Terça-feira, 7 de Maio, 2013


REM & Eddie Vedder, Begin the Begin

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já li a bosta de amanhã.

Muito boa, até mete neo-brasileirismos, ié!

… para ver mais testes. Amanhã logo se vê.

Para continuar a discutir pela enésima vez as mesmas coisas. Amanhã logo se vê.

Beijos e abraços, conforme.

A Fenprof decidiu isto e a mim não apetece comentar. Não é por nada, é só porque não me apetece falar sobre o mesmo.

… pois o anafado Estado parece não ter funcionários competentes para cumprir os seus próprios desígnios.

PLMJ e Abreu escolhidas para assessorar privatização dos CTT

Exames nacionais no 4º ano? Não, obrigado!

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Em dia de estreia dos exames nacionais do 4º ano, perdoem-me por não abordar o tema na perspectiva de ser “traumatizante para as criancinhas, ou nem por isso” que alguns têm vindo a seguir. Não porque se não possa ou deva ir por aí, mas porque entramos, a meu ver, num campo demasiado aberto à subjectividade e ao preconceito. Não tenho dúvidas de que a maioria dos miúdos dirão que fizeram o exame “na boa”, assim como também não me custa a crer que outros não terão dado de si o melhor de que seriam capazes devido ao contexto em que foram postos à prova.

O que nos leva à questão para mim essencial, que é a de saber se o exame nacional é a forma pedagogicamente mais adequada para avaliar miúdos de 9 ou 10 anos. Porque a generalidade dos países, mesmo aqueles que separam nesta idade os meninos “inteligentes” dos “normais” e dos “outros”, reservando a cada um dos grupos um percurso escolar diferenciado a partir do 5º ano, conseguem fazê-lo sem o recurso a exames nacionais.

De facto, se a cultura da avaliação escolar centrada nos exames parece ter ganho terreno nos últimos anos em diversos sistemas educativos, a verdade é que a generalidade dos países com os quais gostamos de nos comparar não usa os exames nacionais em idades tão precoces, e os que o fazem avaliam por amostragem ou utilizam algo semelhante às nossas antigas provas de aferição. Mais do que aplicar a cada aluno um carimbo que em muitos casos nada significa de relevante em relação às suas reais potencialidades, interessa sobretudo avaliar o processo de aprendizagem no seu todo, incluindo o trabalho dos professores, a organização da escola, as políticas educativas.

A aposta em mais exames, em mais anos de escolaridade e com maiores consequências no percurso escolar dos alunos que se faz entre nós tem a originalidade de chegar este ano ao 4º ano de escolaridade, ao arrepio do que se faz por toda a Europa e que só encontra paralelo na ilha de Malta. Somos livres de seguir o nosso caminho e de sermos originais, como o fomos em coisas boas – a gestão democrática das escolas – e más – os mega-agrupamentos – mas convém saber que estamos a trilhar um percurso que mais ninguém segue e a inventar necessidades que mais ninguém tem.

Uma verdade difícil de negar é que os exames, mais do que solução seja para o que for, são a expressão de duas tendências muito fortes no nosso sistema educativo:

·   O facilitismo que tenta encontrar resposta para problemas estruturais em soluções simplistas, imediatas, pouco dispendiosas e adequadas a uma gestão política dos procedimentos e dos resultados em função dos ciclos eleitorais;

·   O centralismo que, apesar das juras e promessas em torno de autonomias, comunidades e sociedades civis, acaba sempre a tentar resolver os problemas, reais ou inventados, através de uma receita universal resultante de estudos feitos por encomenda ou, as mais das vezes, do palpite de alguns iluminados ministeriais.

Os exames no 4º ano serão assim a expressão de uma necessidade demagógica de inventar mais uma pseudo-reforma que disfarce o vazio de ideias e estratégias da política educativa deste governo. Enquanto se discutem estes exames vai-se protelando a avaliação a sério que precisaria de ser feita, não só aos alunos ou aos professores, mas sobretudo aos políticos demagogos e incompetentes e aos medíocres gestores da nossa administração educativa. Ignora-se a necessidade de enfrentar as dificuldades e problemas que afectam o 1º ciclo do ensino básico e que são obstáculos à melhoria de resultados escolares que, apesar de tudo, este eterno parente pobre do nosso sistema educativo tem vindo a conseguir.

Aliás, e se dúvidas houvesse, é esclarecedora a súbita aparição pública do Ministro da Educação neste dia de exames, depois de tantas vezes ter escolhido o silêncio envergonhado e comprometido quando na ordem do dia estiveram outras questões bem mais graves e estruturantes para o sistema educativo, os seus alunos e os profissionais de educação.

António Duarte

Sem novas ideias e novos protagonistas, não há saída

 

É uma verdadeira ironia o que se passa. Quando se pensava que o mundo estava “certinho”, entregue a economistas, burocratas e gente que sabe fazer contas, verificamos que o descalabro alastra, tomou o sul e vai tomar toda a Europa e sabe-se lá mais que países e regiões. Ninguém está a salvo, literalmente. Por cá, chegámos a um ponto que parece de não retorno, cada dia, semana, relatório ou declaração, estamos um pouco pior.

O que podemos fazer? Muitos vão para as ruas, com bandeiras e cartazes em punho, manifestar-se contra o corte de direitos. Destes, alguns são manifestantes improváveis, não fazem parte da luta ideológica, sempre presente, fazem-no, porque há um tomar de consciência de que é necessário, de que não pode ser de outro modo. Prefeririam ficar em casa, mas são impelidos por uma urgência: a de que não podemos continuar assim.

É já certo que, se deixarmos o mundo entregue aos políticos e especialistas de Bruxelas e a outros que tais (há muitos por essas instituições supra nacionais), não haverá saída. Fazem brilhantes previsões, que geralmente não acertam, análises contraditórias e soluções de madrugada que, ao comum dos mortais, parecem sempre um confronto de interesses, onde os alemães nunca perdem e os outros arranjam tristes justificações, para mais um corte, um imposto, uma taxa, um resgate…

O horizonte é sombrio, espera-nos um futuro incerto, com décadas e, se calhar, até, séculos de desmoronamento e de invernia social. Necessitamos de uma saída de razoabilidade (conceito, no sentido do Rawls) que torne possível acordar princípios de organização social, a partir de novas ideias, que todos possamos compreender, discutir, reformular, alterar…, de forma clara e aberta, sem que se perca o interesse comum, em jogos políticos ou em calendários eleitorais.

Não chega a existência de movimentos que apenas contestam, como se viu agora em Itália, é preciso movimentos que se transformem em capacidade de exercer o poder, de criar verdadeiras soluções, com objectivos individuais e sociais reversíveis e complementares, construindo, criando, inovando, propondo, comprometendo, animando…, dando “razões” para acreditar que a seguir não é o precipício, que os bancos vão abrir no dia seguinte, a segurança social tem respostas, a fábrica não fecha, não há mais rescisões…

Mas, se os que fazem propostas, assinam manifestos e criam opinião continuarem os mesmos, sempre, com ligações, mais ou menos explícitas, a interesses políticos, sociais e económicos conhecidos, é mais do mesmo. Precisam-se novos protagonistas, no centro da discussão social, sem isso, não há novidade, e, sem novidade, não há saída.

Maria Rosa Afonso

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