A falta de trabalho, que não só dinheiro

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É normal, usual, sermos crianças, brincarmos e depois ir estudando para sermos grandes, e, aí chegados tenhamos que ser razoavelmente independentes a nível económico e financeiro, para nos fazermos à vida.

Os laços de afecto mantidos ou não, com as famílias de onde provimos, cada um foi – e vai – gerindo como melhor conseguiu/conseguir – e nós humanos complicamos sempre, muito – e sendo uma vertente da vida muito importante e necessária, não será aqui e agora o foco.

Por certo muitos teremos só estudado, outros estudado e trabalhado, e outros interrompido estudos e voltado aos estudos, trabalhando pelo meio, com o fito de em qualquer trajecto sabermo-nos sustentar, para a vida. E depois até ter reforma! Ou não!

Claro que estudar implica  – também! – ter que ler e aprender de forma mais moderna ou nem por isso, e cria ou não, o “bicho” da leitura e aprendizagem, até ao fim da vida.

Mas, o que de intensa e desgraçadamente estamos a viver, é um tempo em que a normalidade deixou de o ser ou deixou de ser “assim”! Piorou, a normalidade!

O percurso referido:  brincadeira, estudo, trabalho não tem a continuidade que deveria ter e os objectivos possíveis estão-se a tornar cada vez mais difíceis de alcançar. E, estamos com um desemprego jovem de 35% e global de 18,5%.

Facilmente vemos raparigas e rapazes pelos vintes a andarem sem destino, de olhos tristes, a encher o tempo tão longo de cada 24 horas diárias, por não conseguirem encontrar trabalho, já não unicamente pelo dinheiro, mas também para fazerem parte da sociedade – e para a mesma construírem –  no tempo de o ser.

Claro que conjuntamente já vemos pessoas pelos quarentas/ cinquentas , talvez menos habilitadas literariamente mas com muito trabalho consumado, que andam em desnorte, por o emprego terem perdido e não saberem se algum dia outro encontrarão. E ainda novos para a reforma, se esta é ainda para o ser! Ou acaba para todos, amanhã!

Estamos num tempo difícil em que a falta de trabalho, já não é só – apesar de claro, também – a falta de dinheiro para pagar a água, luz, comida, casa, roupa, escola e alguma distracção. Estamos num tempo desesperançado em que esta crescente falta de trabalho,  faz com que os jovens não se vejam com futuro e até os menos jovens o tenham tido que interromper. O trabalho, e o futuro!

Claro que se acumula a estes todos os que estão, já hoje, nos sessentas ou  acima e a única via que lhes resta de subsistência nesta última etapa da vida é a reforma, e a sentem diminuir a cada dia que passa. Havendo o susto de diminuir até onde mais encolher não possa.

Tempo de facto muito difíceis e complicados. De caras e olhos tristes por todo o lado.

Claro que emigrar em massa, ou de tudo desistir, não deverão ser as únicas possíveis soluções.

Assim, por muito duro que seja, está chegado o momentum de todos, jovens, menos jovens e velhos tentarmos empenharmo-nos a encontrar saídas, muito difíceis sem dúvida ! Os políticos de serviço, dentro e fora das governações não estão a dar conta do recado! Fácil é  de o constatar.

Assim, todos temos que fazer parte da solução dado que quem tem achado que o faz, só problemas nos acumula.

Talvez aproveitando a nossa diferença positiva quanto aos restantes animais, ir conseguindo canalizar o nosso pensamento para situações construtivas e reais e não para desfazer mais, o que vem sendo desfeito. Com mais educação – não só instrução! – , cidadania, respeito por nós e pelos outros, organização, vontade e alegria de vida!

 

Augusto Küttner

Abril 2013