Terça-feira, 7 de Maio, 2013


… a primeira parte era puxada em relação ao tempo disponível. A segunda nem tanto. Quanto ao conteúdo, realmente não era sobre fadas e coisas assim, mas era sobre leitura e compreensão de informação contida num texto. Poucos conteúdos gramaticais.

Não é facilmente comparável com as anteriores, pelo que os níveis de (in)sucesso ficam no ponto de partida.

Cá por casa, a petiza não parece traumatizada, sendo estúpido que falem em regresso ao passado os adeptos de teorias sociais com quase 200 anos. Não há nada mais parvo que ver fósseis do paleolítico a queixar-se da antiguidade da pedra polida…

Anexos:

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… e muitos já a tomar, com demasiado à vontade se me permitem a opinião, posse do território novo, em alguns casos com a presente complacência dos encarregados de educação.

A caminho, na TSF, uma psicóloga ou pediatra de voz estridente, aconselhava a falarmos nestes dias às crianças com voz calma.

Mudei logo para a Radar onde estava a passar uma inesperada (para a estação) música dos efémeros EMF.

A falta de trabalho, que não só dinheiro

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É normal, usual, sermos crianças, brincarmos e depois ir estudando para sermos grandes, e, aí chegados tenhamos que ser razoavelmente independentes a nível económico e financeiro, para nos fazermos à vida.

Os laços de afecto mantidos ou não, com as famílias de onde provimos, cada um foi – e vai – gerindo como melhor conseguiu/conseguir – e nós humanos complicamos sempre, muito – e sendo uma vertente da vida muito importante e necessária, não será aqui e agora o foco.

Por certo muitos teremos só estudado, outros estudado e trabalhado, e outros interrompido estudos e voltado aos estudos, trabalhando pelo meio, com o fito de em qualquer trajecto sabermo-nos sustentar, para a vida. E depois até ter reforma! Ou não!

Claro que estudar implica  – também! – ter que ler e aprender de forma mais moderna ou nem por isso, e cria ou não, o “bicho” da leitura e aprendizagem, até ao fim da vida.

Mas, o que de intensa e desgraçadamente estamos a viver, é um tempo em que a normalidade deixou de o ser ou deixou de ser “assim”! Piorou, a normalidade!

O percurso referido:  brincadeira, estudo, trabalho não tem a continuidade que deveria ter e os objectivos possíveis estão-se a tornar cada vez mais difíceis de alcançar. E, estamos com um desemprego jovem de 35% e global de 18,5%.

Facilmente vemos raparigas e rapazes pelos vintes a andarem sem destino, de olhos tristes, a encher o tempo tão longo de cada 24 horas diárias, por não conseguirem encontrar trabalho, já não unicamente pelo dinheiro, mas também para fazerem parte da sociedade – e para a mesma construírem –  no tempo de o ser.

Claro que conjuntamente já vemos pessoas pelos quarentas/ cinquentas , talvez menos habilitadas literariamente mas com muito trabalho consumado, que andam em desnorte, por o emprego terem perdido e não saberem se algum dia outro encontrarão. E ainda novos para a reforma, se esta é ainda para o ser! Ou acaba para todos, amanhã!

Estamos num tempo difícil em que a falta de trabalho, já não é só – apesar de claro, também – a falta de dinheiro para pagar a água, luz, comida, casa, roupa, escola e alguma distracção. Estamos num tempo desesperançado em que esta crescente falta de trabalho,  faz com que os jovens não se vejam com futuro e até os menos jovens o tenham tido que interromper. O trabalho, e o futuro!

Claro que se acumula a estes todos os que estão, já hoje, nos sessentas ou  acima e a única via que lhes resta de subsistência nesta última etapa da vida é a reforma, e a sentem diminuir a cada dia que passa. Havendo o susto de diminuir até onde mais encolher não possa.

Tempo de facto muito difíceis e complicados. De caras e olhos tristes por todo o lado.

Claro que emigrar em massa, ou de tudo desistir, não deverão ser as únicas possíveis soluções.

Assim, por muito duro que seja, está chegado o momentum de todos, jovens, menos jovens e velhos tentarmos empenharmo-nos a encontrar saídas, muito difíceis sem dúvida ! Os políticos de serviço, dentro e fora das governações não estão a dar conta do recado! Fácil é  de o constatar.

Assim, todos temos que fazer parte da solução dado que quem tem achado que o faz, só problemas nos acumula.

Talvez aproveitando a nossa diferença positiva quanto aos restantes animais, ir conseguindo canalizar o nosso pensamento para situações construtivas e reais e não para desfazer mais, o que vem sendo desfeito. Com mais educação – não só instrução! – , cidadania, respeito por nós e pelos outros, organização, vontade e alegria de vida!

 

Augusto Küttner

Abril 2013

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(c) Henrique Monteiro

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