabalho dos trabalhadores do setor privado e da Função Pública (assinalando-se que, no caso da educação, os professores das escolas privadas têm o mesmo horário de trabalho semanal que os professores da Escola Pública, 35 horas), mas porque o desenvolvimento das tarefas educativas e docentes impõe exigências de esforço físico, intelectual e emocional, de atualização académica e trabalho de investigação fundamental e pedagógica, incompatíveis com tão elevado tempo de trabalho, que se antecipa essencialmente de caracter letivo.

De facto, todos os indicadores internacionais de trabalho dos professores dizem que os professores portugueses são dos que trabalham mais horas dentro da sala de aula, não se percebendo esta medida a não ser como uma absurda tentativa de despedimento de professores, aos milhares, em necessário detrimento da qualidade da educação e do ensino e, portanto, da igualdade de oportunidades entre todos os portugueses.

 

2.      Rejeitar em absoluto a integração dos professores no “regime de mobilidade especial da Função Pública”, objetivo ostensivamente negado por este Governo e por este Ministro da Educação em várias intervenções públicas e não constante do Programa de Governo aprovado na Assembleia da República ou nos programas eleitorais dos partidos membros da coligação de Governo, o que corresponde, de facto, ao seu despedimento liminar, em muitos casos de professoras e professores com mais de vinte e vinte cinco anos de serviço, com quarenta ou quarenta e cinco anos de idade, ou mais, que toda a sua vida adulta foram formados para as profissões que desempenham, vidas inteiras ao serviço do ensino, da educação e do progresso de Portugal, e que agora se propõe sejam descartados e abatidos, nem sequer com subsídio de desemprego.

 

3.      Solicitar aos vários sindicatos de professores, particularmente aos mais representativos, que encetem todas as formas de luta visando combater este anunciado assassínio da profissão docente e da Escola Pública, que irá destruir, de modo cruel e contrário aos interesses do país, milhares de vidas de professores e outros profissionais da educação.

 

4.      Que essas formas de luta passem, desde já, pela convocação de greves em períodos coincidentes com as avaliações e os exames dos 11º e 12º anos, forma de luta extrema mas proporcional ao genocídio educacional e profissional posto em marcha por este Ministério da Educação e por este Governo.             

 

5.      Solicitar aos pais dos nossos alunos que dialoguem ativamente com os professores dos seus filhos, de modo a melhor compreenderem o actual processo de desestruturação da Escola Pública por parte deste Governo, de que o despedimento massivo de milhares de professores e a destruição das suas vidas é apenas a primeira parte, mas de que os seus filhos e as suas expectativas de ascensão e progresso social serão as vítimas principais.

 

6.      Desenvolver todas as ações necessárias ao combate a estas medidas ilegítimas e contrárias aos mais elementares interesses das famílias, dos alunos, das escolas, dos professores, de Portugal e dos portugueses.   

 

7.      Mais se delibera enviar este comunicado para todas as instituições oficiais do país, para outras escolas, instando-as à acção, bem assim como para os meios de comunicação social.

 

Hoje, no intervalo da manhã, uma colega mostrou-se convicta no fim do 69.

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E nós que tanto estimamos as requisições e destacamentos.

Andarem a fazer as contas, de forma mal disfarçada, sobre quem é @ que está mais abaixo na cadeia alimentar para ser sacrificad@?

É especialmente “divertido” agora que até há a possibilidade de leccionar ciclos diferentes e a carga horária estar distribuída por grupos de disciplinas.

O que é traçado hoje (pp 4-5) no DN de hoje sobre o futuro próximo para os educadores e professores. Ou seja, continua o plano inclinado que as declarações dos principais líderes sindicais não conseguem contrariar, entre as platitudes apaziguadoras de um e a guerra encenada de outro.

Continua por fazer o que me parece a única via possível de contestação e resistência a partir das escolas e que é a mobilização dos directores que ainda se sentem, antes de mais, professores, para articular com os colegas formas de combate efectivo a medidas de que se queixam mas contra as quais pouco fazem.

DN O Que Temem os Professores 1DN O Que Temem os Professores 2

Faz favor e Obrigado. Já era!

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Não podemos, não queremos, nem devemos voltar a tempos de disciplinas excessivamente rígidas em que uns tudo mandam e outros tudo obedecem, sem justificações, só porque tem que ser, é assim, ponto.

Porém, não nos vai ser possível por muito mais tempo continuar a viver nesta selva em que estamos “confortavelmente” instalados.

Vale tudo, chegaremos, a assim continuar, até a valer arrancar olhos, quando a intenção for de facto “claramente” cegar o nosso igual.

O pedir por favor, o segurar uma porta para o que vem atrás passar e não levar com ela – porta – na cara, era o que mais faltava ter que hoje se fazer.

Dizer simplesmente obrigado, quando alguém se comporta civilizadamente connosco, quando nos tratam com cordialidade, quando nos são simpáticos – correctos! – era o que mais faltava.

Já era, já não se usa, é uma banalidade, o faz favor e o obrigado. Para quê?

Os outros animais, aqueles que pensam bem menos que nós, não o fazem e safam-se, para que haveríamos nós, humanos, de ter que o fazer?

Talvez a baixar assim, cada vez mais o nível, os animais de estimação que muitos têm, se venham a conseguir portar bem melhor que os seus donos, e seremos pelos ditos animais ensinados a dizer uma vez mais, faz favor e obrigado. Esperemos que não, tarde de mais!

Augusto Küttner

Maio de 2013

Exames 4º ano+Nuno Crato+Papel Higiénico

(c) Luís Rosa